Atividades de Apreciação e réplica para o 9º ano com gabarito
Reuni questões de Apreciação e réplica para o 9º ano com gabarito comentado e sugestões de trabalho em sala. O foco está na leitura de opiniões, propósitos e recursos expressivos em textos sobre arte e participação social.
Quando trabalho Apreciação e réplica com uma turma de 9º ano, procuro aproximar a leitura de situações em que os estudantes precisam reconhecer uma opinião, entender como ela é construída e avaliar se uma resposta realmente conversa com o texto. Não basta localizar uma palavra ou escolher a alternativa que parece mais familiar: é preciso distinguir a ideia central de um detalhe e perceber quando um texto valoriza, critica ou apresenta uma prática social.
Os textos desta sequência tratam de intervenções artísticas comunitárias, grafite e batalhas de rap. São bons pontos de partida para conversar sobre expressão, diálogo e participação, sem deixar de lado o trabalho de leitura. A seguir, organizo as habilidades, os conhecimentos necessários, alguns erros recorrentes e sete questões com comentários que ajudam a tornar o raciocínio visível para a turma.
O que o aluno de 9º ano precisa saber sobre Apreciação e réplica
No 9º ano, o aluno precisa compreender que apreciar um texto ou uma prática cultural envolve interpretar o que é apresentado e reconhecer avaliações, argumentos e escolhas de linguagem; não significa apenas dizer que gostou ou não gostou. Ao ler textos sobre grafite, murais ou batalhas de rap, deve localizar a posição assumida, relacioná-la às informações do texto e distinguir a finalidade principal de consequências ou detalhes. Também precisa observar marcas de avaliação, como adjetivos valorativos, e compreender recursos expressivos, como uma analogia. A réplica, por sua vez, exige responder a uma ideia de modo pertinente: a resposta deve retomar o assunto e dialogar com o ponto de vista apresentado, em vez de contradizê-lo por engano ou deslocar a conversa para um aspecto secundário. Nas questões desta sequência, esse trabalho aparece ao identificar propósitos, interpretar posicionamentos e comparar situações análogas. O estudante demonstra compreensão quando justifica a escolha com elementos do texto, e não apenas com uma impressão pessoal.
O que ele precisa saber antes
As questões mobilizam conhecimentos que vale retomar antes de aplicar a atividade. O primeiro é a interpretação de texto: acompanhar as informações explícitas, perceber como elas se relacionam e voltar ao trecho quando uma alternativa apresenta uma afirmação duvidosa. Também é importante identificar opinião e propósito. Uma descrição de quem participou de uma ação, por exemplo, não é necessariamente a opinião do autor sobre essa ação. Da mesma forma, uma consequência mencionada no texto não é automaticamente a estratégia de comunicação usada.
Outro pré-requisito é reconhecer recursos linguísticos de opinião, como termos valorativos, e compreender a função social da arte urbana tal como aparece no texto lido. Para as questões com analogia, convém revisar a comparação entre elementos e o sentido figurado: chamar as batalhas de rap de “pulso cultural” não é descrevê-las como atividade médica ou mero entretenimento, mas destacar sua capacidade de conectar vozes e participação social. Não é preciso partir de uma opinião prévia sobre grafite. O que conta na resolução é interpretar a posição apresentada no material.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente é confundir a opinião do autor com crítica ou indiferença e não perceber que o texto valoriza a intervenção artística. Isso pode levar a escolhas que reduzem uma iniciativa comunitária a decoração, vandalismo ou atividade exclusiva de um grupo. Para intervir, peço que a turma sublinhe os objetivos mencionados e compare cada alternativa com o conjunto do texto, não apenas com uma palavra isolada.
Outro ponto de atenção é selecionar um elemento verdadeiro, mas secundário, como se ele resumisse o propósito principal. Um texto pode mencionar debates nas redes, atração de visitantes ou ausência de autorização; ainda assim, a pergunta pode pedir a estratégia comunicativa ou a finalidade da ação. Também ocorre a confusão entre avaliação e informação neutra: termos como “revigorante” e “inspirador” expressam apreciação, não estatísticas ou descrição técnica.
