Atividades sobre Sequências textuais com gabarito — 6º ano, 7º ano (EF67LP37)
Atividades de Sequências textuais para 6º e 7º ano, com questões comentadas e gabarito. Veja como transformar a habilidade EF67LP37 em aula, prática de leitura e avaliação.
Quando recebi no planejamento o código EF67LP37, confesso que a primeira reação foi de estranhamento. Sequências textuais parecem simples no papel, mas transformar isso em aula e, depois, em avaliação que realmente diga alguma coisa sobre o que o aluno aprendeu é outra história. Foi aí que percebi que precisava pensar a habilidade do ponto de vista de quem está na sala, com caderno cheio de correções na mesa.
Neste texto, eu organizo o que aprendi nessa caminhada: o que a habilidade pede de fato, algumas formas de trabalhá-la sem material caro e um conjunto de questões com gabarito comentado que você pode usar já na próxima aula.
O que a habilidade EF67LP37 pede, de verdade?
Quando li o texto oficial pela primeira vez, ele me pareceu denso. Traduzindo para a linguagem da sala de aula, a ideia é a seguinte: o aluno precisa perceber que cada tipo de texto organiza as informações de um jeito próprio, e que essa organização produz efeitos diferentes no leitor. Uma receita dá ordens em sequência, um relato conta eventos no tempo, uma explicação expõe ideias, uma descrição mostra características. Não basta reconhecer o tipo de texto; o estudante precisa explicar o que cada escolha de linguagem faz com quem lê.
Analisar, em diferentes textos, os efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos linguístico-discursivos de prescrição, causalidade, sequências descritivas e expositivas e ordenação de eventos.
Isso significa olhar para conectivos como "porém" e "então", para verbos no imperativo, para numerais que ordenam etapas e para pontuação que muda a entonação de uma frase. O foco não é decorar nomenclatura, e sim entender o efeito. Quando um aluno percebe que o "então" indica consequência e o "porém" marca oposição, ele passa a ler com outros olhos, e é exatamente isso que a habilidade busca.
Como trabalhar EF67LP37 em sala?
Testei algumas ideias ao longo do ano e três delas funcionaram melhor com as turmas de 6º e 7º ano:
- Receitas e instruções reais. Levei para a sala uma receita de bolo e um passo a passo de montar um kit de primeiros socorros. Pedi que os alunos marcassem os verbos no imperativo e os elementos que organizam a ordem. A conversa sobre por que a ordem importa rendeu mais do que qualquer exercício de identificação.
- Relato de convivência escolar. Escrevi, com a turma, um pequeno relato sobre um problema real da escola, como disputa por um espaço. Depois, grifamos os conectivos e discutimos a relação entre as ideias.
- Reescrita com troca de conectivo. Pegue um parágrafo e troque "porém" por "e" ou "então" por "mas". Peça que os alunos digam o que mudou no sentido. Essa atividade curta mostra, na prática, que cada palavra carrega uma relação lógica.
- Pontuação e entonação. Leia em voz alta um mesmo aviso com ponto final, com exclamação e com interrogação. Os alunos percebem rapidamente a diferença de urgência e dúvida, e a partir daí a discussão sobre sinais de pontuação ganha sentido.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão sobre EF67LP37 precisa cobrar análise, não memorização. Ela deve apresentar um trecho real ou bem construído, pedir que o aluno explique um efeito de sentido e oferecer alternativas em que o erro seja plausível. Já vi muitas provas caírem no erro de perguntar apenas "qual é o conectivo", o que mede reconhecimento e não compreensão.
Outro erro comum é usar alternativas absurdas, que o aluno descarta sem pensar. Quando os distratores são bem escolhidos, cada um corresponde a uma interpretação equivocada que aparece de verdade na sala, como confundir oposição com acréscimo ou causa com consequência. Isso torna a correção muito mais rica, porque você consegue diagnosticar onde o raciocínio travou.
Questões prontas de EF67LP37 (com gabarito comentado)
A seguir estão seis questões reais do código, com as alternativas e a explicação de por que cada uma está certa ou errada. Use-as como ponto de partida e adapte o nível à sua turma.
