Na carta enviada ao rei de Portugal em 1500, Pero Vaz de Caminha descreveu parte dos habitantes da terra…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Na carta enviada ao rei de Portugal em 1500, Pero Vaz de Caminha descreveu parte dos habitantes da terra encontrada pelos portugueses como pessoas de “boa simplicidade” e afirmou que nelas se poderia “imprimir [...] qualquer cunho que lhes quisessem dar”. Escrita no início da ocupação portuguesa, a carta informava à Coroa sobre a nova terra e seus habitantes. A leitura da carta permite analisar que essa representação dos povos indígenas estava relacionada à
- A) A referência a um novo cunho indica que a carta defendia a preservação da autonomia indígena diante dos interesses econômicos portugueses.
- B) A descrição dos indígenas como simples demonstra uma observação neutra, voltada apenas a informar o rei sobre os habitantes da nova terra.
- C) A ideia de que os indígenas poderiam ser moldados justificava a intervenção portuguesa e favorecia seu controle para fins coloniais, inclusive do trabalho.
- D) A necessidade de utilizar o trabalho indígena levou os portugueses a converter os habitantes, como consequência direta da exploração colonial.
- E) A descrição dos indígenas como simples comprova que eles já conheciam e seguiam a religião cristã antes da chegada dos portugueses.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O enunciado trata da carta de Caminha (1500) e da representação dos indígenas como pessoas de boa simplicidade, em que se poderia imprimir qualquer cunho. A expressão cunho remete à ideia de moldar, de dar forma a algo, e o texto mostra que os povos eram vistos como maleáveis pelos portugueses. Passo 2: Essa visão sustentava a ideia de que caberia aos europeus conduzir, ensinar e dominar os habitantes da nova terra. Por isso, a representação estava ligada a um projeto de controle e de exploração, incluindo a utilização do trabalho indígena, o que torna a alternativa C coerente com o contexto da ocupação. Passo 3: A alternativa A está errada, pois a carta não defende a autonomia indígena; ao contrário, a ideia de moldar os povos serve ao interesse português. A alternativa B está errada, pois a descrição não é neutra, já que expressa uma visão de superioridade e disponibilidade dos indígenas. A alternativa D está errada, pois inverte a relação causal apresentada no período: a conversão religiosa não é a consequência direta da exploração, e o texto não estabelece essa ligação. A alternativa E está errada, pois a simplicidade descrita por Caminha não comprova conhecimento prévio do cristianismo; trata-se de uma interpretação europeia sobre os nativos. Passo 4: O gabarito oficial C está correto, pois é a única alternativa que relaciona a representação dos indígenas como moldáveis ao projeto colonial português de dominação e uso do trabalho.
💡 Dica: Relacione a ideia de moldar os indígenas aos objetivos de dominação colonial.
Alternativa por alternativa
O aluno interpreta a palavra cunho como sinal de resistência ou de preservação da identidade indígena, ignorando que a carta é escrita por um colonizador para a Coroa.
O aluno acredita que a carta é um relato neutro e apenas informativo, sem perceber que a descrição de simplicidade e de docilidade já carrega uma visão de superioridade europeia.
Relaciona a representação presente na carta à lógica de intervenção e controle colonial.
O aluno inverte a relação entre os fatos, supondo que a conversão religiosa foi uma consequência direta da exploração do trabalho, quando o texto não estabelece essa causalidade e a catequização aparece como outro eixo do projeto colonial.
O aluno toma a simplicidade atribuída aos indígenas como prova de um conhecimento prévio do cristianismo, confundindo uma impressão do colonizador com um fato histórico comprovado.
Raio-X da questão
Representação colonial dos povos indígenas.
Interpretar uma repr
Mercantilismo e expansão marítima portuguesa. · Relações de dominação e alteridade cultural.
Colonização portuguesa e catequese indígena.
Tratar a descrição de Caminha como observação neutra ou como prova de submissão indígena.
Direitos humanos e valorização da diversidade cultural.
Respeito à diversidade cultural.
Colonização portugue
Questões parecidas com resolução
- Em uma carta dirigida ao rei de Portugal, Pero Vaz de Caminha descreveu a chegada da expedição portuguesa à costa do…
- Leia o trecho abaixo, retirado de uma carta de um colono português do século XVI: "Aqui tudo que se planta dá: há…
- Leia o trecho da carta de um colono português do século XVI: “Aqui tudo que se planta dá: há árvores de frutos variados…
- Leia o seguinte trecho de uma carta de um colono português do século XVI ao rei de Portugal: “Aqui tudo que se planta…
- ENEM - 2013 De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar…
- Em um relato produzido no século XVI, um viajante europeu descreveu povos encontrados no litoral americano: “Vivem em…
🔎 Resolver outra questão
Cole o enunciado e veja a resolução passo a passo, a alternativa correta e por que as outras estão erradas.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