Nas questões de analogia, o distrator mais provável indicado para a questão das batalhas de rap é interpretar a prática como simples entretenimento, ignorando a mobilização e o pertencimento descritos. Já na questão sobre a pintura comunitária, a alternativa A pode atrair quem lê rapidamente por citar produções visuais, mas ela afirma que as imagens substituem as histórias, enquanto o texto diz que a ação registra memórias e aproxima gerações. Vale fazer a turma explicar por que uma opção parece plausível e qual detalhe do texto a torna inadequada.
Como trabalhar em sala
- Leitura com marcações: distribua o texto e peça que os alunos grifem em cores diferentes as informações, as avaliações e os objetivos. Depois, conversem sobre o que cada marcação permite afirmar.
- Alternativas em confronto: antes de revelar o gabarito, cada dupla escolhe uma resposta e aponta uma evidência textual. Em seguida, identifica por que pelo menos um distrator é convincente à primeira vista, mas não responde ao comando.
- Reescrita de slogans: após a questão sobre o projeto de pintura comunitária, peça que os grupos criem um slogan coerente com o texto. A turma verifica se a frase preserva o caráter coletivo e não reduz a ação a um aspecto secundário.
- Caça às marcas de opinião: use o texto sobre as pinturas no centro histórico para localizar adjetivos avaliativos. Depois, compare como a interpretação mudaria se esses termos fossem substituídos por descrições neutras.
- Analogia em palavras próprias: para a questão sobre rap, os alunos explicam a comparação sem repetir a frase original. Esse passo ajuda a verificar se entenderam a relação entre expressão cultural, conexão de vozes e diálogo público.
Essas propostas não exigem materiais especiais: texto impresso ou projetado, caderno e conversa orientada são suficientes. Também permitem ajustar o ritmo. Se a turma ainda está se habituando a justificar respostas, trabalhe primeiro com uma questão por vez; se já consegue citar evidências, proponha que compare alternativas e formule uma réplica respeitosa ao ponto de vista apresentado.
Questões prontas de Apreciação e réplica para o 9º ano (com gabarito comentado)
As questões a seguir podem ser usadas em uma atividade diagnóstica, em uma revisão ou como parte de uma avaliação. Sugiro pedir aos alunos que registrem não só a letra escolhida, mas também a pista textual que sustentou a resposta. Assim, o gabarito comentado vira uma oportunidade de discutir leitura, e não apenas de conferir acertos.
Questão 1 — Qual posição o autor assume sobre intervenções artísticas comunitárias?
Em uma praça de uma cidade brasileira, o Coletivo Canto Livre organizou uma pintura colaborativa no muro central. A ação reuniu 45 participantes, entre jovens e moradores mais velhos, que produziram grafites, fotografias e painéis com histórias de familiares. Sem patrocínio oficial, o projeto buscou transformar um muro sem uso em uma galeria a céu aberto, aproximar diferentes gerações, valorizar memórias da comunidade e estimular o sentimento de pertencimento ao espaço público.
- ❌ A) A valorização dessas intervenções como substituição das histórias comunitárias por produções visuais. O texto diz que as produções visuais dialogam com relatos e registram histórias; não as substituem.
- ❌ B) A valorização como registro exclusivo das memórias dos moradores mais velhos. Jovens e moradores mais velhos participam; a memória é construída em diálogo entre gerações.
- ✅ C) A valorização dessas intervenções como forma de fortalecer laços sociais. A aproximação entre gerações, a valorização da memória e o pertencimento sustentam essa leitura.
- ❌ D) A valorização como atividade destinada principalmente aos jovens. A proposta reúne diferentes idades e não atribui centralidade exclusiva aos jovens.
- ❌ E) A valorização como recurso voltado apenas ao embelezamento do espaço público. Essa opção ignora as finalidades sociais e culturais apresentadas no texto.
Gabarito comentado: C. Para chegar à resposta, é preciso reunir os objetivos da iniciativa, e não se fixar apenas na transformação visual do muro.
Questão 2 — Qual slogan sintetiza o propósito dos jovens?
Em uma pesquisa realizada com jovens de um bairro periférico, 47% declararam ter participado, no último mês, de um projeto comunitário de pintura de muros. A iniciativa foi organizada para criar espaços de diálogo e fortalecer o sentimento de pertencimento à comunidade. Durante a atividade, uma estudante afirmou: “Queríamos transformar paredes em um canal de expressão, onde cada traço contasse nossa história”. Os organizadores também destacaram que o grafite, embora muitas vezes associado ao vandalismo, pode funcionar como instrumento de participação cultural não institucionalizada, aproximando moradores e estimulando a reflexão sobre problemas locais.
