Curadores de um museu municipal examinam, em um caso fictício, a autoria de um manifesto operário sem…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Curadores de um museu municipal examinam, em um caso fictício, a autoria de um manifesto operário sem assinatura, atribuído a Amélia Duarte. Um jornal de 1932 publicou trechos do texto, mas preservou o anonimato. Uma carta de 1935, escrita por um colega, relata que Amélia lhe mostrou “um rascunho sobre as condições da fábrica”, sem identificar o documento. Já o registro de doação, preenchido em 1970 por um sobrinho, denomina o manuscrito como “Manifesto de Amélia”. Não foram localizados outros exemplares, nem menções contemporâneas que vinculem diretamente seu nome ao texto. O museu pretende apresentar a atribuição ao público sem converter indícios de diferentes pesos em uma certeza histórica. Analise as evidências apresentadas e aplique o falibilismo de Karl Popper para identificar o procedimento mais consistente na defesa pública dessa atribuição.
- A) Tratar a autoria como conjectura provisória e buscar registros contemporâneos independentes que possam contrariá-la.
- B) Tratar o registro do sobrinho como prova definitiva, por ter acompanhado a transmissão familiar do manuscrito.
- C) Tratar a publicação anônima como confirmação da autoria, pois o texto circulava no período indicado.
- D) Tratar os três documentos como evidências equivalentes, somando-os para estabelecer a autoria por maioria.
- E) Tratar a ausência de prova conclusiva como razão para abandonar qualquer hipótese sobre a autoria.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique o núcleo da questão. O museu quer defender a atribuição do manifesto a Amélia Duarte sem transformar indícios fracos em certeza. A pergunta pede o procedimento mais consistente, segundo o falibilismo de Karl Popper, para essa defesa pública.
- Analise as evidências com seus pesos. A carta de 1935 menciona um rascunho sobre as condições da fábrica, mas não identifica o documento, então o vínculo é indireto. O jornal de 1932 publicou trechos sem assinatura, portanto não liga o texto a ninguém. O registro de 1970, feito por um sobrinho décadas depois, é uma fonte tardia e interessada, que pode refletir tradição familiar, mas não comprova a autoria. Não há outros exemplares nem menções contemporâneas diretas.
- Aplique o falibilismo de Popper. Para Popper, o conhecimento empírico é sempre conjectural, e uma hipótese ganha força não por acúmulo de confirmações, mas por resistir a tentativas sérias de refutação. Logo, a atribuição deve ser apresentada como conjectura provisória, aberta a testes que possam contrariá-la.
- Confirme a alternativa correta. A alternativa A descreve exatamente esse procedimento: trata a autoria como conjectura provisória e busca registros contemporâneos independentes capazes de contrariá-la. Esse é o gabarito, e concordo com ele.
- Por que as outras estão erradas. B está errada porque um registro familiar tardio não é prova definitiva, por mais que acompanhe a transmissão do manuscrito. C está errada porque um texto anônimo publicado não confirma quem o escreveu. D está errada porque somar documentos de pesos diferentes por maioria não gera certeza, já que a carta e o registro não se referem diretamente ao manifesto. E está errada porque Popper não recomenda abandonar hipóteses por falta de prova conclusiva; hipóteses são testadas e, se resistirem, mantidas provisoriamente.
💡 Dica: Analise as evidências e relacione com o conceito de falibilismo de Popper.
Alternativa por alternativa
Correta. A carta e a doação são indícios limitados; no falibilismo, a hipótese deve permanecer revisável e ser exposta a possíveis refutações.
O aluno supõe que um registro escrito por alguém da família, em 1970, garante a autoria por ter sido transmitido de geração em geração. Não percebe que a fonte é tardia e interessada.
O aluno acredita que, por o texto ter circulado no período, a publicação anônima confirma quem o escreveu. Confunde circulação da obra com identificação do autor.
O aluno pensa que vários documentos somados formam prova cumulativa, por maioria, mesmo que cada um tenha peso diferente e nenhum identifique diretamente o manifesto como de Amélia.
O aluno entende que, se não há prova conclusiva, toda hipótese deve ser descartada. Isso confunde o falibilismo de Popper com ceticismo total, que não é o que o autor propõe.
Raio-X da questão
falibilismo e atribuição histórica
diagnostico
conceito de falibilismo · análise crítica de evidências históricas
estude o falibilismo de Karl Popper e métodos de atribuição histórica
confundir certeza absoluta com probabilidade e ignorar a natureza falível das evidências históricas
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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