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Atividades de Análise de dados e informações sociais para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito

Reuni questões de Filosofia para trabalhar análise de dados e informações sociais na 3ª série, com gabarito comentado. O foco está em avaliar fontes, evidências e argumentos sem confundir opinião com conhecimento justificado.

Atividades de Análise de dados e informações sociais para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito

Na 3ª série, quando trabalho análise de dados e informações sociais em Filosofia, procuro aproximar a discussão de situações em que uma decisão depende da qualidade das evidências: uma notícia compartilhada, um registro histórico, uma estatística pública ou um depoimento. A turma não precisa tratar todo número como prova definitiva nem descartar relatos pessoais; o desafio é perguntar o que cada fonte permite afirmar, como foi produzida e que outras informações podem confirmá-la ou limitá-la.

Nas questões desta sequência, esse trabalho aparece em contextos científicos, históricos e cotidianos. A proposta é fazer os estudantes justificarem uma conclusão, identificarem limites e reconhecerem quando uma hipótese deve permanecer provisória. É uma abordagem adequada à Filosofia porque discutir dados também envolve critérios de conhecimento, argumentação e responsabilidade pública.

O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Análise de dados e informações sociais

Na 3ª série do Ensino Médio, o estudante precisa saber comparar informações e fontes antes de aceitar uma conclusão sobre um problema social. Isso envolve distinguir opinião, testemunho, registro documental, estatística e evidência científica, observando como cada elemento foi produzido e o que de fato sustenta. Em Filosofia, também é importante compreender que confiabilidade não significa certeza absoluta: uma hipótese pode ser razoável quando reúne evidências convergentes, mas continua aberta a revisão diante de novos dados. O aluno deve reconhecer problemas como argumento de autoridade, apelo à maioria, generalização apressada e uso da ausência de registro como prova. Precisa ainda avaliar se fontes são independentes ou repetem uma mesma narrativa, considerar vieses na coleta e na atribuição de credibilidade e relacionar justificativas a consequências públicas. Assim, pode formular conclusões proporcionais às evidências, sem reduzir o debate a “acreditar em tudo” ou “não ser possível saber nada”.

O que ele precisa saber antes

As questões pressupõem conhecimentos que vale retomar brevemente, sobretudo porque ajudam a turma a interpretar textos longos e a separar a conclusão apresentada das razões que a sustentam. Não é necessário transformar a revisão em uma exposição extensa de cada filósofo; uma definição acessível, acompanhada de um exemplo e de uma pergunta de aplicação, costuma preparar o terreno.

  • Opinião e evidência: reconhecer a diferença entre uma impressão pessoal e uma afirmação apoiada por dados ou fontes que possam ser examinados.
  • Critérios de validação: compreender verificabilidade, confronto intersubjetivo e revisão por pares como procedimentos que podem aumentar a confiabilidade, sem garantir infalibilidade.
  • Leitura crítica de fontes históricas: observar autoria, data, finalidade, contexto, independência e limites de documentos e testemunhos.
  • Noções filosóficas mobilizadas: dúvida metódica cartesiana, falibilismo, princípio do dano de Mill, verdade factual em Arendt e injustiça epistêmica. A turma também precisa de noções básicas de verdade, crença e justificação.
  • Argumentação básica: identificar uma tese, as evidências usadas para apoiá-la e possíveis explicações alternativas.

Onde os alunos mais erram

Um erro recorrente indicado pelas questões é deixar que a proximidade ou a aparência de autoridade de uma fonte substitua a análise. Um relato local pode ser relevante, mas não vira prova conclusiva apenas por ser próximo dos acontecimentos; do mesmo modo, um dado oficial ou uma carta produzida perto da época não deve ser aceito automaticamente. Na primeira questão, esse atalho aparece ao escolher dados de pluviômetros ainda sem revisão independente, embora pareçam concretos. Na sétima, pode ocorrer o movimento inverso: dar crédito à autoridade por definição e diminuir a credibilidade de testemunhos afetados.

Outro tropeço é contar fontes sem verificar se são independentes. Vários depoimentos que repetem um mesmo livreto não equivalem a várias confirmações autônomas. Também é comum interpretar evidência incompleta como certeza ou, no extremo oposto, concluir que toda divergência torna impossível qualquer decisão. As questões sobre autoria, ponte e terreno mostram uma alternativa mais cuidadosa: formular uma conclusão provisória, explicitar limites e buscar corroboração.

