— “Isso é só impressão de quem não gosta da polícia”, afirmou um vereador ao ouvir moradores relatarem…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— “Isso é só impressão de quem não gosta da polícia”, afirmou um vereador ao ouvir moradores relatarem abordagens repetidas em um bairro. Na mesma audiência pública, a secretaria de segurança apresentou um dado: “os roubos caíram 12% no município”. Uma organização local levou outro conjunto de informações, obtidas por pedidos de acesso a registros: em 3 200 abordagens registradas em seis meses, 78% envolveram jovens negros; 4% resultaram em flagrante; e em parte dos casos não havia justificativa escrita. Além disso, foram lidos depoimentos de trabalhadores que passaram a evitar certos trajetos e de comerciantes que dizem ter parado de chamar a polícia por medo de represálias. A organização propôs a hipótese de que a prática de abordagens, do modo como está, produz muitos “suspeitos” sem evidências sólidas e reduz a cooperação dos moradores, piorando a qualidade das informações que chegam às autoridades. O vereador sugeriu que relatos “não contam” por serem “subjetivos”. Analise o tratamento dado a dados e depoimentos no texto. Identifique o procedimento que, por analogia à noção de injustiça epistêmica (Fricker), fortalece a hipótese proposta sem desqualificar sistematicamente certas vozes.
- A) Tratar relatos pessoais como prova decisiva e dispensar qualquer registro sistemático
- B) Tratar a fala de autoridades como mais confiável por definição, mesmo sem transparência
- C) Tratar versões divergentes como igualmente válidas, sem critérios de avaliação
- D) Tratar testemunhos afetados como evidência, cruzando-os com registros e revisando vieses de credibilidade
- E) Tratar estatísticas gerais como prova suficiente e descartar relatos individuais
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- A questão pede o procedimento que, por analogia à injustiça epistêmica de Fricker, fortalece a hipótese da organização sem desqualificar sistematicamente certas vozes. Resolvi antes de olhar o gabarito. Passo 2: O texto mostra dois tipos de fonte: a secretaria apresenta um dado geral (queda de 12% nos roubos), e a organização cruza registros (3 200 abordagens, 78% de jovens negros, 4% de flagrantes, falta de justificativa escrita) com depoimentos de moradores, trabalhadores e comerciantes. O vereador, por sua vez, desqualifica os relatos como subjetivos, o que é a própria injustiça epistêmica: uma voz perde credibilidade por preconceito sobre quem fala, e não por seu conteúdo. Passo 3: A alternativa D descreve o movimento correto. Ela trata os testemunhos como evidência legítima, não como opinião descartável, e os confronta com registros formais. Ao revisar os vieses de credibilidade, ela corrige o preconceito que rebaixa certas vozes, sem tomar os relatos como verdade absoluta. Passo 4: A alternativa A está errada porque dispensa registros sistemáticos, enquanto o texto se apoia justamente neles. A alternativa B está errada porque privilegia a autoridade sem transparência, que é o oposto da correção epistêmica. A alternativa C está errada porque põe versões divergentes no mesmo nível sem critérios, o que impede qualquer avaliação. A alternativa E está errada porque descarta relatos individuais, repetindo a exclusão que a hipótese critica. Passo 5: Conclusão: a resposta é D, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise como diferentes tipos de evidências são tratados e qual abordagem evita injustiça epistêmica.
Alternativa por alternativa
Acredita que um relato pessoal, isoladamente, basta como prova definitiva e que registros sistemáticos são dispensáveis. Isso inverte o método do texto, que combina relatos com dados verificáveis.
Supõe que a fala de autoridades é confiável por seu cargo, mesmo sem transparência nos dados. Essa intuição do dia a dia contraria a exigência de checagem que a análise epistêmica pede.
Por que engana: Desconsiderar relatos pessoais ou dar crédito cego a autoridades sem análise crítica.
Confunde pluralidade de vozes com relativismo, achando que todas as versões são equivalentes sem critérios. O texto pede avaliação criteriosa das fontes, não nivelamento.
Atribui credibilidade sem preconceito e triangula depoimentos com dados, compondo argumento testável e mais justo no debate.
Acha que estatísticas gerais são prova suficiente e que relatos individuais podem ser descartados. Não percebe que o dado agregado (queda de 12%) não responde ao problema das abordagens específicas.
Raio-X da questão
injustiça epistêmica e avaliação crítica
diagnostico
interpretação de texto argumentativo · noção de injustiça epistêmica
Estude o conceito de injustiça epistêmica e avaliação crítica de fontes e testemunhos.
Desconsiderar relatos pessoais ou dar crédito cego a autoridades sem análise crítica.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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