Durante a catalogação de um acervo, uma historiadora reúne dois documentos sobre uma mesma faixa do Saara. Uma…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Durante a catalogação de um acervo, uma historiadora reúne dois documentos sobre uma mesma faixa do Saara. Uma carta europeia do fim do século XIX, preparada para orientar expedições militares, deixa extensa área sem topônimos e emprega a expressão “região desconhecida”. Já um roteiro comercial elaborado por mercadores árabes no século anterior enumera poços, pontos de troca e tempos de deslocamento de caravanas entre o Magrebe e o Sahel. O roteiro não traça linhas contínuas como as cartas estatais modernas, mas registra taxas, alianças para atravessar determinados trechos e obrigações de hospitalidade. Na exposição, os documentos serão apresentados lado a lado, sem que um deles seja tomado como retrato neutro do espaço. Avalie, a partir do cotejo entre os documentos, a interpretação que melhor orienta a exposição sobre território, fronteira e vazio.
- A) Reconhece que áreas sem topônimos comprovam ocupação inexistente e fronteiras indefinidas.
- B) Reconhece que o “desconhecido” da carta expressa critérios e interesses, não ausência de territorialidades locais.
- C) Reconhece que roteiros comerciais descrevem circulação, mas não relações de poder sobre o espaço.
- D) Reconhece que apenas linhas contínuas permitem identificar fronteiras e pertencimentos territoriais.
- E) Reconhece que fontes europeias e mercantis têm a mesma finalidade e, por isso, igual alcance histórico.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o que o enunciado pede. A questão quer a interpretação que melhor orienta a exposição sobre território, fronteira e vazio, a partir do cotejo entre a carta europeia do fim do século XIX e o roteiro comercial árabe do século anterior. Passo 2: Analise a carta europeia. Ela foi feita para orientar expedições militares, deixa grande área sem topônimos e fala em região desconhecida. Esse vazio não mostra que o espaço era vazio, e sim o que a potência produtora considerava relevante para seus fins. Passo 3: Analise o roteiro comercial. Ele enumera poços, pontos de troca, tempos de caravanas, taxas, alianças e obrigações de hospitalidade. Isso revela um território organizado por relações de poder, acordos e circulação, mesmo sem linhas contínuas de fronteira. Passo 4: Cruze os dois documentos. O 'desconhecido' da carta expressa critérios e interesses de quem a produziu, enquanto o roteiro mostra territorialidades locais bem estruturadas. Por isso a alternativa B é a interpretação correta e coincide com o gabarito oficial. Passo 5: Por que as demais estão erradas. A afirma que áreas sem topônimos comprovam ocupação inexistente, o que ignora que o silêncio cartográfico não equivale a ausência de ocupação. C diz que roteiros descrevem circulação mas não poder, quando o próprio roteiro registra taxas e alianças, que são formas de poder sobre o espaço. D afirma que só linhas contínuas identificam territórios, desconsiderando que o roteiro comercial organiza o território de outra maneira. E iguala fontes com finalidades e alcances diferentes, o que a questão pede justamente para evitar, já que nenhum documento deve ser tomado como retrato neutro.
💡 Dica: Compare as perspectivas dos documentos para entender diferentes visões sobre território e fronteira.
Alternativa por alternativa
O aluno toma o silêncio cartográfico da carta como prova de que a área não tinha ocupação nem organização, ignorando o roteiro que registra poços e caravanas.
O roteiro evidencia usos, acordos e controles de circulação. Assim, o vazio cartográfico europeu não equivale à inexistência de ocupação ou de territorialidades.
O aluno acredita que descrever circulação não implica poder, sem perceber que taxas, alianças e obrigações de hospitalidade são justamente expressões de poder sobre o espaço.
O aluno associa território apenas à delimitação moderna por linhas contínuas, uma ideia de senso comum baseada em mapas atuais, e desconsidera outras formas de territorialidade.
O aluno supõe que todas as fontes são retratos igualmente válidos do espaço, ignorando que a carta e o roteiro têm finalidades e alcances distintos, o que a própria questão destaca.
Raio-X da questão
território, fronteira, representação histórica
diagnostico
interpretação de documentos históricos · conceito de território e fronteira
Estude conceitos de território, fronteira e interpretação histórica de documentos.
Confundir a neutralidade dos documentos, aceitando uma visão como única e objetiva.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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