Talvez estejamos muito condicionados a uma ideia de ser humano e a um tipo de existência. Se a gente…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Talvez estejamos muito condicionados a uma ideia de ser humano e a um tipo de existência. Se a gente desestabilizar esse padrão, talvez nossa mente sofra uma espécie de ruptura, como se caíssemos num abismo. Quem disse que a gente não pode cair? Quem disse que a gente já não caiu? Houve um tempo em que o planeta que chamamos Terra juntava os continentes todos numa grande Pangeia. Se olhássemos lá de cima do céu, tiraríamos uma fotografia completamente diferente do globo. Quem sabe se, quando o astronauta Iúri Gagarin disse “a Terra é azul”, ele não fez um retrato ideal daquele momento para essa humanidade que nós pensamos ser. Ele olhou com o nosso olho, viu o que a gente queria ver. Existe muita coisa que se aproxima mais daquilo que pretendemos ver do que se podia constatar se juntássemos as duas imagens: a que você pensa e a que você tem. Se já houve outras configurações da Terra, inclusive sem a gente aqui, por que é que nos apegamos tanto a esse retrato com a gente aqui? O Antropoceno tem um sentido incisivo sobre a nossa existência, a nossa experiência comum, a ideia do que é humano. O nosso apego a uma ideia fixa de paisagem da Terra e de humanidade é a marca mais profunda do Antropoceno. Considerando o período “Se a gente desestabilizar esse padrão, talvez nossa mente sofra uma espécie de ruptura, como se caíssemos num abismo” (sublinhado no texto), assinale a alternativa que indica, respectivamente, as relações lógico-sintáticas aí expressas. (UFPR 2024)
- A) Hipótese, suposição, comparação.
- B) Condição, inferência, suposição.
- C) Causa, consequência, conclusão.
- D) Causa, oposição, analogia.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique as partes do período. A oração 'Se a gente desestabilizar esse padrão' é uma oração subordinada adverbial que expressa uma hipótese: a ruptura só ocorreria caso o padrão fosse desestabilizado. Passo 2: O advérbio 'talvez' indica suposição, isto é, o autor não afirma a ruptura como certa, apenas a supõe como possível. Passo 3: A oração 'como se caíssemos num abismo' é uma comparação hipotética, introduzida pela locução 'como se', que compara a ruptura mental a uma queda em um abismo, algo que não ocorre de fato. Passo 4: Logo, as três relações expressas no período são, nesta ordem, hipótese, suposição e comparação, o que corresponde exatamente à alternativa A, que é o gabarito oficial e está correta. Passo 5: Por que as demais estão erradas: a alternativa B está errada porque 'inferência' não aparece no período, já que não há conclusão derivada de premissas; a alternativa C está errada porque 'se' não introduz causa nem consequência e não há conclusão no período; a alternativa D está errada porque 'se' não indica causa, não há oposição entre as ideias e 'analogia' é menos precisa que 'comparação' para descrever 'como se'. Passo 6: Observação: a alternativa B aproxima-se em parte pelo termo 'condição', que é um sinônimo próximo de hipótese, mas a segunda relação, 'inferência', não corresponde ao texto.
💡 Dica: Analise as relações de causa, condição e consequência no período.
Alternativa por alternativa
CORRETA. O período apresenta uma hipótese introduzida pela conjunção 'Se', uma suposição expressa pelo advérbio 'talvez' e uma comparação feita pela locução 'como se'.
O aluno identifica corretamente a oração com 'se' como condição, mas acredita que o restante do período expressa uma inferência, como se o autor tirasse uma conclusão lógica a partir de premissas.
O aluno confunde a conjunção condicional 'se' com conjunções causais e consequenciais, interpretando a desestabilização como causa de uma ruptura e a ruptura como conclusão do raciocínio.
O aluno lê 'se' como causa, por intuição de que a ação gera o efeito, e entende 'como se' como oposição ou analogia, sem reconhecer a comparação hipotética e a suposição marcada por 'talvez'.
Raio-X da questão
relações lógico-sintáticas
diagnostico
conjunções coordenadas e subordinadas · estrutura sintática de orações
Estude as conjunções e relações de sentido entre orações.
Confundir relações de condição com causa ou consequência ao interpretar o período.
pensamento_critico
abstrato
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