Moradores de um distrito solicitaram que uma ponte antiga receba o nome de Joana Alves, apresentada como…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Moradores de um distrito solicitaram que uma ponte antiga receba o nome de Joana Alves, apresentada como responsável por sua construção. A comissão local reuniu uma nota de jornal de 1928, que menciona apenas “a senhora encarregada”, depoimentos gravados décadas depois e uma lista de pagamentos com as iniciais J. A. Também encontrou uma carta do empreiteiro afirmando que sua empresa executou a obra. Ao examinar os depoimentos, os integrantes perceberam que todos repetiam um livreto comemorativo publicado em 1960. Os projetos técnicos originais não foram localizados. Antes da cerimônia, a comissão debateu como justificar publicamente a atribuição. Para Descartes, o conhecimento exige evitar aceitar como verdadeiro aquilo que não dispõe de razões suficientes para afastar a dúvida. Avalie, à luz do método cartesiano e das informações do texto, o procedimento que sustenta de modo mais consistente a decisão da comissão.
- A) Tratar a ausência de plantas como confirmação indireta, pois documentos técnicos raramente registram autoria.
- B) Tratar a repetição dos depoimentos como prova suficiente, pois diferentes pessoas confirmam a mesma narrativa.
- C) Tratar a homenagem planejada como prova pública, pois a decisão coletiva valida a narrativa histórica.
- D) Tratar a atribuição como provisória, verificar a dependência entre fontes e buscar registros independentes.
- E) Tratar a carta do empreiteiro como prova conclusiva, pois ela foi produzida mais perto dos fatos.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique a exigência cartesiana: só se deve aceitar como verdadeiro o que tenha razões suficientes para afastar a dúvida. Passo 2: Analise as fontes do texto. A nota de 1928 não nomeia a responsável, apenas fala em 'a senhora encarregada'. A lista de pagamentos traz somente as iniciais J. A., que não identificam ninguém com certeza. A carta do empreiteiro é interessada, pois defende a autoria da própria empresa. Os depoimentos parecem repetir o livreto de 1960, ou seja, não são fontes independentes. As plantas originais não foram localizadas, então não há registro técnico direto. Passo 3: Verifique a alternativa D: ela trata a atribuição como provisória, coerente com a dúvida metódica, investiga a dependência entre as fontes (os depoimentos derivam do mesmo livreto) e busca registros independentes (plantas, pagamentos nominais, outras fontes), que é o caminho para obter razões suficientes. Passo 4: Por que as outras estão erradas: A) a ausência de plantas não confirma nada, é um vazio que deve ser tratado como dúvida e não como prova. B) a repetição não é independente, pois todos citam o mesmo livreto, e somar cópias de uma mesma narrativa não gera confirmação. C) a homenagem e a decisão coletiva são fatos sociais que não garantem verdade histórica, e Descartes exige razões, não consenso. E) a proximidade temporal não basta, pois o empreiteiro tem interesse em afirmar a autoria e sua carta é uma única fonte, sem verificação independente. Passo 5: Conclusão: a alternativa D é a única que aplica a dúvida metódica e a busca de evidências independentes, por isso sustenta de modo mais consistente a decisão da comissão. Minha resolução coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise as evidências e aplique o método cartesiano para avaliar a justificativa da comissão.
Alternativa por alternativa
Acredita que a falta de documentos técnicos é indício a favor da autoria, como se o silêncio das plantas confirmasse a atribuição.
Confunde quantidade com independência: não percebe que os depoentes repetem o mesmo livreto de 1960, logo a concordância não vem de fontes separadas.
Acredita que a aprovação pública e a homenagem tornam a narrativa verdadeira, confundindo legitimidade social com verdade histórica.
A medida reconhece limites das evidências disponíveis e busca corroboração autônoma, evitando aceitar uma conclusão sem razões suficientes.
Supõe que a proximidade temporal garante veracidade e não percebe o interesse do empreiteiro em afirmar a autoria da própria empresa.
Raio-X da questão
método cartesiano e dúvida
diagnostico
método cartesiano básico · raciocínio crítico
estude o método cartesiano e a importância da dúvida na construção do conhecimento
Aceitar informações sem questionar a falta de evidências suficientes ou repetir fontes não confiáveis.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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