[...] O Brasil linguístico que vigorou até meados do século XVIII, no qual as línguas gerais ocupavam um…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
[...] O Brasil linguístico que vigorou até meados do século XVIII, no qual as línguas gerais ocupavam um espaço definitivo e se difundiam rumo ao sertão a partir de dois grandes núcleos, Amazônia e entorno de São Paulo, acabou sendo substituído por um espraiamento do português vinculado diretamente ao Nordeste, à lavoura que se servia da mão de obra escrava, aos negros africanos. Nessa situação, fica nítido que eles teriam sido a linha de frente da real lusitanização do território, ao mesmo tempo que iam transformando a língua aprendida numa coisa efetivamente nova, depois levada para outros pontos do país à medida que os ciclos econômicos se sucediam, cada um com seu centro num ponto diferente do território. Se é para pensarmos no português brasileiro como algo que se encontra num caldeirão, é preciso reconhecer quanto o conteúdo desse caldeirão teve que ser mexido e remexido para produzir nossa atual paisagem linguística. E é preciso reconhecer também que os primeiros e mais importantes desses movimentos foram determinados pela grande massa de falantes africanos que iam carregando e modificando essa língua durante todo o processo. Refundado e recaracterizado por eles. Apesar das adversidades, foi a língua falada por negros e mestiços que dominou o Brasil. Somos um país que fala português como fruto direto dessa presença negra. Talvez caiba deixar de lado por um momento a bela ideia da “última flor do Lácio”. O português brasileiro foi um broto africano, flor de Luanda. A respeito das expressões “última flor do Lácio” e “broto africano, flor de Luanda”, é correto afirmar que: (UFPR 2024)
- A) consistem em duas metáforas convergentes.
- B) expressam a deslegitimação, pelo autor, das raízes latinas do português brasileiro.
- C) enfatizam a precedência da origem africana em relação à origem portuguesa.
- D) relativizam a ênfase da influência do latim para a influência africana na formação do português brasileiro.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique o que o autor faz com as duas expressões. A 'última flor do Lácio' é a imagem tradicional que associa o português à herança latina, de origem clássica. Já 'broto africano, flor de Luanda' atribui a formação do português brasileiro à presença africana. Passo 2: Observe o trecho 'Talvez caiba deixar de lado por um momento a bela ideia da última flor do Lácio'. O autor não nega o latim, apenas pede que essa ideia seja posta de lado por um momento, para dar destaque à influência africana. Isso relativiza a ênfase tradicional no latim. Passo 3: Verifique a alternativa D, que afirma exatamente isso: relativiza a ênfase da influência do latim em favor da influência africana. Ela é a correta. Passo 4: Analise as demais. A) Está errada, pois as expressões não são convergentes; uma aponta para o latim e a outra para a África, com sentidos opostos. B) Está errada, porque o autor não deslegitima as raízes latinas; ele apenas propõe deixá-las em segundo plano por um momento. C) Está errada, pois o texto não fala em precedência da origem africana sobre a portuguesa; a comparação é entre a herança latina e a africana, e a língua portuguesa é apresentada como base recriada por falantes africanos. Passo 5: Conclusão: a resposta correta é a alternativa D, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o significado das expressões no contexto do texto.
Alternativa por alternativa
O aluno percebe que as duas expressões são metáforas botânicas e conclui que elas se complementam. Não nota que apontam para origens opostas.
O aluno entende que, ao propor deixar de lado a ideia da última flor do Lácio, o autor rejeita completamente o latim. Ignora o caráter provisório e relativo do 'por um momento'.
O aluno confunde a comparação entre latim e África com uma comparação entre África e Portugal. Conclui que o texto afirma uma precedência africana sobre a origem portuguesa, que não aparece no texto.
CORRETA. A alternativa reconhece que o autor relativiza a ênfase tradicional dada à influência do latim, destacando a importância da influência africana na formação do português brasileiro.
Raio-X da questão
interpretação de metáforas linguísticas
diagnostico
interpretação de texto · análise de metáforas
estudo de metáforas e contexto histórico-linguístico
Confundir o sentido figurado das expressões e não relacionar com o contexto histórico da língua portuguesa no Brasil.
pensamento_critico
historico
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