Curadores organizam uma mostra sobre uma praça de uma cidade portuária das Américas. Um mapa de 1860 registra…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Formular questionamentos sobre o legado da escravidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Curadores organizam uma mostra sobre uma praça de uma cidade portuária das Américas. Um mapa de 1860 registra no local um mercado ligado ao comércio de pessoas escravizadas. Uma ata municipal de 1912 informa que a praça recebeu o nome de um comerciante local, sem mencionar essa atividade. Nos jornais da época, anúncios de festas e lojas passam a apresentar o lugar como símbolo de progresso urbano. Hoje, uma associação de moradores reúne relatos de famílias que preservam lembranças de separações ocorridas ali e pede a instalação de uma placa explicativa. Ao comparar essas fontes, o grupo percebe que cada registro foi produzido com objetivos e interesses próprios, exigindo examinar tanto o que aparece quanto o que foi omitido na história do lugar. Analise as fontes apresentadas e identifique o questionamento que mais permite investigar um legado da escravidão no espaço público atual.
- A) Investigar se os relatos familiares dispensam a consulta de documentos escritos sobre a praça.
- B) Investigar por que todos os antigos mercados eram destinados somente a pessoas escravizadas.
- C) Investigar se a troca de nome eliminou os efeitos históricos da escravidão na cidade.
- D) Investigar como renomeações de lugares podem ocultar vínculos urbanos com a escravidão.
- E) Investigar se a ausência de menção nos jornais prova inexistência de resistência escravizada.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifiquei o que o enunciado pede: um questionamento que permita investigar um legado da escravidão no espaço público atual, a partir das fontes apresentadas (mapa de 1860, ata de 1912, jornais da época e relatos da associação de moradores). Passo 2: Observei o que as fontes mostram. O mapa registra um mercado ligado ao comércio de pessoas escravizadas, mas a ata de 1912 renomeia a praça com o nome de um comerciante sem mencionar essa atividade, e os jornais exaltam o lugar como símbolo de progresso. Ou seja, a mudança de nome e a propaganda urbana apagaram ou esconderam esse vínculo. Passo 3: Relacionei isso à alternativa D, que propõe investigar como renomeações de lugares podem ocultar vínculos urbanos com a escravidão. Ela parte exatamente do caso concreto: a troca de nome na ata e a omissão nos registros. Também é uma pergunta aberta, que exige examinar o que aparece e o que foi omitido, como o próprio texto orienta. Passo 4: Por que as outras estão erradas. A: os relatos familiares complementam os documentos escritos e não os dispensam; o texto diz que cada registro tem interesses próprios, o que exige cruzar fontes. B: a afirmação de que todos os antigos mercados eram destinados somente a pessoas escravizadas é uma generalização que as fontes não sustentam. C: trocar um nome não elimina os efeitos históricos da escravidão; a própria ata renomeada e a pressão por uma placa mostram que o passado continua presente. E: a ausência de menção nos jornais não prova que não houve resistência escravizada; o silêncio de uma fonte não equivale à inexistência do fato. Passo 5: Discordância com o gabarito: não há discordância. A alternativa D é a correta, pois é a única que investiga um legado concreto da escravidão no espaço público atual sem fazer afirmações não sustentadas pelas fontes.
💡 Dica: Compare as fontes e reflita sobre as diferentes perspectivas e omissões na história.
Alternativa por alternativa
O aluno pode achar que testemunhos orais de famílias bastam para conhecer a história da praça e que os documentos escritos são desnecessários. Não percebe que os relatos também precisam ser cruzados com as outras fontes.
O aluno pode ter transformado o caso específico do mercado da praça em uma regra geral, supondo que todos os mercados antigos eram destinados à escravidão. O enunciado não afirma isso.
O aluno pode acreditar que mudar o nome de um lugar apaga automaticamente o passado, ideia do senso comum. Não percebe que os efeitos históricos permanecem no espaço e na memória das pessoas.
A comparação entre mapa, ata, jornais e relatos permite investigar como escolhas de memória pública podem silenciar a história escravista.
O aluno pode concluir que, se os jornais não mencionam a resistência, ela não existiu. Confunde ausência de registro com ausência de fato histórico.
Raio-X da questão
análise crítica de fontes históricas
diagnostico
interpretação de fontes históricas · contexto da escravidão nas Américas
estudo de fontes históricas e legado da escravidão
O aluno pode focar apenas nas informações explícitas, sem considerar as omissões e interesses por trás das fontes.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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