Coesão referencial por pronome: por que o aluno escolhe a palavra mais próxima
Quando o aluno não identifica o referente, costuma escolher uma palavra próxima ou confundir o termo retomado com o pronome. Veja como diagnosticar essa dificuldade e ensinar a leitura das retomadas.
Eu percebo a dificuldade quando peço que a turma diga a quem se refere um pronome e alguém aponta para a palavra que aparece logo antes, sem reler o trecho. Em “A biblioteca recebeu novos livros. Eles já estão na estante”, por exemplo, o aluno pode escolher “estante” ou “biblioteca”: está procurando perto, mas ainda não verificou gênero, número e sentido. Quando conversamos, fica claro que ele reconhece palavras, porém não acompanha o fio da informação entre as frases.
Também vejo o movimento contrário: o estudante sabe que “Maria” é importante em “Maria foi ao mercado. Ela comprou frutas”, mas marca “Maria” quando a pergunta pede o elemento que faz a retomada. Essa diferença entre referente e pronome parece pequena, mas muda o diagnóstico. Em vez de tratar todo erro como falta de atenção, eu procuro descobrir se a turma não reconhece pronomes, não localiza antecedentes ou não testa a relação no contexto. A partir daí, ensino a estratégia e escolho questões que mostram onde a compreensão se rompe.
O que é coesão referencial por pronome e como explicá-la ao professor?
Coesão referencial por pronome é o mecanismo pelo qual um pronome aponta para um referente apresentado antes — ou, em outros casos, recuperável pelo contexto — e ajuda o leitor a acompanhar de quem ou de que se fala. Em “A biblioteca recebeu novos livros. Eles já estão na estante”, “eles” retoma “novos livros”; a palavra evita repetir o nome e mantém as frases ligadas. O antecedente é o termo retomado, enquanto o pronome é a forma que estabelece a retomada: não são a mesma coisa. Também há retomada por pronome relativo, como “livros que contam histórias”, em que “que” retoma “livros” e conecta informações. No currículo, o tema aparece em Língua Portuguesa do 5º ao 9º ano, nas habilidades EF35LP06, EF35LP14, EF06LP12, EF07LP12, EF08LP14, EF08LP15 e EF89LP29.
Na prática, não basta perguntar “qual é o pronome?”. O estudante precisa justificar a relação: qual termo está sendo retomado e como o contexto confirma a resposta. A retomada pode envolver pronomes pessoais, como “ele”, “ela” e “eles”, e pronomes relativos, como “que”. Em textos mais elaborados, uma expressão lexical também recupera a informação, como “o formulário” e “o documento”, desde que não mude o referente. Para ensinar com precisão, separo três perguntas: qual forma aparece no texto; qual antecedente ela recupera; que efeito produz na continuidade. Essa distinção ajuda a turma a compreender coesão sem reduzir o conceito a uma caça-palavras.
O que o aluno precisa saber antes de estudar a retomada por pronome?
As fichas apontam como base recorrente a identificação de pronomes pessoais e o reconhecimento de referentes textuais. Também aparecem identificação de substantivos, compreensão da relação entre frases, relação entre termos e orações e percepção de relações coesivas. Para o pronome relativo “que”, é importante notar que uma palavra pode retomar um termo anterior e, ao mesmo tempo, conectar uma oração. Antes de iniciar a sequência, eu faço uma verificação curta: peço à turma que circule substantivos e pronomes em duas frases, ligue cada pronome ao termo possível e leia o resultado substituindo o pronome pelo antecedente. Não preciso começar com nomenclatura complexa; preciso observar se o aluno consegue explicar a ligação.
Se muitos estudantes não distinguem pronome de substantivo, faço uma retomada breve dessa diferença. Se identificam as classes, mas não relacionam frases, trabalho a leitura em voz alta e a reconstrução do trecho. Se a turma acerta exemplos curtos, mas erra em textos com vários participantes, a dificuldade pode estar em acompanhar a cadeia de referentes. Registro as respostas e peço que os alunos justifiquem, pois um acerto por palpite não comprova domínio. Essa checagem permite decidir se começo por reconhecimento, por concordância de gênero e número ou pela interpretação global.