Por fim, a questão sobre o áudio da barragem explora a confusão entre uma intenção útil e uma informação justificada. “Era melhor prevenir” não demonstra que a mensagem era confiável nem elimina os danos do compartilhamento. Já no debate sobre vídeos manipulados, os dados devem ser conectados a uma medida proporcional: nem censura ampla, nem recusa automática de qualquer regra. Em todas essas situações, peço que os estudantes indiquem a evidência e expliquem como ela sustenta a resposta.

Como trabalhar em sala

  1. Faça uma leitura em camadas: primeiro, os alunos identificam o problema e a tese; depois, sublinham os dados e as fontes; por último, registram uma limitação ou uma informação que ainda precisaria ser verificada. Pode ser feito no caderno, sem material especial.
  2. Monte um quadro de fontes: use colunas para tipo de fonte, autoria, data, finalidade, evidência oferecida e limite. Preencha coletivamente com um exemplo das questões, como o mapa fiscal, os testemunhos e a sondagem geofísica.
  3. Peça uma justificativa curta: antes de marcar uma alternativa, cada estudante completa a frase “Escolho esta opção porque o texto informa…”. Isso ajuda a evitar respostas guiadas apenas por familiaridade com um filósofo ou por uma palavra chamativa.
  4. Compare conclusões e graus de certeza: proponha que a turma classifique afirmações como sustentada, provisória ou não sustentada pelos dados apresentados. Reforce que “provisória” não significa inútil: indica abertura para revisão.
  5. Feche com uma checagem de argumento: em duplas, os estudantes localizam um possível apelo à autoridade, à maioria ou à ausência de registro e explicam por que esse raciocínio não basta. O foco é analisar a estrutura do argumento, não ridicularizar quem o formulou.

Questões prontas de Análise de dados e informações sociais para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

As questões abaixo são voltadas à habilidade questões da habilidade EM13CHS103. Oriente a turma a ler os enunciados com atenção: em vários itens, o ponto central não é escolher a fonte mais familiar, mas comparar a força e os limites de cada evidência.

1. Qual argumento oferece maior confiabilidade para embasar políticas de racionamento de água?

Agricultores residentes afirmam que as chuvas diminuíram e observam o solo mais seco. Um técnico relata que pluviômetros registraram queda de 30% no volume, mas o levantamento ainda não passou por revisão independente. Um pesquisador apresenta artigo científico sobre a relação entre desmatamento e redução das precipitações, com dados verificados por pares. Um morador acredita que ciclos naturais resolverão a estiagem. Considerando verificabilidade, intersubjetividade e revisão por pares, qual linha argumentativa é mais confiável?

  • ❌ A) Usar a intuição sobre ciclos naturais para prever a recuperação hídrica. A intuição não é sustentada por estudos formais ou dados verificados, portanto não satisfaz os critérios apresentados.
  • ✅ B) Usar o estudo publicado em revista científica e verificado por pares. A revisão permite que especialistas examinem evidências e métodos, aumentando a confiabilidade, embora não torne a conclusão infalível.
  • ❌ C) Usar os relatos pessoais dos agricultores como argumento principal. As experiências locais são relevantes, mas, por si sós, não demonstram verificação independente nem revisão por pares.
  • ❌ D) Usar previsões sem dados observáveis. Sem dados observáveis, não há como verificar a previsão, e ela não foi apresentada como resultado revisado por pares.
  • ❌ E) Usar os dados dos pluviômetros da cooperativa ainda sem revisão independente. Os registros podem ser considerados, mas falta uma etapa importante de verificação; por isso, não são a opção de maior confiabilidade segundo os critérios do enunciado.

Gabarito comentado: B. A resposta compara os procedimentos de validação das fontes. Os relatos e os registros podem compor a investigação, mas o artigo descrito conta com dados verificados por pares. A conclusão deve continuar aberta a novas evidências.

2. Que tese o museu pode sustentar sobre a autoria de uma escultura?

Durante a revisão da autoria de uma escultura em praça pública, foram encontrados dois bilhetes do arquiteto dizendo que Helena reformulou a composição e as dimensões da peça. Um caderno assinado por ela contém esboços próximos da obra final, e uma fotografia a mostra junto à maquete. O contrato registra apenas o escritório de arquitetura, e depoimentos de familiares divergem. Considerando a orientação de Francis Bacon de examinar hipóteses por observações variadas, qual tese é mais consistente?

