Em um levantamento fictício feito por uma rede de cafeterias, parte dos gerentes relatou “evitar perfis que…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em um levantamento fictício feito por uma rede de cafeterias, parte dos gerentes relatou “evitar perfis que possam causar estranhamento” para manter a “imagem da marca”. No processo seletivo de uma unidade, a candidata com melhor desempenho nos testes técnicos usa um turbante e fala com sotaque de outra região. Ao fim da entrevista, o gerente comenta com a supervisora: “Ela é competente, mas o cliente é exigente; melhor escolher alguém que combine mais com o nosso padrão”. Uma atendente que acompanhava a seleção lembra de uma discussão de Filosofia sobre a ideia de dignidade em Kant e pergunta se é justo transformar a preferência do público em critério de contratação, quando isso atinge sempre os mesmos grupos. Analise a justificativa do gerente e identifique a conduta que melhor problematiza a naturalização do preconceito no critério de contratação descrito.
- A) Justificar o “padrão” da marca ao afirmar que a empresa só deve buscar maior lucro possível.
- B) Aceitar o “padrão” da marca ao tratar a preferência do cliente como critério neutro de seleção.
- C) Transferir o problema ao dizer que a candidata deve mudar sua aparência para evitar rejeição.
- D) Encerrar o debate ao afirmar que a decisão é aceitável se não houver lei específica proibindo.
- E) Questionar o “padrão” da marca ao recusar reduzir pessoas a instrumentos de aceitação do cliente.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve um caso de discriminação no processo seletivo. A candidata mais competente nos testes é preterida por usar turbante e falar com sotaque de outra região, e o gerente justifica isso com a preferência do cliente e o 'padrão' da marca. A atendente questiona se é justo transformar a preferência do público em critério de contratação, sobretudo quando isso atinge sempre os mesmos grupos.
- Pergunta-se qual conduta problematiza a naturalização do preconceito. Isso exige uma postura crítica que não aceite o 'padrão' como algo neutro e que reconheça pessoas como fins em si mesmas, não como meios para agradar clientes. Essa é a ideia kantiana de dignidade lembrada pela atendente: o ser humano não tem preço nem valor de instrumento.
- A alternativa E questiona o 'padrão' da marca e recusa reduzir pessoas a instrumentos de aceitação do cliente. Ela desnaturaliza o critério discriminatório e assume uma posição ética coerente com a dignidade humana. Por isso, concluo que E é a correta, em concordância com o gabarito oficial.
- Por que as outras estão erradas. A alternativa A justifica o padrão em nome do lucro máximo, o que reforça a lógica que deveria ser questionada. A alternativa B aceita o padrão como critério neutro, naturalizando o preconceito. A alternativa C transfere a responsabilidade para a candidata, exigindo que ela mude a aparência. A alternativa D encerra o debate ao usar a ausência de lei como justificativa, o que ignora a questão ética.
💡 Dica: Analise a justificativa do gerente e relacione com conceitos de dignidade e preconceito.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a finalidade da empresa, como obter o maior lucro possível, legitima qualquer critério de seleção, inclusive o discriminatório. Não percebe que o lucro não justifica tratar pessoas por características como etnia ou sotaque.
O aluno considera que a preferência do cliente é um dado objetivo e neutro, e não uma construção social que pode carregar preconceito. Assim, aceita o padrão da marca como natural e legítimo.
Por que engana: Confundir aceitar o padrão da marca com uma justificativa ética válida para seleção.
O aluno desloca a responsabilidade do problema para a candidata, supondo que ela deveria se adaptar à aparência esperada. Não identifica que o problema está no critério discriminatório da empresa.
O aluno confunde legalidade com justiça e supõe que, se não há lei proibindo, a decisão é aceitável. Ignora que a discussão envolve dignidade e ética, não apenas o que a lei proíbe expressamente.
Confronta a discriminação travestida de preferência, alinhando-se à ideia kantiana de dignidade: pessoas não são meios para fins comerciais.
Raio-X da questão
preconceito em processos seletivos
diagnostico
conceito de dignidade humana · preconceito e discriminação social
estude conceitos de dignidade humana e preconceito no trabalho
Confundir aceitar o padrão da marca com uma justificativa ética válida para seleção.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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