No fim do século XIX, mapas oficiais argentinos passaram a chamar grande parte da Patagônia de "deserto"…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No fim do século XIX, mapas oficiais argentinos passaram a chamar grande parte da Patagônia de "deserto" durante campanhas militares que ampliaram o controle estatal. Nos mesmos anos, relatos de viajantes, registros de missões e testemunhos indígenas mencionavam trajetos sazonais de criação, áreas de coleta, locais de sepultamento e redes de troca usadas por comunidades mapuche e tehuelche. Em documentos administrativos, a linha de fortes e a distribuição posterior de lotes apareciam como formas de fixar uma fronteira interna e organizar a propriedade. Uma exposição escolar reuniu cópias dessas fontes para discutir por que um mesmo espaço recebeu descrições tão diferentes. Analise as fontes apresentadas e avalie a interpretação que melhor explica o uso de "deserto" nos mapas oficiais.
- A) Expressou a preservação das formas indígenas de uso coletivo daquele território.
- B) Expressou uma fronteira internacional já estável e reconhecida por todos os grupos locais.
- C) Expressou a separação natural entre áreas habitáveis e áreas sem valor histórico.
- D) Expressou uma visão estatal que tratava territórios indígenas como vazios para legitimar sua incorporação.
- E) Expressou a inexistência de ocupação humana permanente ou móvel na região representada.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique o que o enunciado afirma. Os mapas oficiais chamavam a Patagônia de deserto, mas outras fontes da mesma época (relatos de viajantes, registros de missões e testemunhos indígenas) mostram trajetos sazonais de criação, áreas de coleta, sepultamentos e redes de troca de mapuches e tehuelches. Ou seja, o mesmo espaço era ocupado e usado.
- Note a finalidade dos documentos administrativos. A linha de fortes e a posterior distribuição de lotes serviam para fixar uma fronteira interna e organizar a propriedade, isto é, para transformar o território em área controlada pelo Estado.
- Relacione os dados. Chamar a região de deserto apaga a presença indígena e cria a imagem de terra vazia, o que facilita campanhas militares, ocupação e distribuição de terras. Por isso a alternativa D é a interpretação que melhor explica o uso do termo: uma visão estatal que tratava os territórios indígenas como vazios para legitimar sua incorporação.
- Verifique as demais alternativas. A) está errada, pois o termo não preservava usos coletivos indígenas, ao contrário, os ignorava. B) está errada, porque o enunciado trata de fronteira interna, não de fronteira internacional estabelecida. C) está errada, pois a ideia de separação natural entre áreas habitáveis e não habitáveis é um julgamento do Estado, não um dado da realidade. E) está errada, porque as fontes mostram justamente ocupação humana permanente ou móvel na região.
- Conclusão. O gabarito oficial D está correto.
💡 Dica: Compare as diferentes fontes e reflita sobre interesses políticos e sociais na época.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que o termo deserto registrava fielmente um uso coletivo preservado pelos indígenas, confundindo a descrição oficial com a prática das comunidades.
O aluno supõe que a fronteira mencionada seria internacional e já consolidada, ignorando que o texto fala de fronteira interna construída pelo Estado com fortes e lotes.
O aluno aceita que a divisão entre áreas habitáveis e sem valor seria natural e objetiva, quando na verdade é uma classificação feita pelo Estado.
A comparação das fontes indica que o termo apagava usos, deslocamentos e memórias indígenas, fazendo a ocupação estatal parecer legítima.
O aluno entende que deserto significa literalmente ausência de gente, desconsiderando que as fontes registram ocupação permanente e móvel por mapuches e tehuelches.
Raio-X da questão
interpretação histórica de fontes
diagnostico
análise de fontes históricas · contexto histórico do século XIX
estudo de fontes históricas e contextos sociais
Confundir a visão oficial com a realidade social e cultural das comunidades indígenas.
multiculturalismo
pensamento_critico
historico
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