Em uma escola pública, estudantes organizaram uma exposição sobre cerâmicas produzidas há décadas por artesãs…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Apropriar-se do patrimônio artístico de diferentes tempos e lugares, compreendendo a sua diversidade, bem como os processos de legitimação das manifestações artísticas na sociedade, desenvolvendo visão crítica e histórica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma escola pública, estudantes organizaram uma exposição sobre cerâmicas produzidas há décadas por artesãs de uma comunidade vizinha. As peças são usadas em festas, guardam símbolos da história local e são ensinadas entre gerações. Durante a pesquisa, a turma percebeu que um catálogo antigo de um museu classificava essas produções apenas como objetos decorativos, enquanto as artesãs defendiam que elas expressam conhecimentos, memórias e valores coletivos. A exposição passou a apresentar as peças, os relatos das produtoras e os debates sobre sua classificação. Considerando a situação apresentada, qual análise explica melhor o processo de reconhecimento dessas cerâmicas como patrimônio artístico?
- A) O reconhecimento é definido de modo permanente pela classificação apresentada anteriormente pelo museu.
- B) O reconhecimento depende principalmente da aparência das peças e do uso de materiais considerados nobres.
- C) O reconhecimento depende de disputas históricas e sociais nas quais comunidades e instituições atribuem valor artístico e cultural às produções.
- D) O reconhecimento ocorreu automaticamente quando a escola colocou as peças em uma exposição.
- E) O reconhecimento exige que as peças deixem de ser usadas nas festas e passem a ter apenas função de exposição.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve cerâmicas usadas em festas, carregadas de símbolos e saberes transmitidos entre gerações, que um catálogo de museu tratava apenas como objetos decorativos, enquanto as artesãs afirmavam que elas expressam conhecimentos, memórias e valores coletivos. Essa divergência é o ponto central da questão.
- Resolvendo por conta própria, o reconhecimento de algo como patrimônio artístico não é um fato natural nem automático: ele resulta de processos de valoração, nos quais grupos sociais, comunidades e instituições disputam quais produções merecem ser consideradas arte e patrimônio, e com quais critérios.
- A alternativa C descreve exatamente isso, ao afirmar que o reconhecimento depende de disputas históricas e sociais em que comunidades e instituições atribuem valor artístico e cultural às produções. A exposição, ao apresentar peças, relatos e debates sobre a classificação, ilustra justamente esse processo.
- A alternativa A está errada, pois trata a classificação do museu como definitiva, quando o próprio caso mostra que ela é questionada. A alternativa B está errada, pois reduz o reconhecimento à aparência e ao material, desconsiderando o valor simbólico e social. A alternativa D está errada, pois a simples exposição escolar não confere reconhecimento automático. A alternativa E está errada, pois exigir o fim do uso festivo contraria a própria ideia de patrimônio vivo defendida pelas artesãs.
- Portanto, o gabarito oficial C está correto e coincide com a conclusão da análise.
💡 Dica: refletir sobre o processo histórico e social de legitimação
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a primeira classificação feita por uma instituição, como o catálogo do museu, é final e não pode ser contestada por outros grupos.
O aluno associa valor artístico à aparência visual e ao uso de materiais considerados nobres, ignorando o significado social e cultural das peças.
A situação mostra que o valor das cerâmicas não é definido apenas por sua aparência ou função. Ele é construído por práticas comunitárias, memórias, instituições e debates sobre quem legitima uma manifestação como artística e patrimonial.
O aluno entende que expor um objeto em um evento escolar já é suficiente para torná-lo patrimônio, sem considerar o processo de debate e valoração.
O aluno supõe que, para ser reconhecida como arte ou patrimônio, a peça precisa deixar de ter uso ritual ou festivo, confundindo patrimônio com objeto de museu isolado.
Por que engana: confundir exposição com reconhecimento automático
Raio-X da questão
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