Quais são os erros mais comuns na coesão referencial por pronome?
Nas oito questões deste conjunto, os distratores mais escolhidos variam: aparecem as letras C, D, A, E, A, C, B e A. Não há uma única alternativa errada que se repita como campeã; o padrão pedagógico mais útil é observar o raciocínio sugerido pelas explicações. Em diferentes itens, o aluno confunde o pronome com uma informação próxima, escolhe o referente em vez da palavra que o retoma ou troca retomada por repetição, sequência de fatos ou relação de sentido. As respostas erradas, portanto, não são intercambiáveis: cada uma revela uma hipótese específica. Eu uso a justificativa do estudante para distinguir distração, desconhecimento de pronome e dificuldade de construir o sentido do trecho antes de planejar a intervenção.
Escolher a palavra próxima sem conferir o referente
Em “Eles já estão na estante”, alternativas como “na estante” atraem porque estão perto do pronome e são relevantes para o trecho. O erro é tratar proximidade como prova de referência. Nas fichas, a dica é localizar a expressão retomada e conferir gênero, número e sentido global. Eu peço ao estudante que substitua o pronome por cada candidato: “Na estante principal já estão os novos livros” funciona; “na estante principal já está perto da entrada” não preserva a estrutura nem o sentido. A intervenção é ensinar o teste de substituição, sem apresentar concordância como única pista, pois o contexto também importa.
Confundir o referente com o pronome que o retoma
Na frase de Maria, “Maria” é o referente, mas “ela” é o elemento que conecta as duas frases. Marcar o nome pode mostrar que o aluno compreendeu de quem se fala, mas não entendeu o que o enunciado está solicitando. Eu comparo perguntas diferentes: “Quem foi ao mercado?” e “Qual palavra retoma Maria na segunda frase?”. Em seguida, peço que o estudante sublinhe o antecedente com uma cor e circule o pronome com outra. Essa separação visual costuma tornar explícita a função de cada termo, sem confundir reconhecimento de sentido com identificação do mecanismo coesivo.
Atribuir ao pronome uma ideia de causa, oposição ou ênfase
Em um trecho sobre vacinação, “elas” retoma “as unidades básicas”; não marca oposição, causa, exclusividade nem horário. O erro aparece quando o aluno interpreta o conteúdo da oração seguinte, mas atribui ao pronome uma função que pertence ao sentido geral do texto. Para intervir, pergunto o que a palavra substitui e o que a frase afirma sobre esse referente. Depois contrasto pronome e conectivo: “elas” aponta para um referente; palavras como “mas” podem marcar contraste. A classificação deve vir depois da leitura, para que a terminologia não encubra a relação que o aluno precisa compreender.
Confundir retomada com repetição, conectivo ou sequência de ações
Na horta, o recurso usado não é repetir literalmente os mesmos termos nem inserir um conectivo de oposição. No texto ambiental, “depois” organiza a sequência temporal, mas “eles” retoma “os participantes”. O aluno pode notar corretamente que o texto está ligado e ainda nomear o mecanismo errado. Eu proponho que destaque os pronomes de uma cor, os conectivos de outra e as palavras repetidas de uma terceira. Depois, cada marcação deve ser explicada: uma retoma alguém ou algo; outra estabelece uma relação lógica ou temporal; outra repete uma forma lexical. Assim, a turma aprende que coesão pode ser construída por recursos diferentes.
Ignorar gênero, número e coerência global
Em “O formulário deve ser preenchido”, a retomada pode ser “ele” ou “o documento”, mas não “eles” ou “os documentos”. Também não cabe substituir por “a pasta” quando isso muda o referente. Em outro item, “Ele” retoma Paulo, não o relatório nem a equipe: o gênero e o número ajudam, mas a continuidade das ações confirma a leitura. Eu ensino a verificar essas pistas em conjunto. Se a concordância parece possível para mais de um candidato, o estudante deve reler as ações e identificar quem pode realizá-las naquele contexto, evitando decidir apenas pela palavra mais próxima.
