ENEM - 2015 As narrativas indígenas se sustentam e se perpetuam por uma tradição de transmissão oral (sejam as…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2015 As narrativas indígenas se sustentam e se perpetuam por uma tradição de transmissão oral (sejam as histórias verdadeiras dos seus antepassados, dos fatos e guerras recentes ou antigos; sejam as histórias de ficção, como aquelas da onça e do macaco). De fato, as comunidades indígenas nas chamadas “terras baixas da América do Sul” (o que exclui as montanhas dos Andes, por exemplo) não desenvolveram sistemas de escrita como os que conhecemos, sejam alfabéticos (como a escrita do português), sejam ideogramáticos (como a escrita dos chineses) ou outros. Somente nas sociedades indígenas com estratificação social (ou seja, já divididas em classes), como foram os astecas e os maias, é que surgiu algum tipo de escrita. A história da escrita parece mesmo mostrar claramente isso: que ela surge e se desenvolve – em qualquer das formas – apenas em sociedades estratificadas (sumérios, egípcios, chineses, gregos, etc.). O fato é que os povos indígenas no Brasil, por exemplo, não empregavam um sistema de escrita, mas garantiram a conservação e continuidade dos conhecimentos acumulados, das histórias passadas e, também, das narrativas que sua tradição criou, através da transmissão oral. Todas as tecnologias indígenas se transmitiram e se desenvolveram assim. E não foram poucas: por exemplo, foram os índios que domesticaram plantas silvestres e, muitas vezes, venenosas, criando o milho, a mandioca (ou macaxeira), o amendoim, as morangas e muitas outras mais (e também as desenvolveram muito; por exemplo, somente do milho criaram cerca de 250 variedades diferentes em toda a América). D’Angelis, W. R. **Histórias dos índios lá em casa**: narrativas indígenas e tradição oral popular no Brasil. Disponível em: www.portalkaingang.org. Acesso em: 5 dez. 2012. A escrita e a oralidade, nas diversas culturas, cumprem diferentes objetivos. O fragmento aponta que, nas sociedades indígenas brasileiras, a oralidade possibilitou A escrita e a oralidade, nas diversas culturas, cumprem diferentes objetivos. O fragmento aponta que, nas sociedades indígenas brasileiras, a oralidade possibilitou
- A) A conservação e a valorização dos grupos detentores de certos saberes.
- B) A preservação e a transmissão dos saberes e da memória cultural dos povos.
- C) A manutenção e a reprodução dos modelos estratificados de organização social.
- D) A restrição e a limitação do conhecimento acumulado a determinadas comunidades.
- E) O reconhecimento e a legitimação da importância da fala como meio de comunicação.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o enunciado da questão, que pede o que o fragmento aponta sobre a oralidade nas sociedades indígenas brasileiras.
- No texto, o autor afirma que os povos indígenas no Brasil não empregavam sistema de escrita, mas garantiram a conservação e a continuidade dos conhecimentos acumulados, das histórias passadas e das narrativas criadas pela tradição, por meio da transmissão oral.
- Portanto, a oralidade possibilitou a preservação e a transmissão dos saberes e da memória cultural dos povos, que é exatamente a alternativa B.
- A alternativa A está errada, pois o texto não fala em valorização de grupos detentores de saberes, e sim em conservação do conhecimento de forma coletiva.
- A alternativa C está errada, pois o texto afirma que a escrita surge em sociedades estratificadas, e não que a oralidade mantém esses modelos.
- A alternativa D está errada, pois o texto valoriza a difusão do conhecimento pela tradição oral, não a restrição dele a certas comunidades.
- A alternativa E está errada, pois o fragmento não trata de reconhecer a fala como meio de comunicação em si, mas sim de seu papel na conservação e transmissão da memória e das tecnologias.
- Gabarito oficial confirmado: B.
💡 Dica: Analise o papel da oralidade nas sociedades indígenas.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado a oralidade a um mecanismo de valorização de grupos específicos que detêm saberes, lendo 'conservação' de forma restrita a determinados detentores.
Por que engana: Confundir a funcao da oralidade como exclusao ou restricao do conhecimento, em vez de preservacao e transmissao cultural.
Correta, pois enfatiza a preservação e transmissão dos saberes e da memória cultural, conforme destacado no texto.
O aluno pode ter confundido a discussão sobre estratificação social, presente no texto, com a função da oralidade, supondo que ela sustenta modelos hierarquizados de organização.
O aluno pode ter entendido que a transmissão oral limita o conhecimento a certas comunidades, ignorando que o texto destaca justamente a continuidade e a difusão dos saberes.
O aluno pode ter tomado a menção à fala como o foco do fragmento, quando o texto trata da função de preservar a memória e as tecnologias, e não da fala como meio de comunicação.
Raio-X da questão
oralidade nas culturas
avaliacao
oralidade e escrita cultural · memoria cultural e tradicao
Revisar a importância da oralidade nas sociedades indígenas.
Confundir a funcao da oralidade como exclusao ou restricao do conhecimento, em vez de preservacao e transmissao cultural.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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