Ao entrar em uma exposição sobre a ocupação britânica da Austrália, um visitante lê um painel com duas vozes…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao entrar em uma exposição sobre a ocupação britânica da Austrália, um visitante lê um painel com duas vozes. A primeira, atribuída a um funcionário colonial do século XIX, descreve o interior como “vasto” e “sem uso”, afirmando que a falta de cercas, plantações e casas “fixas” mostraria não haver donos nem limites claros. A segunda voz, reunida em entrevistas com anciãos aborígenes no século XX, relata rotas sazonais de deslocamento, locais de água, áreas de caça e passagens proibidas por regras de parentesco e cerimônias, indicando que diferentes grupos reconheciam zonas de circulação e de restrição. O visitante percebe que o mesmo espaço foi narrado ora como “vazio”, ora como organizado por outras formas de demarcar e pertencer. Interprete o contraste apresentado e identifique a justificativa histórica favorecida quando autoridades coloniais tratavam esse interior como “vazio” e “sem fronteiras”.
- A) Demonstrar que o interior era vazio apenas por ter baixa densidade populacional em padrões europeus
- B) Comprovar que a região era inabitável por barreiras naturais que impediam qualquer circulação humana
- C) Legitimar a apropriação ao negar formas indígenas de territorialidade e de delimitação do espaço
- D) Explicar a ocupação como resultado de um acordo formal com lideranças indígenas reconhecidas
- E) Evidenciar que fronteiras coloniais surgiram para proteger a natureza contra a exploração econômica dos colonos
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O enunciado contrasta duas narrativas sobre o mesmo interior australiano. A primeira, de um funcionário colonial do século XIX, descreve o espaço como vazio e sem uso, pois não há cercas, plantações nem casas fixas. A segunda, baseada em entrevistas com anciãos aborígenes, mostra rotas sazonais, locais de água, áreas de caça e passagens proibidas por regras de parentesco e cerimônias, ou seja, uma organização territorial real.
- A pergunta pede a justificativa histórica favorecida quando autoridades coloniais tratavam o interior como vazio e sem fronteiras. Ao considerar que a ausência de marcas europeias significava ausência de ocupação e de donos, o colonizador ignorava formas indígenas de territorialidade e de delimitação do espaço. Essa negação era o que tornava possível declarar a terra disponível para apropriação.
- Portanto, a alternativa C é a correta, pois legitima a apropriação ao negar formas indígenas de territorialidade e de delimitação. A alternativa A está errada porque a baixa densidade populacional não é o argumento central do enunciado, que trata de limites e pertencimento. A alternativa B está errada porque o texto mostra circulação humana intensa, com rotas e deslocamentos. A alternativa D está errada porque o enunciado não menciona acordos formais, e a ocupação britânica não se baseou neles. A alternativa E está errada porque as fronteiras coloniais não tinham função de proteger a natureza contra colonos.
- O gabarito oficial C coincide com a resolução feita de forma independente.
💡 Dica: Compare as duas narrativas e identifique a intenção colonial na descrição do espaço.
Alternativa por alternativa
O aluno associa o 'vazio' apenas à baixa densidade populacional segundo padrões europeus, sem perceber que o texto trata de limites, pertencimento e organização do espaço.
Por que engana: Confundir baixa densidade populacional com ausência de organização territorial indígena.
O aluno entende que 'vazio' significava inabitável por barreiras naturais, ignorando que o próprio texto descreve rotas de deslocamento e circulação indígena.
O “vazio” é construído ao desconsiderar marcas não europeias, convertendo a fronteira em critério estatal para ocupar.
O aluno supõe que a ocupação teria ocorrido por acordo formal com lideranças, confundindo a narrativa colonial de terra sem donos com um processo de negociação que não aparece no texto.
O aluno acredita que as fronteiras coloniais tinham finalidade ambiental de proteger a natureza, uma leitura anacrônica que não corresponde ao objetivo de apropriação territorial do período.
Raio-X da questão
colonialismo e territorialidade indígena
avaliacao
colonialismo e imperialismo · territorialidade indígena
estude a relação entre colonização e negação das formas indígenas de organização territorial
Confundir baixa densidade populacional com ausência de organização territorial indígena.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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