Ao preparar um painel sobre “trabalho e direitos no Brasil urbano”, uma curadora reuniu registros de duas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao preparar um painel sobre “trabalho e direitos no Brasil urbano”, uma curadora reuniu registros de duas épocas. Em 1946, numa capital do Nordeste, um levantamento municipal estimava que 32% dos ocupados tinham vínculo registrado; a renda média declarada era de 1,2 salário mínimo. Quatro décadas depois, na região metropolitana de São Paulo, um boletim sindical indicava 68% de trabalhadores com carteira e renda média de 3,1 salários mínimos na indústria. No mesmo boletim, porém, aparecia um quadro específico: entre trabalhadoras do serviço doméstico na cidade, apenas 8% tinham carteira e a renda média era de 1,1 salário mínimo. As fichas de contratação associavam a ocupação doméstica majoritariamente a mulheres negras migrantes, enquanto a indústria reunia sobretudo homens em postos especializados. A partir do texto-base, conclua a hipótese interpretativa que melhor orienta o painel ao relacionar indicadores de emprego e renda a processos históricos de estratificação e desigualdade.
- A) Atribuir as diferenças a uma formalização seletiva ligada à urbanização industrial e a direitos concentrados em certos setores.
- B) Atribuir as diferenças ao fim do trabalho escravo, determinante direto dos vínculos formais nas décadas comparadas.
- C) Atribuir as diferenças à igualdade assegurada por leis, indicando que o mercado já superou a estratificação social.
- D) Atribuir as diferenças à migração nordestina como causa única da baixa renda, independentemente do tipo de ocupação.
- E) Atribuir as diferenças à escolaridade individual, suficiente para neutralizar desigualdades regionais, raciais e de gênero.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto traz dados de duas épocas: em 1946, apenas 32% dos ocupados numa capital do Nordeste tinham vínculo registrado e a renda média era de 1,2 salário mínimo; quatro décadas depois, 68% dos trabalhadores da região metropolitana de São Paulo tinham carteira e a renda média na indústria era de 3,1 salários mínimos. Passo 2: O ponto decisivo é o quadro específico do serviço doméstico, em que apenas 8% tinham carteira e a renda média era de 1,1 salário mínimo, com predominância de mulheres negras migrantes. Isso mostra que a formalização e a renda não avançaram de modo uniforme, mas se concentraram em certos setores, como a indústria urbana. Passo 3: A alternativa A é a que melhor orienta o painel, pois relaciona as diferenças à formalização seletiva ligada à urbanização industrial e aos direitos concentrados em certos setores, o que corresponde ao padrão de estratificação histórica apresentado. Passo 4: Por que as outras estão erradas: a B atribui tudo ao fim do trabalho escravo, o que o texto não sustenta, pois não trata disso como causa dos vínculos formais. A C afirma que a lei já igualou as condições e que o mercado superou a estratificação, contrariando os dados do serviço doméstico. A D reduz a baixa renda à migração nordestina como causa única, ignorando o tipo de ocupação, que é justamente o fator destacado no texto. A E atribui as diferenças à escolaridade individual, algo que o texto não menciona e que não explica as desigualdades raciais e de gênero descritas. Passo 5: Conclusão: a leitura correta relaciona os indicadores de emprego e renda a processos históricos de desigualdade e estratificação, e a alternativa A é a única coerente com isso.
💡 Dica: Analise os dados e relacione-os aos processos históricos de desigualdade social.
Alternativa por alternativa
Sintetiza os dados: maior formalização e renda no polo industrial, mas exclusão relativa do doméstico, reforçando estratos.
O aluno associa a desigualdade de vínculos formais a uma causa histórica única e direta, ignorando que o texto trata da formalização desigual ao longo do tempo, não do fim da escravidão.
Por que engana: Confundir causas históricas complexas com explicações simplistas ou únicas, como migração ou escolaridade isoladas.
O aluno acredita que a existência de leis trabalhistas garante igualdade efetiva e que o mercado já superou a estratificação, desconsiderando os dados de 8% de carteira no serviço doméstico.
O aluno toma a migração como explicação suficiente para a baixa renda e não percebe que o tipo de ocupação é o fator que organiza as diferenças apresentadas no texto.
O aluno acredita que a escolaridade individual resolve sozinha as desigualdades regionais, raciais e de gênero, ignorando que o texto aponta processos estruturais e históricos.
Raio-X da questão
estratificação social e trabalho
diagnostico
história do trabalho no Brasil · desigualdade social e racial
estude processos históricos de desigualdade social e mercado de trabalho no Brasil
Confundir causas históricas complexas com explicações simplistas ou únicas, como migração ou escolaridade isoladas.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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