— “Se todo mundo tem celular e internet, oportunidade não falta; quem permanece pobre é porque não se…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— “Se todo mundo tem celular e internet, oportunidade não falta; quem permanece pobre é porque não se esforça”, escreveu um comentarista. — “Os números não deixam essa ‘igualdade’ tão simples”, respondeu outra pessoa, citando dados ilustrativos inspirados em pesquisas domiciliares. Acesso à internet no domicílio: 1/5 mais pobre 34%; 1/5 mais rico 97%. Conclusão do ensino médio (25+): 1/5 mais pobre 51%; 1/5 mais rico 91%. Trabalho informal (ocupados): 1/5 mais pobre 58%; 1/5 mais rico 12%. A réplica acrescentava que a combinação entre escolaridade desigual e maior informalidade tende a limitar renda, tempo disponível e estabilidade, dificultando transformar “oportunidades” em trajetórias efetivas. Com base nas falas e nos dados do texto, avalie a interpretação filosófica que melhor critica o uso do mérito individual como justificativa para as desigualdades socioeconômicas apresentadas.
- A) Considera o argumento meritocrático como derivação do direito natural à propriedade, na filosofia de Locke.
- B) Considera o argumento meritocrático como expressão de justiça por virtude, nos termos da ética de Aristóteles.
- C) Considera o argumento meritocrático como defesa de autoridade forte para conter conflitos, segundo Hobbes.
- D) Considera o argumento meritocrático como cálculo do maior bem coletivo, conforme o utilitarismo de Bentham.
- E) Considera o argumento meritocrático como ideologia que mascara condições materiais, conforme a crítica de Marx.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O enunciado pede a interpretação filosófica que melhor critica o uso do mérito individual para justificar desigualdades. O ponto central é que a fala do comentarista supõe que todos partem das mesmas condições, e os dados mostram o contrário: o acesso à internet vai de 34% (1/5 mais pobre) a 97% (1/5 mais rico), a conclusão do ensino médio vai de 51% a 91%, e a informalidade é de 58% entre os mais pobres contra 12% entre os mais ricos. Passo 2: A réplica afirma que escolaridade desigual e informalidade limitam renda, tempo e estabilidade, o que impede que 'oportunidades' se transformem em trajetórias reais. Ou seja, a desigualdade aparece como condição material que determina quem consegue usar as oportunidades, e a explicação pelo esforço individual esconde esse fator. Passo 3: A alternativa E descreve exatamente essa operação. Para Marx, ideologia é uma visão que naturaliza ou legitima relações sociais de dominação, apresentando como escolha pessoal aquilo que tem raízes nas condições materiais e na estrutura de classes. Por isso a E é a crítica mais adequada aos dados apresentados. Passo 4: A alternativa A está errada porque Locke fundamenta a propriedade no trabalho, o que não é uma crítica ao mérito, e sim uma justificativa dele. A alternativa B está errada porque Aristóteles trata a justiça como distribuição proporcional à virtude, e não analisa condições materiais que limitam o acesso às oportunidades. A alternativa C está errada porque Hobbes defende a autoridade soberana para conter conflitos, sem discutir o mérito como justificativa de desigualdades. A alternativa D está errada porque o utilitarismo de Bentham calcula o bem coletivo, mas não questiona o mérito individual como critério, e não é uma crítica às condições materiais descritas no texto.
💡 Dica: Analise os dados e relacione-os com a crítica filosófica ao mérito individual.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a meritocracia à propriedade adquirida pelo trabalho individual e acredita que Locke justifica a desigualdade como resultado natural do esforço, sem perceber que o texto pede uma crítica.
O aluno confunde justiça distributiva por mérito com a ideia de virtude de Aristóteles e entende que a meritocracia seria uma expressão da ética aristotélica, sem notar que o texto questiona a premissa de igualdade de condições.
O aluno relaciona a desigualdade com a necessidade de ordem e autoridade, pensando que Hobbes justificaria a meritocracia como forma de conter conflitos, quando o texto trata de condições materiais e não de controle social.
O aluno pensa que todo argumento sobre resultados sociais é utilitarista e que o cálculo do bem coletivo seria uma crítica aos números apresentados, sem perceber que Bentham não discute o mérito individual.
Os indicadores sugerem barreiras estruturais; a crítica marxiana aponta a ideologia que naturaliza desigualdades como se fossem só escolha individual.
Raio-X da questão
desigualdade socioeconômica e mérito
diagnostico
interpretação de dados sociais · crítica social e filosófica
estude desigualdade social e crítica ao mérito individual
confundir mérito individual com fatores estruturais que influenciam desigualdade.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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