Em um antigo bairro operário, moradores criaram um acervo sobre um forno de tijolos construído na década de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em um antigo bairro operário, moradores criaram um acervo sobre um forno de tijolos construído na década de 1940. Em entrevistas gravadas, pessoas idosas afirmaram que o forno era usado coletivamente para assar pães durante festas e períodos de dificuldade. Um inventário municipal da década de 1960, porém, registrou a construção como depósito. A análise dos tijolos revelou marcas de fuligem e reparos realizados em diferentes épocas. Considerando os registros apresentados, qual interpretação histórica é mais adequada sobre as memórias relacionadas ao forno?
- A) As marcas de fuligem comprovam que o forno manteve a mesma função coletiva durante todo o período analisado.
- B) O inventário municipal deve prevalecer, pois documentos oficiais registram os acontecimentos com maior neutralidade que os relatos orais.
- C) As fontes devem ser comparadas, pois registram usos e perspectivas distintos e ajudam a investigar a construção da memória comunitária.
- D) As entrevistas devem prevalecer, pois a lembrança dos moradores informa com maior precisão a função original da construção.
- E) A divergência entre os registros impede que o forno seja utilizado como fonte para estudar as memórias do bairro.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o problema central: há duas fontes que descrevem o mesmo forno de modos diferentes. As entrevistas orais dizem que o forno servia para assar pães coletivamente; o inventário da década de 1960 o registra como depósito. Além disso, a análise material mostra fuligem e reparos em épocas diferentes.
- Analise o que cada fonte oferece. Os relatos orais revelam como a comunidade lembra e valoriza o forno. O inventário revela como o poder público classificava o imóvel em certo momento. A análise dos tijolos indica uso prolongado e intervenções ao longo do tempo, o que sugere que a construção teve vida útil e papéis diferentes.
- Avalie a alternativa C, que é a correta: comparar as fontes permite perceber que cada uma registra usos e perspectivas distintos, e essa comparação ajuda a investigar como a memória comunitária se constrói e se transforma.
- Por que as demais estão erradas. A: a fuligem indica uso com fogo, mas não prova que a função foi sempre a mesma, pois os reparos em épocas diferentes sugerem mudanças. B: documentos oficiais não são neutros por natureza; o inventário também é uma fonte produzida com interesses e critérios próprios. D: a memória oral não é necessariamente mais precisa sobre a função original, pois é uma lembrança sujeita a seleção e reinterpretação. E: a divergência entre fontes é justamente o que enriquece a análise histórica, e não impede seu uso.
- Conclusão: o historiador não escolhe uma fonte como verdade absoluta; confronta registros diferentes e interpreta suas razões.
💡 Dica: Não escolha uma fonte isoladamente; compare seus usos, limites e perspectivas.
Alternativa por alternativa
O aluno toma a fuligem como prova de uso idêntico e contínuo, ignorando que os reparos em épocas diferentes indicam transformações ao longo do tempo.
O aluno acredita que documentos oficiais são neutros e, por isso, mais confiáveis que relatos orais, sem perceber que o inventário também foi produzido com critérios e interesses específicos.
A alternativa reconhece o valor complementar e crítico das fontes orais, escritas e materiais, sem tratar uma delas como verdade absoluta.
O aluno supõe que a memória oral é mais precisa por vir de pessoas que viveram o período, sem considerar que lembranças são seletivas e podem ser reconstruídas ao longo do tempo.
Por que engana: Considerar documentos oficiais ou relatos orais como verdades absolutas.
O aluno entende que fontes contraditórias são inúteis para o historiador, quando, na verdade, a divergência é um ponto de partida para a análise crítica.
Raio-X da questão
Análise comparativa de fontes históricas.
Comparar fontes e in
Tipos de fontes históricas. · Diferença entre memória e história.
Memória social e patrimônio cultural.
Considerar documentos oficiais ou relatos orais como verdades absolutas.
Patrimônio cultural e valorização da memória comunitária.
Escuta respeitosa de diferentes perspectivas.
Patrimônio e memória
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