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Língua PortuguesaUERJBNCC EM13LP01Difícil⏱ medio

Nosso pensamento, como toda entidade viva, nasce para se vestir de fronteiras. Essa invenção é uma espécie de…

Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva

Habilidade BNCC EM13LP01

Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.

Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).

Questão

Nosso pensamento, como toda entidade viva, nasce para se vestir de fronteiras. Essa invenção é uma espécie de vício de arquitetura, pois não há infinito sem linha do horizonte. A verdade é que a vida tem fome de fronteiras. Porque essas fronteiras da natureza não servem apenas para fechar. Todas as membranas orgânicas são entidades vivas e permeáveis. São fronteiras feitas para, ao mesmo tempo, delimitar e negociar: o “dentro” e o “fora” trocam-se por turnos. Um dos casos mais notáveis na construção de fronteiras acontece no mundo das aves. É o caso do nosso tucano, o tucano africano, que fabrica o ninho a partir do oco de uma árvore. Nesse vão, a fêmea se empareda literalmente, erguendo, ela e o macho, um tapume de barro. Essa parede tem apenas um pequeno orifício, ele é a única janela aberta sobre o mundo. Naquele cárcere escuro, a fêmea arranca as próprias penas para preparar o ninho das futuras crias. Se quisesse desistir da empreitada, ela morreria, sem possibilidade de voar. Mesmo neste caso de consentida clausura, a divisória foi inventada para ser negada. Mas o que aqueles pássaros construíram não foi uma parede: foi um buraco. Erguemos paredes inteiras como se fôssemos tucanos cegos. De um e do outro lado há sempre algo que morre, truncado do seu lado gêmeo. Aprendemos a demarcarmo-nos do Outro e do Estranho como se fossem ameaças à nossa integridade. Temos medo da mudança, medo da desordem, medo da complexidade. Precisamos de modelos para entender o universo (que é, afinal, um pluriverso ou um multiverso), que foi construído em permanente mudança, no meio do caos e do imprevisível. A própria palavra “fronteira” nasceu como um conceito militar, era o modo como se designava a frente de batalha. Nesse mesmo berço aconteceu um fato curioso: um oficial do exército francês inventou um código de gravação de mensagens em alto-relevo. Esse código servia para que, nas noites de combate, os soldados pudessem se comunicar em silêncio e no escuro. Foi a partir desse código que se inventou o sistema de leitura Braille. No mesmo lugar em que nasceu a palavra “fronteira” sucedeu um episódio que negava o sentido limitador da palavra. A fronteira concebida como vedação estanque tem a ver com o modo como pensamos e vivemos a nossa própria identidade. Somos um pouco como a tucana que se despluma dentro do escuro: temos a ilusão de que a nossa proteção vem da espessura da parede. Mas seriam as asas e a capacidade de voar que nos devolveriam a segurança de ter o mundo inteiro como a nossa casa. A exposição do autor confere um caráter universal ao tema das fronteiras. No primeiro parágrafo, a marca linguística que melhor evidencia esse caráter conferido ao tema é: (UERJ 2017)

  1. A) predomínio dos verbos no presente do indicativo
  2. B) emprego das aspas como índice de formalidade
  3. C) destaque de estruturas explicativas diversas
  4. D) uso de elementos de negação categórica

✅ Resposta correta: alternativa A

Resolução passo a passo

  1. A questão pede a marca linguística do primeiro parágrafo que melhor confere caráter universal ao tema das fronteiras. Um texto que trata de um tema de forma universal costuma fazer afirmações gerais, válidas para qualquer caso e qualquer tempo. Isso se realiza, em geral, com o presente do indicativo usado em sentido atemporal (presente genérico ou gnômico).
  2. No primeiro parágrafo, os verbos aparecem no presente: nasce, é, tem, são, servem. Ao afirmar que 'nosso pensamento... nasce para se vestir de fronteiras' e que 'a vida tem fome de fronteiras', o autor não relata um fato pontual, mas enuncia verdades válidas para todos os seres vivos e para qualquer época.
  3. Portanto, a alternativa A é a correta, e o gabarito oficial está certo.
  4. A alternativa B está errada, pois o primeiro parágrafo não contém aspas; elas aparecem em outros trechos do texto e não indicam formalidade nem generalidade.
  5. A alternativa C está errada, pois o parágrafo tem alguma explicação, como o 'pois' em 'pois não há infinito sem linha do horizonte', mas essa explicação justifica uma ideia específica e não generaliza o tema.
  6. A alternativa D está errada, pois há negações no parágrafo (não há infinito, não servem apenas para fechar), mas são negações pontuais e restritivas, não categóricas, e não são a marca que amplia o tema para o universal.

💡 Dica: Observe o tempo verbal predominante no primeiro parágrafo para identificar o caráter universal.

Alternativa por alternativa

A Correta

CORRETA. O predomínio dos verbos no presente do indicativo confere ao texto um caráter universal e atemporal, indicando que as ideias expostas são válidas em qualquer tempo.

B Erradaerro: Conceitual

O aluno associa o uso de aspas a formalidade ou a citação de autoridade e supõe que elas dão ao tema um caráter geral, sem verificar que o primeiro parágrafo não possui aspas.

C Erradaerro: Conceitual

O aluno acredita que qualquer estrutura explicativa (como 'pois' ou 'porque') torna o texto universal, confundindo justificativa de uma ideia específica com generalização do tema.

D Erradaerro: Conceituala que mais engana

O aluno confunde negação com generalidade, achando que expressões negativas como 'não há' e 'não servem' universalizam o tema, quando nesse parágrafo elas são restritivas e pontuais.

Por que engana: Confundir o uso do presente do indicativo com outros tempos verbais ou interpretar incorretamente o caráter universal do texto.

Raio-X da questão

Dificuldade Difícil
Leitura alto
Discriminação medio
Peso pedagógico medio
Autonomia do enunciado completo
Cobertura da habilidade unica
🧪 Simulado🩺 Diagnóstico🧮 Exige cálculo🏠 Cotidiano🔗 Interdisciplinar⭐ Representativa✍️ interpretativa🧩 progressao
🎯 Conceito central

tempo verbal presente universalidade

📌 Objetivo

diagnostico

🧱 Pré-requisitos

tempos verbais básicos · funções do presente do indicativo

📚 Reveja

Estude o uso do presente do indicativo para expressar universalidade.

⚠️ Erro mais comum

Confundir o uso do presente do indicativo com outros tempos verbais ou interpretar incorretamente o caráter universal do texto.

🤝 Socioemocional

pensamento_critico

🏫 Contexto

abstrato

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