Como ensinar coesão referencial por pronome passo a passo?
Eu organizo o ensino em etapas curtas, começando com a dica comum às fichas: identificar o pronome e perguntar a que expressão ele se refere. Primeiro, apresento duas frases com um referente explícito e um pronome pessoal. A turma localiza ambos e faz a substituição para conferir se o sentido se mantém. Depois, acrescento outros substantivos no trecho para mostrar por que a proximidade, sozinha, engana. Em seguida, exploro gênero, número e papel nas ações, sem transformar esses sinais em regra mecânica. Por fim, apresento o pronome relativo “que” e comparo retomada referencial com repetição, conectivo e expressão de tempo. Em cada etapa, peço justificativa oral ou escrita.
Uma sequência realista pode ocupar duas ou três aulas, ajustadas ao diagnóstico. Na primeira, verifico pronomes e referentes com exemplos curtos. Na segunda, trabalho textos pequenos com mais de um participante e alternativas que representam confusões plausíveis. Na terceira, os alunos revisam um parágrafo repetitivo, substituem nomes com cuidado e explicam como preservaram o referente. Uso a estratégia de leitura em voz alta: ao trocar o pronome pelo antecedente, o aluno testa se a frase continua clara. Se houver ambiguidade, pode ser melhor repetir o nome ou reformular. O objetivo não é eliminar toda repetição, mas escolher retomadas que mantenham a compreensão e a coesão.
Como avaliar: que questão usar em cada momento da aprendizagem?
Para abrir uma avaliação rápida ou um diagnóstico, prefiro itens diretos, de leitura baixa e tempo curto, como identificar “ela” retomando “Maria”. Nas fichas, várias questões têm resolução curta; duas indicam de 2 a 3 minutos, e os níveis de leitura variam de baixo a médio, com um item descrito como básico e outro intermediário. Depois de verificar o reconhecimento inicial, avanço para trechos interpretativos em que o estudante precisa distinguir referente, informação locativa e consequência. Itens de abertura e progressão podem compor uma prova, atividade ou simulado conforme o objetivo. O poder de discriminação informado é predominantemente médio, com um item baixo; por isso, interpreto o resultado junto com a justificativa, não como medida isolada de domínio.
As oito questões são indicadas para prova e atividade; sete também são assinaladas como boas para simulado, enquanto a questão da biblioteca sobre “que” e a frase de Maria não são. Todas são boas para diagnóstico e avaliação rápida, e sete servem para lição de casa; a questão dos voluntários não é indicada para essa finalidade. Eu respeito essas diferenças ao montar a sequência. Para uma avaliação rápida, uso uma questão curta e converso sobre o raciocínio. Para uma prova, combino reconhecimento e aplicação, incluindo o item de substituição do formulário. Em atividade ou lição, peço que o estudante explique por que os distratores não servem. Para selecionar e organizar itens, posso usar o gerador de provas do GeraProva.
O que ensinar antes de coesão referencial por pronome?
O percurso indicado pelo acervo coloca antes deste conceito os pronomes pessoais, a coesão textual, a concordância verbal com sujeito composto e “conectivos e coesao textual”. Eu trataria os pronomes pessoais e a identificação do referente como base imediata: sem reconhecer a forma pronominal, fica difícil explicar a retomada. A coesão textual oferece o quadro mais amplo para que a turma não confunda todos os mecanismos. Conectivos e coesão textual ajudam a diferenciar relações entre ideias de retomadas de nomes. A concordância verbal com sujeito composto aparece como conceito prévio no percurso, mas eu verificaria se é uma dificuldade real da turma antes de dedicar tempo adicional: as fichas não afirmam que todo erro de referência decorre dela.
