No microfone aberto de um sarau em uma biblioteca de bairro, um jovem leu um zine autoral e, ao final…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No microfone aberto de um sarau em uma biblioteca de bairro, um jovem leu um zine autoral e, ao final, comentou: “Usei aqueles versos que todo mundo decorou na infancia, mas do jeito que eu vejo hoje”. Poema do seculo XIX (trecho): “Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabia; As aves, que aqui gorjeiam, Nao gorjeiam como la.” Zine (trecho): “Minha terra tinha palmeiras, Hoje tem fumaça no ar; O canto que ainda resiste Disputa espaço com buzinar. Se a saudade e propaganda, Que lugar sobrou pra ficar?” Compare os trechos e identifique a relacao intertextual construída no zine ao retomar os versos do poema do seculo XIX.
- A) Citacao fiel que preserva o sentido original como homenagem ao poema antigo.
- B) Reescrita parodica que transforma o elogio em critica a problemas do presente.
- C) Plagio que copia versos sem indicar a origem para se passar por autor do poema.
- D) Continuacao narrativa que completa a historia iniciada no poema do seculo XIX.
- E) Traducao intralingual que apenas atualiza o vocabulario para facilitar a compreensao.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- No poema do século XIX, o eu lírico exalta a própria terra: as palmeiras, o sabiá cantando e as aves que gorjeiam, com a ideia de que tudo ali é superior ao que existe em outro lugar. Passo 2: O zine retoma a estrutura e os primeiros versos ('Minha terra tem palmeiras' vira 'Minha terra tinha palmeiras'), reconhecendo a origem do material. A troca do verbo para o pretérito 'tinha' já indica que a terra idealizada ficou no passado. Passo 3: Os versos novos substituem a natureza preservada por problemas urbanos: 'fumaça no ar' no lugar das palmeiras e 'buzinar' no lugar do canto. Passo 4: Assim, o zine reescreve o poema de forma crítica, usando a forma conhecida para denunciar a degradação do presente e questionar a saudade como idealização ('Se a saudade é propaganda'). Isso caracteriza a reescrita paródica, em que a referência ao texto antigo serve para criticar a realidade atual. Passo 5: Por que as outras estão erradas: A) não é citação fiel, pois o sentido foi invertido e o zine não homenageia o poema, mas o questiona; C) não é plágio, pois o próprio jovem diz que usou versos conhecidos e a origem é evidente; D) não há narrativa nem história sendo continuada, o texto é lírico e reflexivo; E) não se trata apenas de atualizar vocabulário, porque o conteúdo e a intenção mudam. Passo 6: O gabarito oficial B está correto.
💡 Dica: Compare os versos para identificar a transformação do sentido original.
Alternativa por alternativa
Acredita que o zine apenas repete os versos com o mesmo sentido de elogio, sem perceber a mudança do verbo para o passado e a troca da natureza por fumaça e buzina.
Por que engana: Confundir paródia com citação fiel ou plágio, não percebendo a crítica presente no texto.
O zine reaproveita a estrutura e expressoes do poema, mas muda o valor (da idealizacao para a denuncia), tipico de parodia critica.
Associa qualquer uso de versos alheios a plágio, sem notar que o jovem declara abertamente que usou versos conhecidos e que a origem do texto é evidente.
Trata o poema como se fosse uma narrativa com enredo, quando se trata de um poema lírico, e por isso imagina que o zine apenas daria sequência a uma história.
Entende que a intertextualidade se resume a trocar palavras antigas por modernas, ignorando que a mudança de sentido e a crítica social são o núcleo da relação entre os textos.
Raio-X da questão
intertextualidade e paródia
diagnostico
interpretação de texto literário
estude tipos de intertextualidade e paródia literária
Confundir paródia com citação fiel ou plágio, não percebendo a crítica presente no texto.
pensamento_critico
literario
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