Entre papéis amarelados de um sindicato, aparecem dois livros de pagamento da mesma fábrica têxtil. No…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Entre papéis amarelados de um sindicato, aparecem dois livros de pagamento da mesma fábrica têxtil. No primeiro, do fim da década de 1920, constam 180 operários; 28 têm registro estável, e o restante alterna “diárias” e semanas sem serviço. A remuneração média mensal dos registrados é cerca de 2,5 vezes a dos diaristas, e mulheres e menores concentram os menores valores. No segundo livro, já da metade da década de 1940, o total sobe para 230 empregados; 190 aparecem vinculados a um registro nacional e a regras fixas de jornada, descanso e piso salarial. No entanto, anotações do tesoureiro lembram que, na fazenda de café próxima, colonos seguem recebendo por produção, com descontos em armazém, sem acesso às mesmas garantias, o que amplia a distância de renda entre campo e cidade. Interprete as comparações do texto e identifique o marco histórico que melhor explica o aumento do emprego registrado na fábrica e a permanência de desigualdades entre trabalhadores urbanos e rurais.
- A) A política oligárquica da Primeira República, que universalizou direitos sociais e reduziu a diferença de renda no meio rural.
- B) A abertura econômica dos anos 1990, que formalizou o emprego industrial e estendeu direitos trabalhistas para a produção rural.
- C) A consolidação de uma legislação trabalhista nacional na Era Vargas, com registro urbano e regras de salário e jornada.
- D) A extinção legal da escravidão em 1888, que igualou as formas de contratação e renda entre campo e cidade.
- E) A industrialização acelerada do Plano de Metas, que instituiu o registro trabalhista e ampliou garantias para colonos do café.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Os dados mostram que, entre o fim da década de 1920 e meados da de 1940, o número de empregados subiu de 180 para 230, e 190 deles passaram a ter registro nacional e regras fixas de jornada, descanso e piso salarial. Essa formalização corresponde ao período em que a legislação trabalhista nacional foi consolidada na Era Vargas, com a CLT de 1943. Passo 2: O texto também indica que os colonos do café continuaram recebendo por produção, com descontos em armazém, sem acesso às mesmas garantias. Isso mostra que a legislação urbana não alcançou automaticamente o campo, o que explica a permanência da desigualdade entre trabalhadores urbanos e rurais. Passo 3: A alternativa A está errada, pois a política oligárquica da Primeira República não universalizou direitos sociais e manteve a concentração de renda no campo. Passo 4: A alternativa B está errada, pois a abertura econômica dos anos 1990 é posterior ao período dos livros e não explica o registro de 1940. Passo 5: A alternativa D está errada, pois a abolição de 1888 não criou regras de salário e jornada nem igualou campo e cidade, como o próprio texto contradiz. Passo 6: A alternativa E está errada, pois o Plano de Metas ocorreu na segunda metade dos anos 1950, depois do segundo livro, e os colonos rurais não foram incluídos nas garantias trabalhistas. Passo 7: O gabarito oficial coincide com a resolução feita por conta própria.
💡 Dica: Analise as informações históricas e relacione com o contexto socioeconômico do período.
Alternativa por alternativa
O aluno pode imaginar que a Primeira República, por ser um período de controle oligárquico, teria ampliado direitos sociais de forma geral. Ele confunde a expansão de direitos com a manutenção do poder dos grandes proprietários.
O aluno pode associar a formalização do emprego apenas à modernização econômica recente e aplicar esse raciocínio a um período anterior. Ele também ignora que a abertura dos anos 1990 não explica os registros de meados dos anos 1940.
Os dados indicam formalização e normas de trabalho nos anos 1940, típicas da legislação trabalhista varguista, mantendo exclusões no campo.
O aluno pode supor que o fim formal da escravidão automaticamente criou relações de trabalho livres e igualitárias no campo e na cidade. Ele ignora que a legislação trabalhista e a desigualdade rural persistiram depois de 1888.
O aluno pode se confundir com a cronologia e atribuir ao Plano de Metas uma medida que o texto situa antes da mudança, na metade dos anos 1940. Ele também supõe que colonos do café foram incluídos nas garantias trabalhistas, o que o texto contradiz.
Raio-X da questão
registro de trabalho e desigualdades sociais
diagnostico
historia do trabalho no Brasil · legislacao trabalhista brasileira
Estude a legislação trabalhista e as condições sociais do Brasil entre 1920 e 1940.
Confundir o aumento do emprego registrado com melhoria geral das condições de trabalho, ignorando desigualdades persistentes.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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