Quando o comboio de “demarcadores” chegou à região dos Sete Povos, no sul da América, a comitiva trazia…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quando o comboio de “demarcadores” chegou à região dos Sete Povos, no sul da América, a comitiva trazia engenheiros, soldados e intérpretes, além de cartas que citavam um novo acordo entre as Coroas ibéricas. Os oficiais diziam que o limite não seria mais “uma linha no papel”, mas deveria seguir o que existia no terreno: estâncias, caminhos e povoados que já funcionavam havia décadas. Missionários tentaram negociar a transferência das reduções e do gado para outro lado do rio, enquanto lideranças guarani recusavam abandonar as casas e os cemitérios. Ao mesmo tempo, alguns estancieiros aproveitaram a incerteza para avançar cercas e reivindicar campos de criação. Entre mapas, medições e conflitos, a fronteira foi sendo desenhada por decisões diplomáticas e por disputas locais. Analise o texto e identifique a interpretação que melhor explica o processo de formação dessa fronteira, considerando critérios de delimitação e a atuação de diferentes agentes históricos.
- A) Predomínio de fronteira delimitada apenas por acidentes naturais, tornando secundárias as disputas por estâncias e povoados.
- B) Predomínio de fronteira decidida por plebiscito entre moradores, reconhecendo autonomia política das reduções sobre o território.
- C) Predomínio de fronteira definida pela ocupação efetiva, formalizada por comissões luso-espanholas e disputada por missões e indígenas.
- D) Predomínio de fronteira traçada por linha geométrica prévia, mantida apesar da ocupação e das negociações realizadas no local.
- E) Predomínio de fronteira imposta por expulsão imediata dos habitantes locais, sem necessidade de acordos entre as Coroas ibéricas.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O texto descreve a demarcação da fronteira na região dos Sete Povos (sul da América, século XVIII, após o Tratado de Madri). A ideia central é que o limite não deveria ser apenas uma linha no papel, mas seguir o que existia no terreno: estâncias, caminhos e povoados já em funcionamento.
- Resolvendo por conta própria, a alternativa que melhor sintetiza o processo é a C: a fronteira foi definida pela ocupação efetiva (o que estava de fato ocupado e em uso), resultou de acordos entre as Coroas ibéricas, materializados em comissões luso-espanholas, e foi disputada na prática por missionários, lideranças guarani e estancieiros.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Ignora o texto, que mostra a ocupação humana e os povoados como critérios, não apenas acidentes naturais.
- B) O texto não menciona plebiscito; as reduções não tinham autonomia política reconhecida sobre o território.
- D) A linha geométrica prévia é contrária ao que o texto afirma, pois a ocupação e as negociações locais alteraram o traçado.
- E) Não há expulsão imediata como processo descrito; o texto menciona acordos diplomáticos entre as Coroas e negociações locais.
- Conclusão: a alternativa C está de acordo com o texto e com o gabarito oficial, que também é C.
💡 Dica: Analise o texto para identificar os agentes e critérios que definiram a fronteira.
Alternativa por alternativa
O aluno pode supor que fronteiras são sempre definidas por rios, montanhas e outros acidentes naturais, desconsiderando o critério de ocupação humana destacado no texto.
O aluno pode imaginar que uma decisão sobre território seria tomada por consulta popular moderna, aplicando ao século XVIII um mecanismo que não existia nesse contexto.
O texto indica limite baseado no que existia no terreno, medido e negociado por comissões, mas tensionado por missionários, guarani e estancieiros.
O aluno pode entender que, uma vez traçada no mapa, a linha se impõe sozinha, ignorando que o texto diz que a ocupação e as disputas locais transformaram o limite.
Por que engana: Confundir fronteira definida por linha geométrica com fronteira definida pela ocupação efetiva e disputas locais.
O aluno pode reduzir o processo a uma conquista violenta, sem perceber que o texto descreve acordos diplomáticos e negociações entre Coroas, missionários e lideranças locais.
Raio-X da questão
formação de fronteiras históricas
avaliacao
colonização ibérica na América · relações diplomáticas entre Coroas
estude processos históricos de delimitação territorial e atuação de agentes locais e diplomáticos
Confundir fronteira definida por linha geométrica com fronteira definida pela ocupação efetiva e disputas locais.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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