- ✅ A) Use o grafite para dar voz à comunidade. A formulação sintetiza expressão coletiva, diálogo, participação cultural e pertencimento.
- ❌ B) Use o grafite para denunciar somente problemas locais. A reflexão sobre problemas aparece no texto, mas não é a única finalidade da iniciativa.
- ❌ C) Use o grafite para institucionalizar a participação cultural. O texto descreve a participação como não institucionalizada, portanto a alternativa inverte essa informação.
- ❌ D) Use o grafite para substituir o diálogo entre moradores. A atividade busca criar espaços de diálogo, não eliminar a conversa.
- ❌ E) Use o grafite para expressar apenas histórias individuais. A estudante fala de uma história compartilhada e o projeto envolve a comunidade.
Gabarito comentado: A. O slogan mais adequado abrange o propósito coletivo sem restringi-lo a uma consequência ou a um tema específico. Convide os alunos a explicar como a frase dialoga com a fala da estudante.
Questão 3 — Como a arte urbana aparece como prática de participação social?
Quem pensa que um muro abandonado não pode se transformar em espaço de diálogo comunitário precisa revisitar o exemplo da Vila Nova. Lá, moradores e artistas locais uniram esforços para pintar murais sobre igualdade de gênero e preservação ambiental. Em uma publicação, a artista Lia Souza afirmou: “Para mim, a arte urbana é voz de quem não tem palanque, convite ao diálogo e à reflexão sobre questões que afetam a todos.”
- ❌ A) Prática restrita a artistas profissionais, sem participação popular. O exemplo destaca moradores e artistas locais trabalhando juntos.
- ❌ B) Método de divulgação institucional de pautas governamentais. A ação é comunitária e o texto não a apresenta como iniciativa governamental.
- ❌ C) Ato de vandalismo que impõe opinião sem debate. A fala de Lia destaca diálogo e reflexão, não imposição.
- ✅ D) Prática que dá voz a quem não tem palanque e incentiva o diálogo comunitário. A alternativa retoma diretamente a perspectiva expressa na fala da artista.
- ❌ E) Expressão puramente estética, sem relação com questões sociais. Os murais abordam questões sociais e ambientais, o que contradiz essa leitura.
Gabarito comentado: D. A turma deve conectar a metáfora “voz de quem não tem palanque” à possibilidade de participação e relacioná-la ao diálogo mencionado no texto.
Questão 4 — Como o autor expressa seu posicionamento sobre as intervenções?
Moradores e visitantes relatam que as intervenções de grafite no centro histórico expressam críticas sociais, homenageiam lideranças comunitárias e provocam debates sobre patrimônio e liberdade de expressão. Em relatos nas redes, circulam termos elogiosos como “revigorante” e “inspirador” para descrever as pinturas, enquanto algumas vozes ainda consideram o grafite um ato de desordem. Jovens artistas defenderam a ação como forma legítima de participação cidadã.
- ✅ A) Uso de adjetivos valorizadores que indicam avaliação positiva das pinturas. “Revigorante” e “inspirador” revelam apreciação favorável.
- ❌ B) Apresentação de estatísticas sobre danos ao patrimônio para reprovar as pinturas. O trecho não apresenta estatísticas de danos.
- ❌ C) Uso de verbos no imperativo que incentivam a repressão. Não há ordens ou apelos desse tipo no texto.
- ❌ D) Omissão de juízos de valor e apresentação apenas de descontentamento. Há termos explicitamente elogiosos, além de vozes críticas.
- ❌ E) Emprego de termos técnicos em descrição neutra do processo de pintura. O foco está nas avaliações e nos sentidos sociais, não em jargão técnico.
Gabarito comentado: A. Esta questão permite revisar a diferença entre uma descrição objetiva e uma avaliação. Peça que os alunos localizem as palavras que justificam a resposta.
Questão 5 — Qual estratégia comunicativa o coletivo emprega?
“A parede fala por nós”, escreveu o coletivo UrbanoVoz em um trecho de grafite no Centro da cidade. Muros exibem poemas críticos sobre o aquecimento global, acompanhados das hashtags #ClimaJusto e #VerdeAgora. As obras atraem turistas e ativistas e provocam debates nas redes sociais sobre o papel da arte de rua no protesto e no engajamento coletivo.
