Na interpretação de Gilberto Freyre sobre a sociedade colonial brasileira, apresentada em Casa-Grande &…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Na interpretação de Gilberto Freyre sobre a sociedade colonial brasileira, apresentada em Casa-Grande & Senzala, as relações entre senhores e escravizados ocorriam em espaços de convivência cotidiana, marcados por dependência, proximidade e trocas culturais, embora permanecessem hierárquicas. Estudos posteriores, como os de Florestan Fernandes, enfatizaram que essa convivência se estruturava pela violência, pela coerção e pela desigualdade racial próprias do sistema escravista. Assim, a existência de relações pessoais e influências culturais não eliminava a exploração nem a ausência de liberdade. Com base no texto, qual comparação entre as interpretações de Gilberto Freyre e Florestan Fernandes explica melhor a relação entre senhores e escravizados no Brasil escravista?
- A) Freyre explica a escravidão pela igualdade racial, enquanto Fernandes atribui a desigualdade apenas às diferenças econômicas.
- B) Freyre e Fernandes concordam que a convivência eliminava a exploração, apesar da permanência de diferenças culturais entre os grupos.
- C) Freyre descreve relações sem hierarquia, enquanto Fernandes comprova que não existiam contatos cotidianos entre os grupos.
- D) Freyre considera a escravidão exclusivamente violenta, enquanto Fernandes defende que as trocas culturais produziam relações equilibradas.
- E) Freyre enfatiza a convivência e as trocas culturais, enquanto Fernandes evidencia a coerção e a desigualdade que estruturavam essas relações.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção. Ele descreve duas leituras sobre a mesma realidade: a de Gilberto Freyre, que destaca a convivência cotidiana, a proximidade e as trocas culturais entre senhores e escravizados, mantendo a hierarquia; e a de Florestan Fernandes, que ressalta a violência, a coerção e a desigualdade racial como estruturas do sistema escravista.
- Identifique o que o texto conclui. A frase final afirma que a existência de relações pessoais e influências culturais não eliminava a exploração nem a ausência de liberdade. Ou seja, a proximidade não anula a dominação.
- Verifique a alternativa E. Ela associa corretamente Freyre à convivência e às trocas culturais, e Fernandes à coerção e à desigualdade que estruturavam essas relações. Esta é a comparação que explica melhor a relação descrita no texto, e por isso a escolhemos como correta, em concordância com o gabarito oficial.
- Analise as demais alternativas. A reprova a escravidão pela igualdade racial, algo que o texto não diz e que contraria a desigualdade descrita. B afirma que a convivência eliminava a exploração, o que o texto nega expressamente. C atribui a Freyre a ausência de hierarquia, mas o texto diz que as relações permaneciam hierárquicas. D inverte as posições: é Freyre quem destaca a convivência, não a violência exclusiva, e Fernandes não defende relações equilibradas.
💡 Dica: Analise as principais ideias de Freyre e compare com outros autores.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que Freyre defendia a igualdade racial e que Fernandes explicava a desigualdade apenas pela economia, ignorando o peso da raça e da coerção no texto.
Por que engana: Generalizar a relação entre senhores e escravos como unicamente opressiva, ignorando nuances de convivência e colaboração.
O aluno entende que a convivência cotidiana anularia a exploração, confundindo proximidade pessoal com fim da dominação, o que o texto rejeita expressamente.
O aluno considera que Freyre descrevia relações sem hierarquia e que Fernandes negava contatos cotidianos, quando o texto afirma que as relações permaneciam hierárquicas e que havia convivência.
O aluno inverte as posições dos autores, supondo que Freyre via a escravidão só como violência e que Fernandes via relações equilibradas por trocas culturais.
O texto apresenta duas ênfases interpretativas distintas e complementares. Freyre destaca a proximidade cotidiana e as trocas culturais entre senhores e escravizados. Fernandes, por sua vez, chama atenção para a violência, a coerção e a desigualdade racial. Portanto, a convivência descrita por Freyre não deve ser confundida com harmonia ou ausência de exploração.
Raio-X da questão
relação senhores e escravos
avaliacao
relações sociais escravidão · teorias sociológicas históricas
Revisar as obras de Gilberto Freyre e outros autores sobre escravidão no Brasil.
Generalizar a relação entre senhores e escravos como unicamente opressiva, ignorando nuances de convivência e colaboração.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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