Quatro anos após a abolição, um livro-caixa fictício de uma oficina ferroviária paulista registra 60…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quatro anos após a abolição, um livro-caixa fictício de uma oficina ferroviária paulista registra 60 empregados submetidos à jornada de dez horas. Entre eles, 24 imigrantes aparecem como mecânicos, com diária de 3.200 réis; 18 brasileiros brancos, como carpinteiros, com 2.800 réis; e 18 brasileiros negros, como ajudantes, com 1.600 réis. As anotações de contratação identificam origem e cor dos trabalhadores, mas não apresentam critérios de escolaridade ou experiência para distribuir as funções. Historiadores situam registros desse tipo em um contexto de incentivo estatal à imigração e de ausência de políticas de reparação material para a população recém-liberta. Analise os registros e interprete a desigualdade de renda apresentada, relacionando-a ao processo histórico do pós-abolição.
- A) Uma ruptura das hierarquias raciais, pois a abolição garantiu reparação material aos libertos.
- B) Uma segmentação ocupacional, pois origem e cor se associam a cargos e rendimentos distintos.
- C) Uma seleção exclusivamente meritocrática, pois a experiência declarada explica os cargos.
- D) Uma mobilidade social plena, pois todos os grupos acessam as funções técnicas da oficina.
- E) Uma igualdade contratual, pois a jornada comum torna equivalentes os salários recebidos.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Eu resolvi a questão antes de olhar o gabarito. Os registros mostram 60 trabalhadores em jornada de dez horas, divididos em três grupos: 24 imigrantes como mecânicos com diária de 3.200 réis, 18 brasileiros brancos como carpinteiros com 2.800 réis e 18 brasileiros negros como ajudantes com 1.600 réis. Passo 2: Calculando a diferença, o mecânico imigrante recebe o dobro do ajudante negro (3.200 contra 1.600), e o carpinteiro branco recebe 2.800, quase o dobro. Ou seja, a mesma jornada resulta em rendimentos muito diferentes. Passo 3: Como as anotações registram origem e cor, e não apresentam critérios de escolaridade ou experiência para distribuir as funções, a desigualdade aparece associada a origem e cor, e não a qualificação. Isso caracteriza uma segmentação ocupacional: cada grupo é direcionado a funções e faixas salariais distintas. Passo 4: O contexto pós-abolição ajuda a explicar esse padrão. O Estado incentivou a imigração, e a população recém-liberta não recebeu políticas de reparação material, o que deixou os libertos em posições de menor renda e prestígio. Passo 5: Portanto, a alternativa B é a correta e coincide com o gabarito oficial. Por que as outras estão erradas: A está errada porque a abolição não garantiu reparação material, e os dados mostram a hierarquia racial se mantendo; C está errada porque não há critério de experiência ou escolaridade registrado que explique os cargos; D está errada porque o grupo negro aparece apenas como ajudante, sem acesso às funções técnicas; E está errada porque a jornada igual não gera salários iguais, como mostram as diárias diferentes.
💡 Dica: Analise os dados e relacione a desigualdade salarial ao contexto histórico do pós-abolição.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a abolição, por si só, eliminou as desigualdades e trouxe reparação material aos libertos, ignorando que os registros mostram a hierarquia racial ainda ativa.
Os dados associam grupos racializados e de origem diversa a funções e salários diferentes, indiciando hierarquias do mercado de trabalho no pós-abolição.
O aluno supõe que as diferenças de cargo e salário refletem mérito e experiência, mas o enunciado diz explicitamente que não há critérios de escolaridade ou experiência registrados.
O aluno entende que a presença de trabalhadores de diferentes grupos na oficina significa igualdade de acesso, sem notar que os negros aparecem apenas como ajudantes e que cada grupo ocupa uma faixa específica.
O aluno confunde igualdade de jornada com igualdade de remuneração, achando que, por todos trabalharem dez horas, os salários seriam equivalentes, sem comparar as diárias de 3.200, 2.800 e 1.600 réis.
Raio-X da questão
desigualdade salarial pós-abolição
diagnostico
contexto histórico do Brasil imperial · processo de abolição da escravidão
estude o contexto histórico do pós-abolição e as condições sociais dos trabalhadores
Confundir desigualdade salarial com diferenças naturais de função sem considerar o contexto histórico e racial.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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