Por que uma linha reta pode separar aldeias que falam a mesma língua? Em um catálogo de exposição sobre mapas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que uma linha reta pode separar aldeias que falam a mesma língua? Em um catálogo de exposição sobre mapas coloniais, lê-se que, nas últimas décadas do século XIX, diplomatas europeus passaram a riscar limites sobre paralelos e meridianos para “organizar” áreas de influência no interior africano. O texto relata que, em seguida, empresas privadas receberam concessões para explorar marfim, borracha e minérios, montando postos armados e cobrando tributos. Chefes locais, pressionados por rivais e pela oferta de mercadorias, assinaram acordos redigidos por intérpretes, sem controlar o uso posterior desses documentos. Décadas depois, já no processo de independência, muitos novos governos mantiveram aqueles traçados para evitar guerras imediatas, mesmo quando comunidades ficaram divididas em dois países e rotas de circulação foram interrompidas. Interprete o texto-base e identifique o processo que melhor explica a formação dessa fronteira e a atuação de agentes distintos na ocupação do espaço descrita.
- A) a imposição de limites por negociações externas e concessões econômicas, sobrepondo-se a territorialidades locais
- B) a definição de limites por barreiras naturais, consolidada pelo uso contínuo de rios e montanhas como marcos
- C) a delimitação de limites por alianças e conflitos internos entre clãs, consolidada por acordos comunitários duradouros
- D) a reconfiguração de limites por plebiscitos de autodeterminação, baseados na escolha popular das populações
- E) a formação de limites pela expansão de cidades-Estado africanas, controlando rotas e integrando áreas vizinhas
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Leia o texto-base com atenção. Ele descreve a Partilha da África no fim do século XIX: diplomatas europeus traçaram limites sobre paralelos e meridianos, sem considerar as aldeias e povos que ali viviam.
- Identifique os agentes distintos. Há os diplomatas europeus, que definem os limites; as empresas privadas, que recebem concessões para explorar marfim, borracha e minérios e montam postos armados cobrando tributos; e os chefes locais, que assinam acordos redigidos por intérpretes, pressionados por rivais e pela oferta de mercadorias, sem controlar o uso posterior desses documentos.
- Relacione com a alternativa A. Ela descreve exatamente esse processo: limites impostos por negociações externas e concessões econômicas, sobrepondo-se às territorialidades locais. Isso explica por que uma linha reta separa aldeias de mesma língua.
- Analise as demais alternativas. A alternativa B está errada, pois o texto mostra limites traçados por geometria (paralelos e meridianos), e não por barreiras naturais. A alternativa C está errada, porque os conflitos internos entre clãs não são o motor da delimitação; a fronteira foi imposta de fora. A alternativa D está errada, pois não há plebiscitos no texto; as populações não escolheram os limites. A alternativa E está errada, já que as cidades-Estado africanas não aparecem como agentes na formação da fronteira.
- Conclusão. O processo que melhor explica a formação da fronteira e a atuação dos diferentes agentes é a imposição externa de limites, combinada com a exploração econômica, o que corresponde à alternativa A, em concordância com o gabarito oficial.
💡 Dica: Leia atentamente o texto e relacione os fatos históricos com as alternativas.
Alternativa por alternativa
O texto indica traçados geométricos, diplomacia europeia e concessões a empresas, com chefes locais em posição subordinada; é fronteira imposta de fora.
O aluno supõe que a fronteira natural de rios e montanhas foi o critério de definição, por associar fronteiras a acidentes geográficos comuns em livros didáticos. O texto indica, porém, traçados geométricos sobre paralelos e meridianos.
Por que engana: Confundir limites naturais com limites impostos por negociações externas e interesses econômicos.
O aluno entende que a delimitação nasceu de disputas internas entre clãs e de acordos comunitários. O texto mostra que os acordos foram assinados sob pressão externa e sem controle posterior dos chefes locais.
O aluno associa a formação de fronteiras à independência e imagina que a população decidiu os limites por votação. O texto cita apenas que os novos governos mantiveram os traçados coloniais, sem qualquer consulta popular.
O aluno acredita que cidades-Estado africanas controlaram rotas e expandiram seus territórios, moldando a fronteira. O texto não menciona esses agentes; a iniciativa vem de diplomatas europeus e empresas privadas.
Raio-X da questão
formação de fronteiras coloniais
diagnostico
colonialismo europeu na África · processo de independência africana
estude o processo de colonização e divisão territorial na África
Confundir limites naturais com limites impostos por negociações externas e interesses econômicos.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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