Ao moderar um memorial digital criado por moradores do bairro, notei que as famílias descreviam a morte de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar sentidos do viver e do morrer em diferentes tradições religiosas, através do estudo de mitos fundantes.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao moderar um memorial digital criado por moradores do bairro, notei que as famílias descreviam a morte de modos bem diferentes. Para evitar textos que desrespeitassem crenças, li duas narrativas de origem apresentadas em uma roda de conversa comunitária. Na primeira, de um povo Guarani, conta-se que o Criador orienta o modo de viver em comunidade e indica a busca de uma “terra sem mal”, entendida como um destino ligado ao caminhar de vida. Na segunda, de tradição hindu, um jovem dialoga com Yama, associado à morte, e aprende que o morrer não apaga a existência: a forma de viver influencia os renascimentos, e o objetivo maior é romper o ciclo ao reconhecer o sentido do eu. Diante disso, eu precisava escrever uma frase curta e neutra para o site, sem reduzir uma crença à outra. Analise as duas narrativas e identifique a formulação que melhor respeita os sentidos do viver e do morrer nelas apresentados, sem transformá-las em uma única explicação.
- A) Explicar que morrer leva ao mesmo lugar em todas as crenças, e viver só muda os rituais de despedida adotados pela família.
- B) Explicar que morrer é apenas o fim do corpo, e viver serve para aproveitar o presente, pois mitos não tratam de destino.
- C) Explicar que morrer pode ser travessia ou continuidade, e viver orienta o destino por vínculos comunitários e pelas escolhas de vida.
- D) Explicar que morrer é castigo definido no nascimento, e viver não altera nada, pois o destino já está fixo pelo sagrado.
- E) Explicar que morrer é uma viagem para um lugar físico específico, e viver consiste em seguir um mapa correto para chegar lá.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia as duas narrativas e identifique o que cada uma diz sobre viver e morrer. Na primeira (Guarani), o viver é orientado pelo Criador e pela vida em comunidade, com a busca da terra sem mal como destino ligado ao caminhar de vida. Na segunda (hindu), o morrer não apaga a existência, a forma de viver influencia os renascimentos e o objetivo maior é romper o ciclo reconhecendo o sentido do eu.
- Procure a formulação que respeite essas ideias sem reduzi-las a uma explicação única. A alternativa C fala em morrer como travessia ou continuidade, o que acolhe tanto a ideia de caminhar para outro lugar quanto a de continuidade da existência hindu. Além disso, ela diz que viver orienta o destino por vínculos comunitários e escolhas de vida, o que corresponde à vida em comunidade guarani e à influência da conduta sobre os renascimentos hindus.
- Verifique as demais alternativas. A alternativa A é errada porque afirma que todas as crenças levam ao mesmo lugar, apagando as diferenças entre elas. A alternativa B é errada porque reduz a morte ao fim do corpo, o que contraria a continuidade da existência na narrativa hindu, e nega o caráter de destino dos mitos. A alternativa D é errada porque fala em castigo e destino fixo, o que não aparece em nenhuma das narrativas, que valorizam a escolha e a forma de viver. A alternativa E é errada porque transforma a morte em viagem a um lugar físico e a vida em seguir um mapa, o que reduz a terra sem mal e o ciclo de renascimentos a uma imagem literal.
- Conclusão: a alternativa C é a única que mantém os sentidos de cada narrativa sem fundi-los, por isso ela é a resposta correta, coincidindo com o gabarito oficial.
💡 Dica: Compare as narrativas e identifique a frase que respeita ambas as crenças sem reduzi-las.
Alternativa por alternativa
Acredita que as crenças são equivalentes e que apenas os rituais variam, ignorando as diferenças de sentido sobre o destino após a morte.
Por que engana: Confundir as crenças e reduzir as narrativas a uma única explicação simplista.
Entende que a morte encerra toda a existência e que os mitos não tratam de destino, desconsiderando a continuidade e o ciclo de renascimentos da narrativa hindu.
Sintetiza as duas: morte como passagem/continuidade e vida como caminho que orienta o destino, sem igualar as tradições.
Interpreta a crença como destino fixo e castigo, desconsiderando que as narrativas valorizam as escolhas de vida e a conduta como fatores de transformação.
Toma a terra sem mal e o ciclo de renascimentos como localizações físicas e caminhos literais, lendo a linguagem simbólica dos mitos de forma concreta demais.
Raio-X da questão
respeito a crenças diversas
diagnostico
interpretação de textos culturais
estude as diferentes visões sobre vida e morte em culturas diversas
Confundir as crenças e reduzir as narrativas a uma única explicação simplista.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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