Para verificar essa base, proponho uma leitura curta e perguntas separadas: quais são os pronomes pessoais; que expressão cada um pode retomar; qual conectivo aparece e que relação estabelece; como se reconhece o sujeito de uma oração. O objetivo não é cobrar todos os conteúdos em uma prova longa, e sim localizar o ponto de partida. Se os alunos conhecem “ele” e “ela”, mas escolhem qualquer substantivo próximo, avanço para estratégias de referência. Se confundem conectivos com pronomes, faço contraste entre exemplos. Se a leitura do período está frágil, reviso a relação entre orações antes de pedir análise mais complexa.
Para onde este conceito leva na aprendizagem?
O domínio da retomada por pronome prepara o estudante para acompanhar cadeias referenciais mais longas e compreender quem realiza cada ação em textos com vários participantes. O acervo aponta como conceitos dependentes “Referência pronominal no texto” e “substituição lexical, coesão textual”. A passagem é natural: depois de reconhecer que “eles” retoma “os livros”, o aluno pode analisar referências ao longo de um texto e comparar o uso do pronome com uma expressão nominal, como “o documento”. Essa aprendizagem também melhora a revisão de textos, porque o estudante percebe quando o antecedente está distante, quando a substituição muda o sentido ou quando uma repetição pode ser evitada sem criar ambiguidade.
Eu não ensino essa progressão como uma escada rígida em que toda repetição é erro. O pronome pode deixar o texto mais econômico, mas, se houver dois candidatos possíveis, repetir o nome ou reformular pode ser a escolha mais clara. Na substituição lexical, o aluno também precisa preservar o referente: “formulário” e “documento” podem funcionar naquele contexto, enquanto “pasta” pode apontar para outro objeto. Peço que a turma explique o efeito de cada opção no trecho, não apenas que memorize rótulos. Assim, a análise gramatical se conecta à leitura e à produção textual.
Como relacionar o tema a outros assuntos e habilidades?
As fichas trazem contextos cotidiano, de saúde, científico, literário e de leitura e produção textual. Também aparecem temas transversais de saúde, multiculturalismo, ciência e tecnologia e educação ambiental. Isso permite trabalhar o mesmo mecanismo sem limitar a aula a frases artificiais: uma campanha de vacinação retoma unidades básicas; um texto sobre pesquisa acompanha Paulo; uma narrativa sobre limpeza de um riacho retoma participantes. Entre as habilidades socioemocionais registradas estão pensamento crítico, tomada de decisão, persistência e atenção aos detalhes. Eu posso pedir que os alunos comparem interpretações e defendam a referência escolhida com evidências do texto, exercitando leitura cuidadosa e argumentação, sem afirmar que uma questão mede sozinha uma competência socioemocional.
O contexto deve servir à leitura, não virar distração ou exigir conhecimento externo para resolver o item. No texto ambiental, por exemplo, a pista está na cadeia “participantes” e “eles”; a resposta não depende de saber sobre preservação. No trecho de saúde, o foco é a referência de “elas”, não uma opinião sobre vacinação. Ao planejar, verifico se o enunciado é autônomo e se todas as informações necessárias estão presentes. Posso variar os temas para ampliar o repertório e, ao mesmo tempo, manter explícito o objetivo linguístico: identificar o referente, justificar a retomada e compreender o efeito de coesão.
Quais são as 8 questões comentadas sobre coesão referencial por pronome?
Os itens abaixo percorrem reconhecimento, interpretação e aplicação: há pronome pessoal retomando nome, pronome relativo conectando orações, identificação do recurso coesivo e escolha de uma substituição que preserve o referente. Ao corrigir, não me limito a informar a alternativa certa. Leio cada distrator como uma pista: escolher uma expressão locativa pode indicar busca por proximidade; marcar o antecedente pode indicar que o aluno entendeu o assunto, mas confundiu o que a pergunta solicita; escolher um plural para antecedente singular pode apontar dificuldade com concordância. Essa leitura torna as questões úteis para diagnóstico, revisão, atividade e avaliação, de acordo com as finalidades indicadas nas fichas.
