Como descrever um povo que deixava marcas duradouras no território e, ainda assim, se deslocava? Ao ler o…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações nômades e sedentárias, entre outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/ natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando suas ambiguidades.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Como descrever um povo que deixava marcas duradouras no território e, ainda assim, se deslocava? Ao ler o catálogo de uma mostra sobre os sambaquis do litoral brasileiro (montes de conchas e sedimentos formados ao longo de muito tempo), um estudante encontra a legenda: “grupos nômades de coletores e pescadores, anteriores aos agricultores sedentários”. Na página seguinte, o catálogo informa que alguns sítios apresentam sepultamentos repetidos no mesmo lugar, indicando uso prolongado, e também restos de plantas cultivadas, mas relata que parte dessas comunidades ocupava diferentes pontos da costa e do interior conforme as estações e a disponibilidade de recursos. O estudante anota que a própria evidência não encaixa bem em uma oposição rígida entre “nômade” e “sedentário”. Com base no texto, identifique a interpretação histórica que melhor critica a tipologia evolutiva implícita na legenda do catálogo.
- A) Defende que apenas sociedades urbanas com escrita produzem história, e grupos móveis ficam sem passado
- B) Supõe que sinais de cultivo eliminam deslocamentos e garantem aldeias estáveis o ano inteiro
- C) Reconhece mobilidade e permanência como estratégias combinadas, sem hierarquizar modos de vida
- D) Considera que viver de recursos naturais indica falta de cultura e confirma a oposição cultura/natureza
- E) Afirma que a mobilidade comprova atraso e que a fixação agrícola é etapa superior inevitável
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O enunciado pede a interpretação que critica a tipologia evolutiva implícita na legenda, que classifica os sambaquis como grupos “nômades” anteriores aos “agricultores sedentários”, como se houvesse uma sequência linear de etapas. Passo 2: O próprio catálogo traz evidências que contrariam essa oposição rígida: sepultamentos repetidos no mesmo lugar indicam uso prolongado e permanência, restos de plantas cultivadas indicam práticas agrícolas, e parte das comunidades se deslocava entre costa e interior conforme as estações e os recursos disponíveis. Passo 3: Logo, mobilidade e permanência aparecem combinadas na mesma população, como estratégias de sobrevivência e de uso do território, e não como estágios excludentes de um processo evolutivo. A alternativa C descreve exatamente isso, reconhecendo essa combinação sem hierarquizar modos de vida. Passo 4: Por que as outras estão erradas: A nega história a grupos sem escrita, algo que o texto não menciona e que vai contra a ideia de que os sambaquis deixaram marcas no território. B repete a mesma lógica evolutiva da legenda, supondo que o cultivo elimina o deslocamento, o que o texto desmente ao mostrar grupos móveis que ainda assim cultivavam. D naturaliza uma oposição cultura/natureza que o texto não sustenta, pois viver de recursos naturais não é apresentado como falta de cultura. E apenas inverte a hierarquia da legenda, afirmando que a fixação agrícola é etapa superior inevitável, o que também é uma leitura evolutiva que o catálogo não confirma. Passo 5: Conclusão: a crítica ao modelo do catálogo está na alternativa C, que trata mobilidade e permanência como estratégias combinadas, sem hierarquia entre os modos de vida.
💡 Dica: Analise o texto para identificar críticas à classificação entre nômades e sedentários.
Alternativa por alternativa
Associa história apenas à escrita e às cidades, concluindo que grupos móveis não têm passado e portanto não podem ser descritos historicamente.
Entende que a presença de plantas cultivadas comprova que a comunidade se fixou por completo, eliminando qualquer deslocamento, o que ignora o trecho que descreve ocupação de diferentes pontos conforme as estações.
Os dados sugerem uso prolongado de lugares e deslocamentos sazonais; a crítica é recusar a ideia de “estágio superior” fixo.
Acredita que viver da coleta e da pesca é sinal de ausência de cultura, reproduzindo o senso comum de que natureza e cultura são campos opostos e hierarquizados.
Aceita a mesma lógica evolutiva da legenda, vendo a mobilidade como atraso e a agricultura como etapa superior, sem perceber que o catálogo questiona essa sequência linear.
Raio-X da questão
nomadismo e sedentarismo histórico
diagnostico
conceito de nomadismo · conceito de sedentarismo
Estude as características dos povos nômades e sedentários e suas classificações históricas.
Confundir nomadismo com ausência total de uso prolongado do território ou sedentarismo com ocupação fixa sem variações.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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