— Parece real, mas é real? — perguntou um visitante ao sair de uma exposição imersiva sobre a escravidão em um…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Parece real, mas é real? — perguntou um visitante ao sair de uma exposição imersiva sobre a escravidão em um museu municipal. A mostra projetava “depoimentos” em primeira pessoa, com voz e rosto gerados por inteligência artificial a partir de registros históricos e imagens de arquivo. Após a inauguração, pesquisadores e descendentes de pessoas retratadas criticaram a ausência de indicação clara do que era documento e do que era reconstrução, além de questionarem quem autorizou o uso de nomes e traços. Na audiência pública, a empresa responsável afirmou que não poderia revelar quais bases de dados e critérios de edição foram usados, por envolver “segredo comercial”. Parte do público defendeu a tecnologia por “aproximar os jovens do passado”, enquanto outros alertaram que trechos editados circulavam nas redes como se fossem fonte histórica. A partir do texto-base, conclua qual diretriz de ação pública responde ao impasse ético-político descrito, preservando a circulação social do conhecimento histórico.
- A) Instituir transparência sobre bases e autoria, rotular reconstruções sintéticas e abrir controle social sobre curadoria e uso de imagens
- B) Proibir tecnologias digitais em museus para garantir autenticidade, restringindo exposições a objetos físicos e textos técnicos
- C) Autorizar o uso sem rotulagem para evitar censura, aceitando que o público interprete livremente o que circula nas redes
- D) Transferir decisões a um órgão policial, punindo versões divergentes para impedir controvérsias sobre interpretações do passado
- E) Delegar à empresa a definição exclusiva do conteúdo, aceitando sigilo comercial como critério suficiente para narrar o passado
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto descreve um impasse entre o uso de reconstruções sintéticas (vozes e rostos gerados por IA) em uma exposição histórica e a falta de clareza sobre o que é documento e o que é reconstrução. Há três problemas: ausência de rotulagem, sigilo sobre bases e critérios de edição, e questionamento sobre autorização do uso de nomes e traços de pessoas reais.
- Procuro a diretriz que enfrente esses três problemas sem fechar o acesso ao conhecimento histórico. A alternativa A propõe transparência sobre bases e autoria, o que responde ao sigilo comercial; rotulagem das reconstruções sintéticas, o que responde à confusão entre documento e reconstrução; e controle social sobre curadoria e uso de imagens, o que responde à questão de quem autorizou o uso dos nomes e traços.
- As demais alternativas são erradas. A B proíbe a tecnologia e restringe o acesso, contrariando a ideia de aproximar o público do passado. A C aceita a confusão ao dispensar rotulagem, o que agrava o problema de circulação de trechos como fonte histórica. A D transfere a interpretação do passado a um órgão policial, o que ameaça a liberdade de debate historiográfico. A E entrega a narrativa à empresa e aceita o sigilo comercial, eliminando qualquer controle público.
- Portanto, a diretriz correta é a A, que é coerente com o gabarito oficial. Ela preserva a circulação social do conhecimento histórico ao mesmo tempo em que torna visível o que é fonte e o que é reconstrução.
💡 Dica: Analise o texto para identificar o conflito ético e a diretriz pública adequada.
Alternativa por alternativa
Enfrenta a opacidade e o risco de confusão entre fonte e ficção, sem impedir o acesso; combina inovação com responsabilização pública da memória.
O aluno acredita que a única forma de garantir autenticidade é eliminar a tecnologia, confundindo confiabilidade com exclusão de recursos digitais.
O aluno entende que liberdade de interpretação dispensa qualquer identificação do que é reconstrução, ignorando que o público precisa distinguir fonte e ficção para interpretar bem.
O aluno associa a resolução de controvérsias sobre o passado à punição e ao controle policial, desconsiderando que o debate histórico se resolve pela transparência e pela crítica pública.
O aluno considera que o sigilo comercial legitima a empresa como única autoridade sobre a narrativa histórica, sem perceber que o texto aponta justamente a falta de controle público como problema.
Raio-X da questão
ética na divulgação histórica
avaliacao
interpretação de textos históricos · ética e cidadania
estude ética e responsabilidade na comunicação histórica
Confundir opinião pessoal com diretriz ética ou não relacionar o problema à circulação do conhecimento histórico.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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