— Moça, o senhor que está presidindo anotou o que eu disse? — perguntou Dona Cida, depois de relatar que o…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Moça, o senhor que está presidindo anotou o que eu disse? — perguntou Dona Cida, depois de relatar que o caminhão de lixo passa de madrugada e acorda as crianças. Na reunião sobre a instalação de uma estação de transbordo no bairro, moradores levaram fotos, horários e relatos de cheiro forte. Um representante da empresa respondeu com termos técnicos e, ao final, comentou que “a discussão está ficando emocional”. No resumo publicado no site da prefeitura, as falas dos moradores apareceram como “impressões”, enquanto as da empresa foram registradas como “evidências”. Alguns participantes justificaram a diferença dizendo que “quem não estudou não sabe argumentar” e que, por isso, “é normal” que a decisão siga apenas os especialistas. Após a reunião, um grupo do bairro propôs regras para a próxima audiência, para evitar que certas vozes sejam desconsideradas desde o início. Com base no texto, deduza qual regra para a próxima audiência expressa melhor uma crítica filosófica à desvalorização de certos depoimentos, desnaturalizando o preconceito presente na reunião.
- A) Substituir falas por enquetes on-line, pois a maioria numérica evita conflitos entre grupos com interesses distintos.
- B) Garantir igual credibilidade inicial às falas, exigindo justificativas para desconfiar de alguém pela origem social.
- C) Manter a palavra final com especialistas, pois decisões técnicas não devem ser influenciadas por relatos pessoais.
- D) Restringir o microfone a representantes cadastrados, pois a formalização impede interrupções e melhora o debate.
- E) Exigir que moradores usem linguagem técnica padronizada, pois só assim suas contribuições serão consideradas racionais.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O texto mostra uma desvalorização de depoimentos de moradores: suas falas viram "impressões", enquanto as da empresa viram "evidências", e a justificativa é que "quem não estudou não sabe argumentar". Isso é um preconceito baseado na origem social e na escolaridade, naturalizado como se fosse algo normal.
- A pergunta pede a regra que critica filosoficamente essa desvalorização, desnaturalizando o preconceito. A regra deve exigir que todos os depoimentos partam da mesma credibilidade inicial e que a desconfiança precise ser justificada com razões, e não com base em quem fala.
- A alternativa B expressa exatamente isso: garante igual credibilidade inicial às falas e exige justificativas para desconfiar de alguém pela origem social. Assim, a desconsideração não pode ocorrer automaticamente, antes de qualquer análise do conteúdo.
- A alternativa A está errada, pois substitui a argumentação por contagem de votos, o que não corrige a desvalorização de vozes minoritárias e não trata do preconceito.
- A alternativa C está errada, pois reforça exatamente o preconceito criticado, ao manter a palavra final com especialistas e excluir relatos pessoais.
- A alternativa D está errada, pois restringir o microfone a cadastrados apenas organiza a fala e não questiona a desvalorização de depoimentos de moradores.
- A alternativa E está errada, pois exige que moradores falem como técnicos para serem levados a sério, o que repete o preconceito de que só a linguagem erudita é racional.
- Conclusão: a resposta correta é a B, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o texto para identificar a crítica filosófica sobre preconceitos em debates públicos.
Alternativa por alternativa
Acredita que a maioria numérica resolve a desvalorização, como se contar opiniões fosse o mesmo que avaliar a validade dos argumentos.
Combate a desautorização por estigma: aproxima-se da injustiça epistêmica (Fricker), avaliando razões sem hierarquia social prévia.
Entende que a formação técnica dá superioridade automática à palavra e que relatos pessoais não têm valor de prova, justamente o preconceito que o texto critica.
Foca na ordem e na organização do debate, tomando a formalização como solução, sem perceber que o problema central é a desconsideração de certos depoimentos.
Considera que a fala só é racional se usar linguagem técnica, confundindo forma de expressão com validade do argumento e reforçando o preconceito contra quem não estudou.
Raio-X da questão
preconceito em debates públicos
diagnostico
interpretação de texto filosófico · crítica social e ética
estude conceitos de argumentação e preconceito epistemico
Confundir opiniões pessoais com argumentos válidos e não reconhecer preconceitos implícitos.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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