Questão 1: relação entre leitura e escrita
Enunciado: Leia: "Em segundo lugar, a leitura estimula a imaginação. Por outro lado, a escrita também desenvolve o pensamento crítico." Qual a relação entre as ideias?
- ❌ A) A leitura é mais importante que a escrita. — Ambas têm importância, apresentadas em conjunto.
- ❌ B) A escrita é uma consequência da leitura. — As ideias são independentes, mas complementares.
- ✅ C) A leitura e a escrita têm funções distintas. — Cada uma desenvolve habilidades diferentes.
- ❌ D) A escrita deve ser priorizada sobre a leitura. — Não se trata de priorização, mas de funções.
- ❌ E) Ambas as atividades são irrelevantes. — O texto destaca a importância de ambas.
Questão 2: sequência de ações em uma receita
Enunciado: Como fazer um bolo. Misture os ingredientes em uma tigela. Depois, coloque a massa em uma forma untada. Por fim, leve a forma ao forno por 40 minutos. Qual sequência de ações aparece no texto e qual é a sua função?
- ❌ A) Indicar os utensílios necessários. — Esse distrator associa o texto a uma receita, mas o trecho não informa quais utensílios devem ser usados.
- ✅ B) Organizar as etapas do preparo. — O texto apresenta ações em ordem: misturar os ingredientes, colocar a massa na forma e levar ao forno. Essa sequência organiza o processo de preparo do bolo.
- ❌ C) Contar a origem do bolo preparado. — Esse distrator interpreta a presença do bolo como uma narrativa sobre sua origem, embora o texto não conte nenhum acontecimento passado.
- ❌ D) Apontar cuidados durante o preparo. — Esse distrator confunde as instruções de preparo com recomendações ou alertas de segurança. O texto não apresenta cuidados, e sim etapas em ordem.
- ❌ E) Apresentar os ingredientes usados. — Esse distrator confunde a sequência de ações com a apresentação dos ingredientes. O texto não enumera os ingredientes, mas explica o que fazer com eles.
Questão 3: pronome possessivo e pertencimento
Enunciado: Trecho (imagem+legenda): imagem de crianças plantando; legenda: "Vamos cuidar do parque — é nosso lugar!". Que recurso linguístico do trecho facilita a identificação do público infantil?
- ✅ A) Uso do possessivo 'nosso' que cria sentimento de pertencimento — O possessivo aproxima o tema da experiência da criança, promovendo identificação e responsabilidade coletiva, recurso eficaz em campanhas infantis.
- ❌ B) Uso de jargões adultos — Jargões adultos não são relevantes para crianças, tornando a mensagem inacessível e confusa.
- ❌ C) Foco em pronomes neutros — Pronomes neutros não criam senso de pertencimento, o que é essencial para a comunicação com crianças.
- ❌ D) Uso de termos técnicos — Termos técnicos não conectam com as crianças, dificultando a compreensão e identificação.
- ❌ E) Frases longas e complexas — Frases longas não favorecem a identificação, podendo confundir em vez de engajar o público infantil.
Questão 4: efeito de sentido dos conectivos
Enunciado: Trecho de um relato de convivência escolar: “Os alunos queriam usar o pátio para a apresentação. Porém, o espaço estava ocupado pela montagem da feira. Então, a turma mudou o horário do ensaio.” No trecho, qual é o efeito de sentido dos conectivos “porém” e “então” na organização das ideias?
- ❌ A) “Porém” introduz uma conclusão final do relato, e “então” apenas adiciona um detalhe sobre a apresentação da turma. — O aluno amplia de forma incorreta os usos dos conectivos, atribuindo a “porém” função conclusiva e a “então” função de mera adição, o que não se sustenta no trecho.
- ❌ B) “Porém” indica que as duas ideias têm o mesmo sentido, e “então” reforça a ideia principal sobre o uso do pátio. — Há troca do valor dos conectivos por noções de semelhança e reforço, que não correspondem ao contraste expresso por “porém” nem à consequência expressa por “então”.