  • ❌ A) Sustentar a autoria indicada pelos familiares, pois memória oral dispensa confirmação. Os depoimentos divergem e precisam ser confrontados com outras evidências.
  • ❌ B) Declarar impossível qualquer atribuição, porque fontes divergentes anulam os indícios. A divergência exige cautela, mas não apaga a convergência entre bilhetes, caderno e fotografia.
  • ❌ C) Sustentar a autoria exclusiva do arquiteto porque a notícia contemporânea prevalece. Uma notícia não se sobrepõe automaticamente a evidências documentais convergentes.
  • ❌ D) Sustentar a autoria exclusiva de Helena, pois os esboços eliminam o valor dos demais registros. Os esboços e os bilhetes documentam sua participação, mas não excluem a atuação do arquiteto.
  • ✅ E) Sustentar provisoriamente a coautoria de Helena, com base na convergência documental e abertura a novos achados. Essa formulação reconhece os indícios sem transformar uma conclusão indutiva em certeza definitiva.

Gabarito comentado: E. A força da tese vem da convergência de fontes, mas a formulação provisória respeita os limites do conjunto disponível. A análise evita tanto aceitar um único relato como definitivo quanto descartar todos os indícios por causa de divergências.

3. Como a comissão deve justificar a atribuição da construção de uma ponte a Joana Alves?

Uma comissão local reuniu uma nota de jornal de 1928 que menciona “a senhora encarregada”, depoimentos gravados décadas depois e uma lista de pagamentos com as iniciais J. A. Uma carta do empreiteiro afirma que sua empresa executou a obra. Os depoimentos repetem um livreto comemorativo de 1960, e os projetos técnicos originais não foram encontrados. À luz do método cartesiano, qual procedimento sustenta melhor a decisão?

  • ❌ A) Tratar a ausência de plantas como confirmação indireta da autoria. A falta de documentos técnicos não confirma a atribuição nem resolve as dúvidas.
  • ❌ B) Tratar a repetição dos depoimentos como prova suficiente. Como os relatos repetem uma mesma publicação, não são confirmações independentes.
  • ❌ C) Tratar a homenagem planejada como prova pública da narrativa. Uma decisão coletiva pode legitimar uma homenagem, mas não comprova por si só uma afirmação histórica.
  • ✅ D) Manter a atribuição como provisória, verificar a dependência entre as fontes e buscar registros independentes. O procedimento reconhece os limites das evidências e busca razões suficientes antes de afirmar uma conclusão.
  • ❌ E) Tratar a carta do empreiteiro como prova conclusiva por ser próxima dos fatos. A proximidade temporal não torna conclusiva uma carta interessada, que atribui a execução à própria empresa.

Gabarito comentado: D. A dúvida cartesiana funciona como cuidado diante de razões insuficientes, não como obrigação de rejeitar qualquer hipótese. A comissão deve avaliar a independência dos depoimentos e procurar corroboração autônoma.

4. Que argumento fundamenta uma decisão pública responsável sobre um terreno?

Em uma audiência fictícia sobre a construção de um estacionamento, um vereador afirma que um mapa fiscal de 1951 não aponta um cemitério no terreno. Três moradores idosos, sem contato prévio entre si, relataram sepultamentos emergenciais na área durante a enchente de 1943. Uma notícia da época menciona enterros provisórios na margem do rio, sem indicar o local exato. Uma sondagem geofísica encontrou alterações no solo compatíveis com covas, mas não identificou restos humanos. O mapa havia sido feito para fins tributários. Considerando os indícios e a reflexão de Hannah Arendt sobre a verdade factual, qual argumento é mais responsável?

  • ❌ A) Rejeitar qualquer proteção porque a omissão no mapa prova que não havia cemitério. A ausência de registro em um mapa tributário não prova inexistência; o documento tinha outra finalidade.
  • ❌ B) Suspender toda deliberação porque fontes divergentes impedem qualquer juízo provisório. Divergências pedem comparação crítica. Não impedem medidas proporcionais diante da possibilidade de dano irreversível.
  • ✅ C) Defender proteção cautelar, relacionando a convergência dos indícios aos limites de cada fonte. Testemunhos, notícia e sondagem justificam cautela, sem transformar os indícios em certeza. A omissão no mapa não encerra a questão.
  • ❌ D) Submeter a decisão apenas à votação dos moradores. A participação democrática importa, mas a contagem de preferências não substitui a avaliação das evidências factuais.
  • ❌ E) Reconhecer definitivamente a existência do cemitério com base apenas nos testemunhos. Relatos são relevantes, mas, diante das lacunas documentais e materiais, não autorizam sozinhos uma conclusão definitiva.