1. Na campanha da biblioteca, a quem “eles” se refere?
Trecho: “A biblioteca recebeu novos livros. Eles já estão na estante principal, perto da entrada. Quem passa por lá encontra os títulos com facilidade e pode levá-los para casa no mesmo dia.” No trecho, a palavra “eles” retoma qual informação e qual é o efeito dessa retomada para a compreensão do texto?
- ❌ A) Retoma “perto da entrada” e reforça a ideia de que a biblioteca fica em um ponto de fácil acesso. O aluno transforma uma circunstância de lugar em antecedente; o pronome retoma um termo nominal, não essa informação locativa.
- ❌ B) Retoma “a biblioteca” e ajuda a indicar quem realizou a ação. A resposta confunde o sujeito da primeira oração com o referente: “eles” está no plural e retoma “novos livros”.
- ❌ C) Retoma “na estante principal” e mostra o local exato onde os livros foram colocados. Esse distrator se apoia na expressão próxima, mas ela indica lugar e não concorda em número com “eles”.
- ✅ D) Retoma “novos livros” e evita a repetição, deixando o texto mais coeso e fácil de compreender. Identifica o referente e o efeito de continuidade entre as frases.
- ❌ E) Retoma “podem levá-los para casa” e mostra uma consequência. O aluno troca o antecedente pelo efeito da situação descrita no fim do trecho.
A dica é testar a que expressão “eles” pode corresponder e observar gênero, número e sentido do texto.
2. O que “elas” retoma no trecho sobre vacinação?
Trecho de reportagem: “A campanha de vacinação começou nas unidades básicas. Elas funcionam com horário ampliado nesta semana para atender idosos e profissionais da educação.” No trecho, a palavra “elas” contribui para o sentido do texto ao:
- ❌ A) Destacar, por ênfase, que as unidades básicas são as únicas responsáveis por toda a campanha. A frase não indica exclusividade; o distrator amplia o sentido sem apoio textual.
- ✅ B) Retomar a expressão “as unidades básicas”, evitando a repetição e mantendo a coesão entre as frases. “Elas” concorda com o referente e aponta para ele.
- ❌ C) Mostrar oposição entre a vacinação nas unidades básicas e o atendimento aos demais públicos. O aluno atribui ao pronome uma relação de contraste que não está expressa.
- ❌ D) Indicar o horário ampliado de atendimento. “Elas” não expressa tempo; a informação sobre horário aparece depois, no predicado.
- ❌ E) Explicar por que idosos e profissionais da educação foram incluídos. A resposta confunde retomada com causa ou justificativa, que o pronome não fornece.
Peça ao aluno que responda primeiro “a que expressão se refere?” e só depois explique o efeito.
3. Que recurso evita repetição no texto sobre a horta?
“Os estudantes cuidaram da horta. Eles regaram as mudas todos os dias. Essa dedicação ajudou no crescimento das plantas.” Qual recurso de coesão foi usado para evitar repetição excessiva e manter o texto ligado?
- ❌ A) Repetição das mesmas palavras ao longo do texto. O aluno confunde retomada com repetição literal; “eles” recupera “os estudantes” sem repetir a expressão.
- ✅ B) Pronomes e expressões de retomada para recuperar os estudantes e a ação já mencionada. A alternativa reconhece a coesão referencial no encadeamento do trecho.
- ❌ C) Conectivos de oposição entre cuidado e crescimento. Não há contraste marcado por conectivo; o distrator troca retomada por uma relação lógica inexistente.
- ❌ D) Enumeração de ações como principal recurso. O texto apresenta ações, mas a pergunta focaliza como as informações são retomadas.
- ❌ E) Pontuação mais forte para unir ideias. A pontuação organiza as frases, mas não é o mecanismo de retomada indicado.
Vale pedir que o estudante aponte o antecedente de “Eles” e explique o que “Essa dedicação” recupera no contexto.
