No catalogo de um festival literario, uma mesa propoe aproximar dois textos sobre a figura indigena na…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar assimilações, rupturas e permanências no processo de constituição da literatura brasileira e ao longo de sua trajetória, por meio da leitura e análise de obras fundamentais do cânone ocidental, em especial da literatura portuguesa, para perceber a historicidade de matrizes e procedimentos estéticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No catalogo de um festival literario, uma mesa propoe aproximar dois textos sobre a figura indigena na literatura brasileira. O primeiro, do seculo XIX, foi apresentado como parte do Romantismo: "Na mata virgem, o guerreiro altivo traz no peito a honra de sua tribo; seu canto embala a terra sem dono, e a selva o guarda como abrigo." O segundo, de autoria indigena contemporanea, circula em recitais e redes: "Nao me chame de mito nem de enfeite. Eu falo do que tomo e do que tiram. Se me leem, que seja com meu nome, nao com o seu sonho sobre mim." Analise a relacao entre os dois excertos e identifique a transformacao que evidencia uma ruptura e, ao mesmo tempo, uma permanencia na trajetoria da literatura brasileira.
- A) passagem do texto em verso para o texto em prosa, mantendo o mesmo ponto de vista sobre o indigena
- B) passagem do elogio da natureza para a denuncia ambiental, mantendo a idealizacao do indigena como heroi
- C) passagem do indigena como objeto idealizado para o indigena como sujeito de fala, mantendo o tema indigena
- D) passagem do nacionalismo romantico para o regionalismo, mantendo a ausencia de autoria indigena
- E) passagem do registro culto para o registro coloquial, mantendo a neutralidade do narrador sobre o indigena
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o primeiro excerto. Ele é romântico: o indígena aparece como 'guerreiro altivo', com 'honra', 'canto' e vive numa 'mata virgem'. Ele é um objeto de idealização, descrito de fora por um eu-lírico que não é indígena.
- Leia o segundo excerto. Quem fala é o próprio indígena ('Eu falo do que tomo e do que tiram'), e ele reivindica o direito de ser lido com seu nome, não com 'o seu sonho sobre mim'. Ele deixa de ser objeto da fala alheia e passa a ser sujeito que fala de si.
- Identifique a transformação. A ruptura está na mudança de posição: do indígena idealizado e descrito por outros para o indígena que assume a voz. A permanência está no tema: nos dois textos a figura indígena continua sendo o centro da obra.
- Analise as alternativas erradas. A) Ambos os textos são em verso, então não há passagem para prosa. B) O segundo texto não trata de denúncia ambiental e a idealização do herói é justamente o que é criticado. D) O segundo texto é de autoria indígena, então a autoria não permanece ausente; além disso, o regionalismo não é o foco. E) O segundo texto não é neutro: tem posicionamento político explícito e não há registro coloquial central que defina a mudança.
- Conclusão. A alternativa C descreve corretamente a ruptura (sujeito de fala no lugar de objeto idealizado) e a permanência (o tema indígena).
💡 Dica: Compare o ponto de vista e a voz narrativa dos dois textos.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter achado que o segundo texto, por ser mais direto e sem rima, é prosa, e concluiu que houve mudança de gênero mantendo o olhar sobre o indígena.
Por que engana: Confundir a forma textual com o conteudo ou nao perceber a mudanca de sujeito na narrativa.
O aluno pode ter se prendido ao termo 'natureza' do primeiro texto e imaginado uma denúncia ambiental no segundo, sem perceber que o segundo texto critica justamente a idealização do indígena como herói.
Correta: ha permanencia do tema e ruptura na perspectiva, que sai do olhar externo romantico para a voz autoral indigena.
O aluno pode ter associado o primeiro texto ao nacionalismo romântico e o segundo ao regionalismo, sem notar que o segundo texto é de autoria indígena, o que contradiz a ideia de ausência de autoria indígena.
O aluno pode ter considerado que os dois textos são impessoais por usarem linguagem simples ou ausência de rima, sem perceber que o segundo texto tem posicionamento político explícito e voz do próprio indígena.
Raio-X da questão
ruptura e permanencia literaria
diagnostico
analise de textos literarios · interpretacao de poesia
Estude a representacao do indigena na literatura brasileira e a voz narrativa.
Confundir a forma textual com o conteudo ou nao perceber a mudanca de sujeito na narrativa.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
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