Gabarito comentado: C. A medida cautelar é proporcional ao conjunto de indícios e aos limites das fontes. O cuidado está em não converter uma possibilidade bem apoiada em certeza, nem usar um registro de finalidade restrita para descartar outras evidências.

5. Como apresentar publicamente a atribuição de um manifesto operário a Amélia Duarte?

Um museu examina um manifesto sem assinatura atribuído a Amélia Duarte. Um jornal de 1932 publicou trechos sem revelar a autoria. Uma carta de 1935, escrita por um colega, diz que Amélia lhe mostrou “um rascunho sobre as condições da fábrica”, sem identificar o documento. Um registro de doação preenchido em 1970 por um sobrinho chama o manuscrito de “Manifesto de Amélia”. Não foram localizados outros exemplares nem menções contemporâneas que liguem diretamente o nome dela ao texto. À luz do falibilismo de Karl Popper, qual procedimento é mais consistente?

  • ✅ A) Tratar a autoria como conjectura provisória e buscar registros contemporâneos independentes que possam contrariá-la. A hipótese permanece revisável e deve poder ser examinada criticamente; a carta e o registro são indícios limitados.
  • ❌ B) Tratar o registro do sobrinho como prova definitiva pela transmissão familiar. A proximidade familiar alegada não elimina a distância temporal nem cria um vínculo contemporâneo direto com a autoria.
  • ❌ C) Tratar a publicação anônima como confirmação da autoria. A publicação mostra que o texto circulava no período, mas não identifica quem o escreveu.
  • ❌ D) Considerar os três documentos equivalentes e somá-los para provar a autoria por maioria. As fontes têm pesos e graus de independência diferentes; somá-las não remove suas limitações.
  • ❌ E) Abandonar qualquer hipótese por não haver prova conclusiva. O falibilismo não exige certeza para formular hipóteses, mas que elas permaneçam criticáveis e revisáveis.

Gabarito comentado: A. A questão diferencia uma hipótese possível de uma conclusão definitiva. O museu pode apresentar a atribuição com ressalvas e continuar procurando evidências que a confirmem ou a refutem.

6. Que argumento pode justificar a rotulagem de vídeos manipulados com base no princípio do dano de Mill?

Em um projeto-piloto, uma plataforma marcou como “conteúdo manipulado” vídeos que imitavam a voz e o rosto de candidatos. Em duas semanas, 120 vídeos receberam marcação. Antes do aviso, cada um alcançava, em média, 45 mil visualizações; depois, o aumento médio caiu para 5 mil. Em uma enquete com 600 eleitores, 58% disseram ter compartilhado ao menos um vídeo posteriormente desmentido, 64% afirmaram que passaram a buscar a fonte original ao ver o aviso e 31% disseram ter reduzido o interesse em acompanhar debates. Discute-se uma lei que mantenha a marcação e um arquivo público para auditoria, com remoção apenas quando o vídeo atribuir crime a um cidadão comum. Qual argumento articula melhor as evidências ao princípio do dano?

  • ❌ A) Proibir todos os vídeos políticos porque houve compartilhamentos enganosos. A conclusão generaliza os casos e amplia a restrição para além do dano indicado pelas evidências.
  • ❌ B) Remover críticas a candidatos porque podem afetar reputações. Desconforto ou crítica não bastam para justificar censura, e a alternativa não se apoia nos dados sobre manipulação.
  • ❌ C) Defender a lei apenas porque o tribunal eleitoral a apoiou. Um endosso institucional não substitui a análise dos resultados e a justificativa da medida.
  • ❌ D) Não criar regra porque parte do público desconfia da verdade. A dificuldade de verificação não torna impossível usar evidências para decisões coletivas.
  • ✅ E) Defender rotulagem e auditoria porque o piloto freou a difusão, restringindo apenas o necessário para evitar prejuízo ao debate. A opção relaciona os resultados observados a uma resposta limitada, em vez de propor uma proibição ampla.

Gabarito comentado: E. O argumento usa os dados do piloto para sustentar uma hipótese sobre o efeito das marcações e propõe uma medida delimitada. A discussão filosófica está em relacionar prevenção de dano à proteção da liberdade, sem tratar qualquer desconforto como justificativa para censurar.

