— Encontrei duas cadernetas de anotações do sindicato de minha família: uma de um metalúrgico que foi para a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Encontrei duas cadernetas de anotações do sindicato de minha família: uma de um metalúrgico que foi para a capital na década de 1950 e outra de um trabalhador do corte de cana no interior. Os registros (números ilustrativos, coerentes com o período) comparavam “emprego com carteira” e “renda mensal média” em salários mínimos. Na capital industrial, em 1955, 64% dos ocupados estavam com carteira e a renda média era 2,2 salários mínimos; em 1975, 58% e 3,1. No interior canavieiro, em 1955, 18% tinham carteira e a renda média era 1,2; em 1975, 24% e 1,6. As anotações destacavam que muitas ocupações rurais e domésticas eram tratadas como “ajuda” ou “bico”, mesmo quando sustentavam a família. Interprete os indicadores apresentados e relacione o padrão observado, por analogia entre espaços e tempos, ao processo histórico que mais contribui para a estratificação social no trabalho.
- A) a mecanização generalizada do campo, reduzindo a desigualdade ao aumentar salários e formalização no interior
- B) a substituição do trabalho assalariado por pequenas propriedades, elevando de forma homogênea a renda no interior
- C) a concentração da industrialização e a incorporação seletiva de direitos, mantendo segmentos formais e informais
- D) a universalização imediata da legislação trabalhista, nivelando rapidamente ocupações urbanas e rurais
- E) a queda da migração interna, aproximando os rendimentos entre capital e interior ao longo do tempo
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia os indicadores. Na capital industrial, a formalização (carteira) caiu de 64% para 58% entre 1955 e 1975, mas a renda média subiu de 2,2 para 3,1 salários mínimos. No interior canavieiro, a formalização subiu de 18% para 24%, porém a renda continuou baixa, de 1,2 para 1,6 salário mínimo, e as ocupações eram tratadas como ajuda ou bico.
- Identifique o padrão. Há desigualdade persistente entre espaços: a capital concentra renda e formalização elevadas, enquanto o interior mantém trabalho informal e rendimentos baixos. Além disso, a formalização não cresce de modo uniforme: na capital até diminui, o que indica que a incorporação de direitos ocorre de forma seletiva.
- Relacione ao processo histórico. O padrão descrito corresponde à concentração da industrialização em certas regiões e à incorporação seletiva de direitos trabalhistas, que mantém lado a lado segmentos formais e informais. Esse é o processo que mais contribui para a estratificação social no trabalho.
- Analise as alternativas erradas. A alternativa A está errada porque o indicador do interior mostra renda baixa e formalização ainda restrita, não uma redução de desigualdade pela mecanização. A alternativa B está errada porque os dados não indicam substituição do assalariado por pequenas propriedades nem renda homogênea. A alternativa D está errada porque a legislação não se universalizou rapidamente, já que a formalização no interior permaneceu baixa. A alternativa E está errada porque os dados não mostram queda da migração nem aproximação de rendimentos entre capital e interior.
- Conclusão. A alternativa correta é a C, coerente com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise os dados e relacione com o processo histórico da industrialização e trabalho.
Alternativa por alternativa
O aluno supõe que a mecanização do campo elevou salários e formalização no interior, ignorando que a renda rural permaneceu baixa e a formalização continuou restrita.
Por que engana: Confundir aumento de renda com redução da desigualdade ou interpretar incorretamente os dados de formalização.
O aluno imagina que o trabalho assalariado rural foi substituído por pequenas propriedades com renda homogênea, algo que os dados do canavial não mostram.
Os dados mostram formalização e renda maiores na capital e avanço lento no interior, compatível com industrialização concentrada e direitos trabalhistas aplicados de modo desigual.
O aluno acredita que a legislação trabalhista se estendeu de imediato a todas as ocupações, quando os números mostram formalização baixa e desigual no interior.
O aluno pensa que a queda da migração aproximou os rendimentos, mas os dados mostram que a diferença de renda entre capital e interior persistiu e até aumentou.
Raio-X da questão
estratificação social no trabalho
diagnostico
industrialização no Brasil · mercado de trabalho formal e informal
Estude a industrialização e suas consequências sociais no Brasil.
Confundir aumento de renda com redução da desigualdade ou interpretar incorretamente os dados de formalização.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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