O texto de uma etiqueta antiga, guardada no arquivo de um museu, descrevia os povos pastoris das estepes…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações nômades e sedentárias, entre outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/ natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando suas ambiguidades.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
O texto de uma etiqueta antiga, guardada no arquivo de um museu, descrevia os povos pastoris das estepes assim: “Sem moradia fixa e sem cidades, viviam mais perto da natureza; por isso, representariam uma fase anterior ao desenvolvimento de sociedades complexas”. Na revisao da exposicao, a equipe de curadoria reuniu outras informacoes: rotas sazonais marcadas por acordos de uso de pastagens, redes de troca com centros urbanos vizinhos, producao de tecidos e metalurgia, alem de familias que mantinham abrigo de inverno em um ponto fixo e acampamentos de verao em outro. Diante disso, o museu decidiu substituir a etiqueta antiga por um texto que evitasse hierarquizar formas de vida e explicasse por que a mobilidade era parte de uma organizacao social e economica especifica. Com base no texto-base, identifique a formulacao que melhor critica a tipologia evolutiva e a oposicao dicotomica presentes na etiqueta antiga.
- A) Explica a mobilidade como ausencia de organizacao, ja que rotas sazonais impediriam regras e cooperacao coletiva.
- B) Reafirma a mobilidade como sinal de atraso, pois apenas a vida urbana indicaria desenvolvimento social e politico.
- C) Reconhece a mobilidade como escolha historica articulada a redes de troca, sem tratar a fixacao urbana como superior.
- D) Define esses grupos como sem cultura, por viverem mais perto da natureza e dependerem principalmente do ambiente.
- E) Interpreta a mobilidade como etapa provisoria que necessariamente terminaria na construcao de cidades permanentes.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o problema da etiqueta antiga. Ela constrói uma tipologia evolutiva, em que sociedades sem moradia fixa e sem cidades aparecem como fase anterior, menos desenvolvida, das sociedades complexas. Essa é uma oposição dicotômica: de um lado, natureza e mobilidade; do outro, cidades e complexidade social.
- Analise os dados trazidos pela curadoria. Há rotas sazonais organizadas por acordos de uso de pastagens, redes de troca com centros urbanos, produção de tecidos e metalurgia, e famílias com abrigo de inverno fixo e acampamentos de verão. Ou seja, a mobilidade faz parte de um sistema social e econômico próprio, com regras, cooperação e comércio.
- Avalie as alternativas. A alternativa C reconhece a mobilidade como escolha histórica ligada a redes de troca e não trata a fixação urbana como superior, o que critica diretamente a hierarquia evolutiva e a dicotomia. A alternativa A está errada porque afirma que há ausência de organização, contrariando os acordos de pastagem descritos. A alternativa B está errada porque reafirma o atraso das formas móveis, exatamente o que a etiqueta antiga fazia. A alternativa D está errada porque nega a cultura desses grupos, que produziam tecidos e metalurgia. A alternativa E está errada porque trata a mobilidade como etapa provisória rumo às cidades, reproduzindo a tipologia evolutiva criticada.
- Conclusão. A formulação que melhor critica a tipologia evolutiva e a oposição dicotômica é a C, que concorda com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise as informações do texto-base para identificar a crítica à visão evolutiva tradicional.
Alternativa por alternativa
Confunde ausência de moradia fixa com ausência de organização social, supondo que a mobilidade impede regras e cooperação coletiva.
Mantém a ideia de que só a vida urbana indica desenvolvimento, repetindo a hierarquia da etiqueta antiga sem questioná-la.
Por que engana: Confundir mobilidade com ausência de organização social e hierarquizar formas de vida.
A revisao recusa a ideia de “fase anterior” e mostra combinacao de mobilidade/fixacao e complexidade social.
Associa viver próximo da natureza a não ter cultura, ignorando que a produção de tecidos e a metalurgia são práticas culturais e técnicas.
Aceita a ideia de que a mobilidade é uma fase transitória que levaria necessariamente às cidades, o que reproduz a tipologia evolutiva criticada.
Raio-X da questão
tipologia evolutiva e mobilidade social
diagnostico
sociedades antigas e mobilidade
estudo sobre sociedades pastoris e crítica à evolução linear
Confundir mobilidade com ausência de organização social e hierarquizar formas de vida.
pensamento_critico
historico
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