- ❌ A) Realizar intervenções sem autorização oficial para contestar decisões do poder público. A condição de autorização não explica a estratégia usada para comunicar a posição sobre o clima.
- ❌ B) Atrair turistas e ativistas para ampliar a circulação das obras. Isso é apresentado como resultado da ação, não como recurso central da mensagem.
- ❌ C) Exibir muitas obras em diferentes muros. Quantidade e localização caracterizam a dimensão da iniciativa, mas não a forma de construir a mensagem.
- ✅ D) Utilizar poemas críticos em muros, associados a hashtags, para estimular o engajamento coletivo. A alternativa reúne os recursos artísticos e digitais mencionados.
- ❌ E) Provocar debates nas redes sobre o papel da arte de rua. Os debates aparecem como repercussão; a estratégia descrita combina poemas e hashtags.
Gabarito comentado: D. É importante diferenciar os meios empregados da repercussão que eles podem produzir. As hashtags ampliam a circulação da mensagem, enquanto os poemas apresentam a crítica nos muros.
Questão 6 — Que comparação é feita sobre as batalhas de rap?
Uma pesquisadora explica que as batalhas de rap são espaços informais de expressão e mobilização social. Nelas, jovens denunciam desigualdades, narram sua realidade e criam repertório coletivo. Ela afirma que podemos enxergá-las como “um pulso cultural que conecta vozes marginalizadas ao diálogo público”, reforçando pertencimento e cidadania.
- ✅ A) Batalhas de rap são comparadas a um pulso cultural que conecta vozes marginalizadas ao diálogo público. A alternativa recupera a analogia e sua função social no trecho.
- ❌ B) Batalhas de rap são palestras acadêmicas sobre cultura popular. O texto caracteriza esses encontros como espaços informais, não como palestras.
- ❌ C) São simples entretenimento sem propósito coletivo. A pesquisadora menciona mobilização, denúncia, repertório coletivo e cidadania.
- ❌ D) São manifestações organizadas por instituições formais. O texto destaca o caráter informal das batalhas.
- ❌ E) São eventos artísticos sem influência social. Essa opção contraria a ligação explícita com desigualdades e diálogo público.
Gabarito comentado: A. “Pulso cultural” é uma comparação figurada que destaca movimento e conexão entre vozes. Não se deve interpretar a expressão como sinônimo de entretenimento vazio.
Questão 7 — Qual situação expressa de modo análogo a função da arte urbana?
O Coletivo Cinco Sentidos cobre muros abandonados com murais que discutem saúde mental e convivência comunitária. Para seus integrantes, a rua torna-se espaço de debate público, onde cada pincelada representa uma voz que não encontra eco em instituições formais. A ação é apresentada como convite à reflexão coletiva e como plataforma de diálogo e engajamento.
- ❌ A) Expor pinturas em galerias para elevar o prestígio dos artistas locais. A alternativa desloca a ação para uma instituição formal e enfatiza prestígio, não diálogo comunitário.
- ❌ B) Produzir documentários sobre o cotidiano dos grafiteiros em ateliês. O cenário fechado não reproduz a ocupação do espaço urbano descrita.
- ✅ C) Transformar praças em palcos improvisados para estimular a participação dos moradores. A proposta também usa o espaço público como convite à participação coletiva.
- ❌ D) Criar oficinas em centros culturais para ensinar técnicas a jovens. Pode ser uma atividade artística, mas não corresponde à intervenção de rua e ao debate público do texto.
- ❌ E) Enaltecer festivais de música para que todos apreciem eventos oficiais. A alternativa se concentra em eventos formais, ao passo que o texto valoriza a expressão no espaço público.
Gabarito comentado: C. Para responder por analogia, o aluno precisa encontrar uma situação diferente que preserve a relação essencial: arte em espaço público, expressão de vozes e incentivo ao envolvimento comunitário.
Para fechar: da leitura à próxima prova
Ao corrigir, volte aos trechos que comprovam cada resposta e peça que os alunos expliquem o que torna os distratores inadequados. Esse hábito fortalece a leitura crítica e prepara a turma para reconhecer opiniões, estratégias e recursos expressivos em novos textos. Você também pode consultar as questões da habilidade EF69LP21 e as questões da habilidade EF69LP37 para ampliar a prática. Para montar uma avaliação com outros conteúdos, experimente o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.
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