Em 1944, um levantamento fictício comparou trabalhadores de uma cidade fabril e de uma zona rural do mesmo…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em 1944, um levantamento fictício comparou trabalhadores de uma cidade fabril e de uma zona rural do mesmo estado. Na cidade, 68 em cada 100 operários tinham vínculo registrado, e a renda mediana mensal comprava 2,9 cestas locais de alimentos. No campo, esses índices eram, respectivamente, 8 em cada 100 e 1,3 cesta; 47% dos trabalhadores rurais tinham ocupação apenas sazonal. Após a criação do Estatuto do Trabalhador Rural, em 1963, registros de 1974 apontaram 77 vínculos registrados em cada 100 trabalhadores urbanos e 34 em cada 100 rurais. A renda mediana passou a equivaler a 2,6 cestas na cidade e 1,6 no campo, enquanto o trabalho sazonal rural caiu para 29%. Compare os indicadores dos dois períodos e identifique a interpretação que relaciona adequadamente a mudança legal à estratificação entre trabalhadores urbanos e rurais.
- A) A expansão incompleta da proteção legal reduziu diferenças, mas preservou desigualdades de vínculo, renda e estabilidade no campo.
- B) A equiparação efetiva dos direitos eliminou as desigualdades, pois a queda do trabalho sazonal tornou campo e cidade semelhantes.
- C) A permanência da condição rural foi total, pois a legislação não alterou nenhum dos indicadores apresentados.
- D) A formalização rural resultou somente da queda da renda urbana, já que os trabalhadores da cidade passaram a comprar menos cestas.
- E) A mudança nos indicadores tornou a desigualdade apenas cultural, pois a renda rural aumentou após a nova legislação.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Comparei os indicadores de 1944 e 1974. Em 1944, a cidade tinha 68 vínculos registrados por 100 operários e o campo, 8. Em 1974, os números foram 77 na cidade e 34 no campo. A diferença caiu de 60 para 43 pontos, ou seja, a distância diminuiu, mas continuou grande.
- Na renda, a cidade passou de 2,9 para 2,6 cestas e o campo, de 1,3 para 1,6. A diferença caiu de 1,6 para 1,0 cesta, mas o campo ainda ganha menos.
- O trabalho sazonal rural caiu de 47% para 29%. A queda é real, mas 29% ainda é uma parcela alta da população rural em ocupação instável, o que mostra que a estabilidade também continua desigual.
- Assim, a legislação ampliou a proteção (houve avanço em vínculo, renda e estabilidade no campo), porém de forma incompleta, reduzindo as diferenças sem eliminá-las. Essa é a interpretação da alternativa A, que é a correta. O gabarito oficial A está coerente com os dados.
- Por que as outras estão erradas: a B confunde redução com eliminação, pois as diferenças de vínculo, renda e sazonalidade persistem. A C ignora que os indicadores rurais melhoraram, com vínculo subindo de 8 para 34 e renda de 1,3 para 1,6 cesta. A D inverte a lógica, já que a renda urbana caiu, mas não há qualquer relação demonstrada com a formalização rural, que cresceu por conta própria. A E atribui a desigualdade à cultura, quando os dados mostram diferenças econômicas e jurídicas que mudaram com a legislação.
💡 Dica: Analise os dados comparativos e relacione as mudanças legais com as condições dos trabalhadores.
Alternativa por alternativa
Correta. A formalização e a renda rurais cresceram, mas permaneceram abaixo das urbanas, e a sazonalidade continuou elevada, indicando redução sem superação da estratificação.
O aluno percebe que as diferenças diminuíram e conclui que desapareceram por completo. Não nota que, em 1974, o campo ainda tinha 34 vínculos contra 77 na cidade e 29% de trabalho sazonal.
O aluno supõe que, por a legislação não ter eliminado a desigualdade, ela não produziu nenhuma mudança. Ignora que o vínculo rural subiu de 8 para 34 e a renda rural de 1,3 para 1,6 cesta.
O aluno vê a queda da renda urbana e a associa, sem evidência, à formalização rural, tomando correlação temporal como causa. Os dados do enunciado não estabelecem essa ligação, e a legislação é apontada como fator da mudança.
O aluno acredita que a desigualdade é apenas cultural, pois a renda rural subiu um pouco. Ignora que a diferença de renda continua em 1,0 cesta e que a mudança veio de uma norma jurídica, não de atitudes sociais.
Raio-X da questão
estratificação social trabalhadores urbanos rurais
diagnostico
interpretação de dados históricos · leis trabalhistas brasileiras
Estude as diferenças históricas entre trabalho urbano e rural e o impacto das leis trabalhistas.
Confundir dados numéricos ou não relacionar corretamente as mudanças legais com os indicadores sociais apresentados.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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