4. Qual palavra retoma “livros” no trecho sobre folclore?
“A biblioteca recebeu livros que contam histórias do folclore brasileiro.” No trecho, qual palavra liga a informação sobre os livros sem repetir o nome?
- ✅ A) “que”, pois retoma “livros” e liga essa informação ao restante da frase. É um pronome relativo que recupera o termo e introduz informação sobre ele.
- ❌ B) “folclore”, pois resume o tema principal. A palavra indica o assunto das histórias, mas não retoma “livros” nem conecta a oração como pronome.
- ❌ C) “livros”, pois apresenta o objeto recebido. O aluno identifica o referente, não a palavra que o retoma.
- ❌ D) “biblioteca”, pois explica o lugar que recebeu os livros. A biblioteca é o sujeito da ação de receber, não o antecedente de “que”.
- ❌ E) “histórias”, pois indica o que os livros contam. O termo completa o sentido de “contam”; não é o pronome que retoma “livros”.
Este item ajuda a verificar se a turma reconhece que a retomada também pode ocorrer por pronome relativo.
5. Qual elemento cria coesão entre as frases de Maria?
Na frase “Maria foi ao mercado. Ela comprou frutas”, identifique o elemento que proporciona coesão.
- ❌ A) Maria. É o referente retomado, não o pronome que estabelece a ligação entre as frases; marcar essa alternativa revela confusão entre antecedente e retomada.
- ❌ B) Foi. É o verbo da primeira frase e não retoma Maria.
- ❌ C) Ao. É uma preposição da primeira frase; não é o elemento que recupera o referente na segunda.
- ❌ D) Mercado. Indica o lugar a que Maria foi, mas não conecta as frases por retomada pronominal.
- ✅ E) Ela. O pronome retoma “Maria” e estabelece coesão entre as duas frases.
É um bom item inicial: depois da resposta, pergunte qual palavra é o referente e qual faz a retomada.
6. Quem é retomado pelo pronome “Ele” na reportagem?
Durante uma reportagem sobre a qualidade da água, Marina entrevistou Paulo, pesquisador responsável pelo estudo. Após ser entrevistado, Paulo revisou os dados e enviou o relatório à equipe. Ele destacou que os resultados exigiam novas análises antes da divulgação. A quem “Ele” se refere?
- ❌ A) Aos dados revisados no estudo. O pronome masculino singular é usado para retomar uma pessoa neste contexto; “dados” está no plural e não realiza as ações descritas.
- ✅ B) A Paulo, pesquisador responsável pelo estudo. Paulo é o referente masculino singular e o agente que revisou, enviou e destacou a necessidade de novas análises.
- ❌ C) Ao relatório enviado à equipe. O relatório é o objeto enviado, não o agente que destaca uma avaliação; o aluno confunde proximidade com função no texto.
- ❌ D) À equipe responsável pela divulgação. A equipe aparece como destinatária, não como participante das ações atribuídas a “Ele”.
- ❌ E) A Marina, responsável pela entrevista. Marina participou da entrevista, mas o encadeamento das ações e a forma masculina singular apontam para Paulo.
Além da concordância, peça que a turma acompanhe quem realiza as ações sucessivas.
7. Como substituir “O formulário” sem alterar o referente?
Em uma nota da secretaria, lê-se: “O formulário deve ser preenchido hoje. O formulário precisa ser entregue na recepção. O formulário será analisado amanhã.” Qual substituição nas frases seguintes preserva a coesão e o referente?
- ✅ A) Por “ele” ou por uma expressão equivalente, como “o documento”, conforme o contexto. As opções preservam o referente singular e evitam repetição desnecessária.
- ❌ B) Por “eles” ou “os documentos”. O aluno percebe que deve retomar o termo, mas altera o número e, portanto, o referente.
- ❌ C) Por “a ficha de inscrição”. O texto não informa que tipo de formulário é; essa especificação extrapola o contexto.