- ❌ C) “Porém” acrescenta uma informação ao pedido da turma, e “então” organiza a ordem em que os fatos aconteceram no relato. — O aluno percebe a sequência do texto, mas confunde oposição com acréscimo e transforma “então” em simples marcador de ordem temporal, sem reconhecer a relação de consequência.
- ✅ D) “Porém” indica oposição entre o desejo da turma e a situação do pátio, e “então” mostra a consequência da dificuldade, levando à mudança do horário do ensaio. — Resposta fiel ao comando: identifica corretamente que “porém” estabelece contraste/oposição e que “então” marca consequência/encadeamento da decisão após o problema.
- ❌ E) “Porém” apresenta a causa de o pátio estar ocupado, e “então” explica o motivo de a turma ter mudado o ensaio. — O aluno inverte as relações lógicas: trata o conectivo adversativo como causa e o conectivo conclusivo como explicação do motivo, quando o texto mostra problema seguido de decisão.
Questão 5: entonação dos sinais de pontuação
Enunciado: Quem imaginaria que um simples recado mudaria o rumo de nossa caminhada? No topo da montanha, o guia ergueu o cartaz com letras garrafais: “PARE!”. Alguns visitantes encolheram-se, temendo perigo iminente. Logo depois, leu em voz alta: “O mirante está a apenas 100 metros?”. O tom hesitante despertou curiosidade: será que o trajeto era mais longo? Ao fim, um ponto final encerrou o aviso: “Descansem aqui.” O uso desses sinais afetou a maneira como ouvimos cada mensagem, revelando sentimentos de urgência, dúvida e encerramento. Analise o texto-base e identifique como o ponto de interrogação e o ponto de exclamação influenciam a entonação do narrador:
- ✅ A) Expressar incerteza com “?” e urgência com “!” — O “?” indica dúvida e o “!” reforça o caráter urgente do aviso “PARE!”.
- ❌ B) Indicar pausa longa com “?” e encerramento com “!” — O “?” não marca pausa longa, mas sim dúvida; o “!” expressa urgência, não encerramento.
- ❌ C) Marcar tom afirmativo com “?” e exclusão com “!” — O “?” não indica afirmação e o “!” não sinaliza exclusão; suas funções são interrogativa e exclamativa.
- ❌ D) Sinalizar diálogo com “?” e sequência com “!” — Nem o “?” nem o “!” têm a função de demarcar diálogo ou indicar ordem sequencial.
- ❌ E) Listar instruções com “!” e enfatizar números com “?” — O “!” não serve para listar, e o “?” não realça números; eles alteram entonação de urgência e dúvida.
Questão 6: recurso que organiza instruções em sequência
Enunciado: Como montar um kit de primeiros socorros para passeios de bicicleta? Siga estes passos: 1. Separe um estojo resistente. 2. Inclua curativos, gaze esterilizada e antisséptico. 3. Insira analgésicos e ataduras elásticas. 4. Verifique mensalmente o prazo de validade dos itens. 5. Guarde o kit em local acessível durante o passeio. Analise o texto-base e identifique o recurso que organiza as instruções em sequência de execução.
- ❌ A) Uso de advérbio de tempo para indicar periodicidade — O advérbio "mensalmente" informa periodicidade, não sequência das etapas.
- ❌ B) Uso de conjunção aditiva para conectar as instruções — Não há conjunções aditivas entre as etapas numeradas que indiquem sequência.
- ❌ C) Uso de verbos no imperativo para orientar a ação — Embora o imperativo oriente a ação, não revela a ordem sequencial das etapas.
- ❌ D) Uso de pontuação para separar as orientações — A pontuação apenas delimita frases, não organiza as etapas em sequência.
- ✅ E) Uso de numerais para marcar cada etapa — Os numerais 1., 2., 3. etc. estabelecem a ordem das ações a serem seguidas.
Próximos passos
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As questões deste texto servem de referência e apoio ao seu planejamento; ajuste sempre ao currículo e ao nível da sua turma. Bom trabalho em sala!
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ótima sequência Didática. Atualizada fácil de contextualizar.