— A maquete parece a mesma do caderno de Helena, mas a notícia da época credita a obra ao arquiteto — observou…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— A maquete parece a mesma do caderno de Helena, mas a notícia da época credita a obra ao arquiteto — observou a pesquisadora do museu. Durante a revisão da autoria de uma escultura instalada em praça pública, foram localizados dois bilhetes do arquiteto mencionando que Helena reformulou a composição e as dimensões da peça. Um caderno assinado por ela contém esboços muito próximos da obra final, e uma fotografia mostra a artista ao lado da maquete. O contrato, porém, registra apenas o escritório de arquitetura, enquanto depoimentos de familiares divergem sobre a participação dela. Para Francis Bacon, hipóteses devem ser examinadas por observações variadas, evitando que preferências iniciais determinem a conclusão. Analise o conjunto de indícios e a orientação epistemológica apresentada. Identifique a tese que o museu pode sustentar de modo mais consistente no catálogo da exposição.
- A) Sustentar a autoria indicada pelos familiares, pois a memória oral dispensa confirmação por documentos.
- B) Sustentar a impossibilidade de atribuição, pois fontes divergentes anulam todos os indícios disponíveis.
- C) Sustentar a autoria exclusiva do arquiteto, pois a notícia contemporânea prevalece sobre fontes particulares.
- D) Sustentar a autoria exclusiva de Helena, pois seus esboços eliminam o valor dos demais registros.
- E) Sustentar a coautoria provisória de Helena, pela convergência documental, mantendo a conclusão aberta a novos achados.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Resolvi a questão sem partir do gabarito. Os indícios favoráveis a Helena são: os bilhetes do arquiteto dizendo que ela reformulou a composição e as dimensões da peça, o caderno assinado por ela com esboços muito próximos da obra final e a fotografia dela ao lado da maquete. Os indícios contrários são: o contrato registra apenas o escritório de arquitetura, a notícia da época credita a obra ao arquiteto e os depoimentos familiares divergem.
- Nenhum indício isolado resolve a questão, mas a convergência entre bilhetes, esboços e fotografia aponta para uma participação relevante de Helena. Ao mesmo tempo, o contrato e a notícia não a excluem, e não há prova decisiva de autoria exclusiva dela. Logo, a tese mais bem sustentada é a coautoria, tratada como provisória.
- A orientação de Francis Bacon pede que hipóteses sejam testadas por observações variadas e que preferências iniciais não determinem a conclusão. Assim, o catálogo deve apresentar a coautoria como conclusão atual, aberta a novos achados.
- Por que as outras estão erradas: a alternativa A ignora os documentos e dá valor absoluto à memória oral, contrariando a exigência de observações variadas. A alternativa B trata fontes divergentes como anulação total, quando a convergência de indícios permite uma conclusão provisória. A alternativa C supõe que a notícia contemporânea prevalece automaticamente, mas ela própria é contraditada pelos bilhetes do arquiteto. A alternativa D declara autoria exclusiva, o que os documentos não sustentam, já que o contrato e a notícia citam o arquiteto.
- Conclusão: a coautoria provisória de Helena, apoiada na convergência documental e com a conclusão mantida aberta, é a tese que o museu pode defender de modo mais consistente.
💡 Dica: Analise os indícios e relacione com a orientação epistemológica para identificar a tese mais consistente.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que depoimentos orais têm peso decisivo e dispensam confirmação documental, ignorando os bilhetes, o caderno e o contrato.
O aluno entende que divergência entre fontes invalida todos os indícios, sem perceber que a convergência entre bilhetes, esboços e fotografia permite uma conclusão provisória.
O aluno supõe que a notícia da época tem autoridade superior a outras fontes, sem avaliar que ela pode estar errada e que os bilhetes do próprio arquiteto a contradizem.
O aluno considera que os esboços de Helena eliminam qualquer outro registro e conclui pela autoria exclusiva, sem reparar que o contrato e a notícia ainda citam o arquiteto.
Correta. A convergência de fontes independentes sustenta indutivamente a participação autoral de Helena, sem transformá-la em certeza definitiva.
Raio-X da questão
análise epistemológica de autoria
diagnostico
interpretação de textos complexos · análise crítica de fontes históricas
estudo de evidências e método científico na pesquisa histórica
Confundir opinião pessoal com evidência científica ou ignorar a necessidade de múltiplas observações para sustentar uma tese.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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