Enquanto editava um episódio de podcast sobre “histórias de começo”, selecionei duas narrativas resumidas. Na…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar sentidos do viver e do morrer em diferentes tradições religiosas, através do estudo de mitos fundantes.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Enquanto editava um episódio de podcast sobre “histórias de começo”, selecionei duas narrativas resumidas. Na primeira, um rei justo é morto e tem o corpo dividido por um rival. Depois de ser recomposto por sua companheira, ele não volta a governar entre os vivos: passa a reinar no mundo dos mortos. Ali, cada pessoa que morre tem o coração comparado a uma pena; quem viveu em desarmonia e mentira não alcança um destino tranquilo. Na segunda, um príncipe deixa o palácio ao perceber doença, velhice e morte. Ele decide buscar uma saída para o sofrimento que atinge todos os seres. A narrativa afirma que ações e escolhas influenciam novos nascimentos e que a libertação ocorre quando se compreende a causa do sofrimento e se deixa de alimentar o apego. Ao final, o roteiro pedia uma frase que explicasse como cada história dá sentido ao viver e ao morrer. Com base nos dois relatos, identifique a interpretação que melhor relaciona os sentidos do viver e do morrer expressos em cada narrativa.
- A) O primeiro liga a morte a renascimentos; o segundo liga a morte a julgamento moral realizado por uma divindade.
- B) O primeiro liga a morte a julgamento moral; o segundo liga a morte a renascimentos e busca de libertação do apego.
- C) O primeiro liga a morte a esquecimento sem consequências; o segundo liga a morte a escolha de um governante para o mundo dos mortos.
- D) O primeiro liga a morte a retorno imediato ao corpo; o segundo liga a morte a recompensa por ter vivido em obediência total.
- E) O primeiro liga a morte ao fim definitivo; o segundo liga a morte a uma vida eterna garantida a todos.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique a primeira narrativa. O rei justo morto, dividido por um rival e recomposto pela companheira, que passa a reinar no mundo dos mortos, corresponde ao mito egípcio de Osíris. Nesse mundo, o coração de cada morto é pesado em comparação a uma pena, e quem viveu em desarmonia e mentira não alcança um destino tranquilo. Logo, a morte está ligada a um julgamento moral.
- Identifique a segunda narrativa. O príncipe que deixa o palácio ao perceber doença, velhice e morte, e que busca libertar-se do sofrimento, corresponde à trajetória de Siddhartha Gautama, o Buddha. A narrativa fala de ações que influenciam novos nascimentos, ou seja, do ciclo de renascimentos, e de libertação ao compreender a causa do sofrimento e abandonar o apego.
- Compare com as alternativas. A alternativa B afirma que o primeiro liga a morte a julgamento moral e que o segundo liga a morte a renascimentos e à busca de libertação do apego. Isso coincide com o que foi identificado nos dois relatos, por isso ela está correta, em concordância com o gabarito oficial.
- Por que as outras estão erradas. A: inverte as associações, pois o primeiro não fala em renascimento e o segundo não fala em julgamento por uma divindade. C: o primeiro não apresenta esquecimento sem consequências, e o segundo não trata de escolha de um governante para o mundo dos mortos. D: o primeiro não trata de retorno imediato ao corpo, e o segundo não apresenta recompensa por obediência total. E: o primeiro não encerra a existência no fim definitivo, pois há um reinado no além, e o segundo não garante vida eterna a todos, já que propõe a libertação do ciclo de sofrimento.
💡 Dica: Compare as interpretações das narrativas sobre vida e morte.
Alternativa por alternativa
O aluno troca as associações: atribui renascimento ao mito egípcio e julgamento moral por uma divindade ao budismo, como se as duas narrativas tivessem invertido seus conceitos.
Por que engana: Confundir os sentidos atribuídos à morte nas duas narrativas, invertendo julgamento moral e renascimento.
O coração “pesado/leves” indica avaliação do viver após a morte; já o ciclo de nascimentos e a superação do apego orientam viver e morrer na segunda narrativa.
O aluno interpreta mal o primeiro relato, achando que a morte apaga tudo sem consequências, o que contraria a pesagem do coração; e confunde o papel de Osíris como governante do além com uma escolha de destino.
O aluno entende a ressurreição de Osíris como retorno imediato ao corpo e vê no budismo uma recompensa por obediência, ideia típica de religiões de obediência a uma autoridade, sem perceber que a narrativa trata de libertação do apego.
O aluno supõe que a morte no primeiro relato é fim definitivo, ignorando o reinado de Osíris no mundo dos mortos, e atribui ao segundo uma vida eterna garantida a todos, quando o budismo busca justamente romper o ciclo de renascimentos.
Raio-X da questão
interpretação de narrativas religiosas
diagnostico
interpretação de textos narrativos · conceitos básicos de religiões
estude conceitos de vida, morte e renascimento em religiões
Confundir os sentidos atribuídos à morte nas duas narrativas, invertendo julgamento moral e renascimento.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
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