- ❌ D) Pela repetição integral de “o formulário” em todas as frases. Repetir pode manter o referente, mas não responde à substituição pedida e ignora outras formas coesivas adequadas.
- ❌ E) Por “a pasta”. A palavra pode designar outro objeto e muda o referente; não é sinônimo adequado neste contexto.
A questão permite avaliar aplicação: o aluno precisa preservar referência, número e sentido, não apenas evitar repetição.
8. Qual expressão mostra pronome anafórico no texto ambiental?
“Quando os voluntários chegaram às margens do riacho, notaram lixo acumulado próximo às pedras. A equipe iniciou a limpeza usando pás e sacos. Depois, os participantes recolheram latas, plásticos e papéis. Ao final, eles sentiram orgulho do trabalho e comentaram que aquele esforço pode inspirar outras pessoas a ajudar na preservação ambiental. A ação contou com apoio de escolas locais e empresas, que doaram equipamentos e materiais.” Qual expressão exemplifica coesão referencial por meio de pronome anafórico?
- ❌ A) “Depois, os participantes recolheram”. “Depois” indica sequência temporal, mas a expressão não contém o pronome anafórico pedido.
- ✅ B) “eles sentiram orgulho”. “Eles” retoma “os participantes”, mencionado anteriormente, e mantém a referência no texto.
- ❌ C) “usando pás e sacos”. A expressão informa os materiais usados na limpeza, sem pronome que retome um termo anterior.
- ❌ D) “próximo às pedras”. Indica lugar; não retoma um referente por meio de pronome.
- ❌ E) “a equipe iniciou a limpeza”. Apresenta uma ação da equipe, mas não contém o pronome anafórico solicitado.
Se o aluno escolher a alternativa A, retome a diferença entre marcador temporal e pronome que recupera participante.
Perguntas frequentes sobre coesão referencial por pronome
As dúvidas mais comuns aparecem quando o professor precisa decidir se o estudante entendeu a referência ou apenas reconheceu uma palavra conhecida. Também é comum perguntar como abordar os pronomes relativos, se repetição é sempre um problema e que tipo de avaliação oferece evidência suficiente. Eu respondo a essas perguntas lembrando que a meta é acompanhar o sentido: o aluno precisa localizar a forma, recuperar o antecedente e justificar a relação no contexto. A nomenclatura ajuda, mas não substitui a leitura. As questões podem apoiar esse processo em momentos diferentes, desde uma sondagem breve até uma atividade de revisão ou uma prova, sempre com atenção às respostas e às justificativas apresentadas.
Como sei se o aluno realmente entendeu a retomada?
Peça que indique o pronome, nomeie o antecedente e explique como conferiu a relação. A substituição do pronome pelo referente é uma boa verificação: se o sentido se mantém no trecho, há evidência de compreensão. Um acerto sem justificativa pode ser palpite.
Pronome relativo como “que” também pode fazer coesão referencial?
Sim. Em “livros que contam histórias”, “que” retoma “livros” e conecta uma oração à outra. O professor pode comparar esse uso com pronomes pessoais, mostrando que formas diferentes recuperam referentes e participam da construção do texto.
Devo corrigir toda repetição de substantivo?
Não. A repetição pode ser necessária para evitar ambiguidade ou manter a clareza. O objetivo é ensinar o aluno a escolher entre repetir, usar pronome ou fazer substituição lexical conforme o contexto, sem mudar o referente.
Como diferenciar dificuldade de leitura de desconhecimento gramatical?
Compare um exemplo curto e direto com um trecho que tenha mais participantes. Se o aluno reconhece o pronome isoladamente, mas perde o referente no texto maior, pode precisar de apoio para acompanhar as informações. Peça justificativas e observe em que etapa a relação se rompe.
Qual questão usar primeiro para diagnosticar a turma?
Comece por um item curto, de leitura baixa, como o de Maria e “ela”, e pergunte qual palavra é retomada. Depois avance para textos com mais candidatos possíveis, como o trecho sobre Paulo, e verifique se o aluno usa concordância e contexto.
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