No ônibus, a passageira observa a cidade pela janela em um fim de tarde nublado. Ao ver um menino oferecendo…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No ônibus, a passageira observa a cidade pela janela em um fim de tarde nublado. Ao ver um menino oferecendo doces no sinal, o poema registra: "A rua passa por mim / como quem não quer ficar. / E eu, parada no vidro, / aprendo a olhar devagar." Considerando o texto, qual sentido é construído pela imagem de a rua "passa[... ] como quem não quer ficar" em contraste com a voz que diz estar "parada no vidro"?
- A) A imagem mostra que a janela impede a passagem da rua e faz o eu lírico permanecer separado da realidade urbana, sem participar dela.
- B) A imagem evidencia que a rua invade a subjetividade da passageira, fazendo com que o ambiente urbano determine totalmente seus sentimentos.
- C) A imagem contrapõe o movimento da rua à imobilidade do eu lírico, sugerindo uma postura contemplativa diante da cidade e a ideia de que observar também produz experiência.
- D) A imagem indica que, como a passageira está parada, é a rua que ganha movimento e passa a conduzir a experiência dela pela janela.
- E) A imagem mostra que a cidade está em constante pressa, e por isso a passageira se sente apenas cansada e sem interesse pelo que vê.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o trecho com atenção. A rua é descrita como alguém que passa por mim e como quem não quer ficar, ou seja, ela está em movimento e em deslocamento constante. Já o eu lírico se diz parada no vidro, isto é, imóvel, observando de dentro do ônibus.
- Perceba o contraste construído pelo poema. Há uma oposição entre o movimento da rua, que passa e não se demora, e a imobilidade da voz, que permanece no lugar. Essa oposição é o recurso central da imagem.
- Interprete o sentido desse contraste. O verso final, aprendo a olhar devagar, mostra que a imobilidade não é passividade vazia: a passageira observa com calma e, nessa contemplação, adquire uma experiência, aprendendo a olhar. Portanto, a alternativa C reúne corretamente o contraste de movimento e imobilidade e a ideia de que observar também produz experiência.
- Analise as outras alternativas. A) está errada porque o poema não fala em impedimento: a passageira não está separada da cidade, ela a observa e se deixa afetar por ela. B) está errada porque inverte a relação: a rua não invade a subjetividade nem determina os sentimentos da passageira. D) está errada porque o texto não afirma que a rua passa a conduzir a experiência; o movimento é da rua, e quem aprende é o eu lírico. E) está errada porque o texto não fala em pressa generalizada nem em cansaço; o tom é de calma e atenção.
- Conclusão. O gabarito oficial C está correto e coincide com a leitura feita a partir do próprio poema.
💡 Dica: Observe o contraste entre ação externa e postura do eu lírico.
Alternativa por alternativa
O aluno entendeu que a janela funciona como barreira que impede qualquer contato com a cidade, ignorando que o eu lírico observa e é afetado pela paisagem.
O aluno inverteu o sentido da imagem, supondo que a rua é que age sobre a passageira e determina totalmente seus sentimentos, quando o poema apenas mostra a rua passando.
É a leitura adequada do contraste: o deslocamento externo não elimina a pausa interna, mas reforça a atitude de observação e reflexão do sujeito poético.
O aluno concluiu que, por estar parada, a passageira transfere o movimento para a rua e perde o controle da experiência, uma leitura que o texto não sustenta, pois quem aprende a olhar é o próprio eu lírico.
O aluno associou a rua que passa a uma cidade apressada e tomou o cansaço como sentimento central, quando o poema enfatiza a calma e o olhar devagar.
Por que engana: ler a cena de modo literal e ignorar o valor expressivo do contraste
Raio-X da questão
efeito de contraste
interpretar contrast
leitura inferencial · identificação de imagem poética
sentido figurado na poesia
ler a cena de modo literal e ignorar o valor expressivo do contraste
mobilidade urbana
atenção
prova de Língua Port
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