7. Como avaliar dados e depoimentos sobre abordagens policiais sem desqualificar certas vozes?

Em uma audiência, moradores relatam abordagens repetidas em um bairro. A secretaria informa que os roubos caíram 12% no município. Uma organização local apresenta registros de 3.200 abordagens em seis meses: 78% envolveram jovens negros, 4% resultaram em flagrante e parte dos casos não tinha justificativa escrita. Trabalhadores dizem evitar certos trajetos, e comerciantes relatam que deixaram de chamar a polícia por medo de represálias. A organização propõe que a prática produz muitos suspeitos sem evidências sólidas e reduz a cooperação dos moradores. Um vereador afirma que os relatos não contam por serem subjetivos. Por analogia à noção de injustiça epistêmica de Fricker, qual procedimento fortalece a hipótese sem desqualificar sistematicamente certas vozes?

  • ❌ A) Tratar relatos pessoais como prova decisiva e dispensar registros sistemáticos. Isso transforma experiências em conclusão final sem testar a hipótese com evidências comparáveis e verificáveis.
  • ❌ B) Considerar a fala de autoridades mais confiável por definição. O cargo não garante credibilidade epistêmica, e essa postura pode reproduzir descrédito dirigido a certos grupos.
  • ❌ C) Tratar versões divergentes como igualmente válidas, sem critérios. Essa posição evita avaliar os argumentos e impede selecionar evidências pertinentes.
  • ✅ D) Considerar os testemunhos das pessoas afetadas como evidência, cruzá-los com registros e revisar vieses de credibilidade. A triangulação combina fontes e evita descartar relatos por preconceito, construindo uma hipótese que pode ser examinada.
  • ❌ E) Usar apenas estatísticas gerais e descartar relatos individuais. Números agregados não captam necessariamente vieses na produção dos registros nem os efeitos relatados pelos moradores.

Gabarito comentado: D. O procedimento não toma os depoimentos como prova final nem os elimina por serem testemunhos. Cruza registros e relatos, examina como os dados foram produzidos e considera se a atribuição de credibilidade está sendo feita de modo injusto.

8. Qual posição fundamenta a crítica ao compartilhamento de um áudio sobre uma barragem sem verificação?

Em um grupo de mensagens de um bairro ribeirinho, um áudio atribuído a “um funcionário” afirma que uma barragem poderia ceder a qualquer momento e pede evacuação imediata. Parte dos moradores sai às pressas, o trânsito trava e uma ambulância demora a chegar ao posto. No dia seguinte, a Defesa Civil informa que o áudio era antigo e que a inspeção mais recente não indicava risco iminente. Um morador diz que compartilhou “porque era melhor prevenir”. Outra moradora afirma que divulgar uma informação sem checagem transforma boato em certeza e enfraquece a confiança nas orientações oficiais. Que posição filosófica melhor fundamenta a crítica?

  • ❌ A) A credibilidade do mensageiro, por suposta proximidade com a barragem, basta para validar a informação. A origem vaga alegada substitui evidências verificáveis por um apelo indevido à autoridade.
  • ❌ B) A utilidade de evitar um possível dano torna legítimo divulgar uma crença sem prova. Um benefício esperado não é, por si só, justificação epistêmica para espalhar a informação.
  • ❌ C) A verdade se define pelo consenso do grupo que compartilha a mensagem. Popularidade ou repetição não são critérios suficientes de verdade.
  • ❌ D) Diante da incerteza, é preciso suspender todo juízo e evitar qualquer posicionamento. O problema é a falta de verificação e a responsabilidade de agir, não a necessidade de abstenção total.
  • ✅ E) É injustificável aceitar e difundir uma crença pública sem evidências suficientes, ainda que a intenção seja boa. A responsabilidade epistêmica exige que a confiança e a divulgação sejam proporcionais às evidências disponíveis.

Gabarito comentado: E. A intenção de prevenir um risco não transforma uma mensagem sem confirmação em informação confiável. A crítica se dirige à divulgação pública sem respaldo suficiente, que pode causar prejuízos e comprometer a confiança em orientações futuras.

Próximos passos

Depois da correção, peça que cada estudante escolha uma questão e explique por que uma alternativa errada parece plausível, mas não se sustenta diante das fontes apresentadas. Essa retomada ajuda a consolidar a habilidade de comparar argumentos. Você também pode consultar o gerador de provas do GeraProva para organizar avaliações e fazer o cadastro grátis para conhecer a plataforma.

Use as questões como ponto de partida e adapte a aplicação ao percurso da sua turma. O gabarito comentado é um apoio para a discussão; na aula, vale abrir espaço para que os estudantes justifiquem suas leituras com evidências do próprio texto.

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