“Primitivos da floresta” era a inscrição presente, desde 1912, na vitrine de uma coleção indígena de um museu…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações nômades e sedentárias, entre outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/ natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando suas ambiguidades.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Primitivos da floresta” era a inscrição presente, desde 1912, na vitrine de uma coleção indígena de um museu do litoral brasileiro. Na revisão do acervo, uma equipe reuniu o antigo catálogo, peças de cerâmica destinadas a trocas, instrumentos de metal obtidos em circuitos comerciais, registros de deslocamentos sazonais e cartas de funcionários públicos sobre negociações territoriais. Representantes indígenas convidados para a revisão questionaram a disposição dos objetos, que os comparava a artefatos urbanos europeus e os apresentava como sinais de uma etapa anterior da humanidade. A equipe deverá propor uma nova organização para a exposição permanente. Avalie os indícios reunidos no texto e identifique o procedimento curatorial que critica adequadamente a tipologia evolutiva presente na antiga vitrine.
- A) Reorganizar os objetos como expressões imutáveis da natureza local, desvinculando-os de escolhas e relações sociais.
- B) Reorganizar os objetos por redes de troca, usos e negociações históricas, sem atribuir-lhes uma posição fixa de atraso.
- C) Reorganizar os objetos em uma sequência do rudimentar ao complexo, tomando a técnica urbana como padrão de progresso.
- D) Reorganizar os objetos separando os grupos móveis dos agricultores, pois a circulação impede vínculos territoriais estáveis.
- E) Reorganizar os objetos priorizando a ação estatal, pois contatos externos eliminam as práticas indígenas.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O texto descreve uma vitrine de 1912 com a inscrição 'Primitivos da floresta', que organiza objetos indígenas numa lógica de etapas anteriores da humanidade, comparando-os a artefatos urbanos europeus. Essa é a tipologia evolutiva que a questão pede para criticar.
- Os indícios reunidos pela equipe são cerâmica de trocas, instrumentos de metal obtidos em circuitos comerciais, registros de deslocamentos sazonais e cartas sobre negociações territoriais. Todos mostram os objetos inseridos em relações sociais, econômicas e políticas, e não como restos de um estágio fixo do passado.
- A crítica adequada é reorganizar a exposição pelas redes de troca, pelos usos e pelas negociações históricas, sem atribuir aos objetos uma posição fixa de atraso. Isso desfaz a hierarquia de progresso e devolve historicidade aos grupos indígenas. Por isso a alternativa B está correta e coincide com o gabarito.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Trata os objetos como expressões imutáveis da natureza, o que reforça a visão essencialista e ignora as escolhas e relações sociais que o texto evidencia.
- C) Mantém exatamente a sequência do rudimentar ao complexo com a técnica urbana como padrão, ou seja, repete a tipologia evolutiva criticada.
- D) Separa grupos por mobilidade e assume que a circulação impede vínculos territoriais, uma premissa não sustentada pelos indícios, que mostram negociações territoriais.
- E) Prioriza a ação estatal e afirma que contatos externos eliminam práticas indígenas, o que contradiz os indícios de trocas e continuidade das relações indígenas.
💡 Dica: Analise o texto para identificar críticas ao modelo evolutivo e proponha um procedimento curatorial adequado.
Alternativa por alternativa
Quem marca A entende que, para evitar o olhar evolutivo, basta apresentar os objetos como produtos fixos do ambiente, sem vínculo com ações humanas. Isso troca uma essencialização por outra.
Os indícios revelam escolhas, circulação e relações políticas. Essa leitura reconhece a historicidade indígena sem medir suas práticas por um padrão único de progresso.
Quem marca C não percebe que a sequência do rudimentar ao complexo, com a técnica urbana como padrão, é justamente a tipologia evolutiva que a equipe critica. Acredita que apenas ordenar os objetos já seria uma análise neutra.
Quem marca D supõe que a mobilidade impede vínculos territoriais estáveis e usa essa ideia para separar grupos. Ignora as cartas sobre negociações territoriais, que indicam relações com o território.
Quem marca E acredita que contatos externos destroem as práticas indígenas e que a ação do Estado deve organizar a narrativa. Desconsidera as trocas e os circuitos comerciais descritos no texto, que mostram continuidade e agência indígena.
Raio-X da questão
curadoria museológica e crítica histórica
diagnostico
história indígena brasileira · curadoria museológica
estude conceitos de curadoria e crítica da tipologia evolutiva em museus
Confundir a crítica à tipologia evolutiva com simples organização de objetos sem considerar o contexto histórico e cultural indígena.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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