Quando o audio do poema terminou, o grupo do sarau ficou em silencio por alguns segundos. O texto ouvido…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quando o audio do poema terminou, o grupo do sarau ficou em silencio por alguns segundos. O texto ouvido dizia: "No muro, a tinta grita um nome que nao cabe. Quem passa, finge nao ver, mas o muro lembra. Eu encosto a mao: frio. A rua segue, apressada, como se o nome fosse nada." Na conversa, Rita comentou que o verso "eu encosto a mao" a levou ao portao da casa onde cresceu, onde escrevia nomes de amigas para "não esquecer". Jonas discordou: para ele, o muro do poema lembra nomes apagados pela pressa da cidade, e o "finge nao ver" aponta uma escolha coletiva de ignorar. Outra participante acrescentou que, no bairro dela, nomes em muro viram recado e disputa. O mediador pediu que cada um retomasse um verso e explicasse o que ele faz sentir e pensar. Analise as leituras apresentadas pelo grupo e identifique a intervencao do mediador que melhor compartilha sentidos do poema, reconhecendo a tensao entre a experiencia pessoal e uma interpretacao coletiva.
- A) Reconhecer que o poema comporta memoria intima e denuncia social, e que ouvir ambas as leituras amplia o sentido do "nome".
- B) Afirmar que o sentido correto depende da intencao do autor, e que o grupo deve descobrir o que ele quis dizer.
- C) Defender que o poema fala apenas de injustica social, pois a cidade e culpada e toda leitura afetiva desvia do tema.
- D) Defender que o poema fala apenas de saudade, pois o eu lirico relata uma lembranca pessoal ao tocar o muro.
- E) Afirmar que qualquer interpretacao vale do mesmo modo, sem necessidade de justificar nos versos o que cada um entendeu.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- A questão pede a intervenção do mediador que reconhece a tensão entre a experiência pessoal (Rita e o portão da casa onde cresceu) e a leitura coletiva (Jonas e o descaso da cidade diante dos nomes apagados). Passo 2: O poema traz elementos que sustentam as duas leituras: a tinta grita um nome que não cabe, o muro lembra, quem passa finge não ver e a rua segue apressada, como se o nome fosse nada. Essas imagens permitem tanto a memória íntima quanto a denúncia social. Passo 3: A alternativa A reconhece exatamente essa coexistência e valoriza a escuta das duas leituras, o que amplia o sentido de 'nome'. Passo 4: As outras alternativas estão erradas: B supõe um sentido único fixado pela intenção do autor, o que não é a proposta do mediador; C nega a leitura afetiva, embora o próprio texto a sustente com o verbo lembrar e o gesto de encostar a mão; D reduz o poema à saudade, ignorando a crítica à pressa e ao finge não ver; E dispensa a justificativa nos versos, o que esvazia a discussão literária. Passo 5: Portanto, o gabarito oficial A está correto e coincide com a minha resolução.
💡 Dica: Compare as interpretações e identifique a intervenção que reconhece múltiplos sentidos do poema.
Alternativa por alternativa
Articula leituras distintas sem anulá-las e evidencia a tensao entre afeto individual e gesto coletivo sugerida pelos versos.
Acredita que a interpretação correta é a que coincide com a intenção do autor, como se o sentido estivesse fixado fora do texto e da leitura do grupo.
Por que engana: O aluno pode confundir interpretação pessoal com única correta, desconsiderando múltiplos sentidos do poema.
Entende que só a crítica social é legítima e que a leitura afetiva desvia do tema, ignorando que a lembrança e o gesto de encostar a mão também aparecem no poema.
Toma a lembrança pessoal como centro único do poema, lendo apenas o verso eu encosto a mão e deixando de lado a crítica à pressa e ao finge não ver.
Conclui que, por ser subjetiva, toda leitura vale igualmente, sem perceber que a interpretação precisa ser justificada com base nos versos.
Raio-X da questão
interpretação literária múltipla
diagnostico
interpretação de textos poéticos · análise de múltiplas perspectivas
estude interpretação de textos poéticos e múltiplas leituras
O aluno pode confundir interpretação pessoal com única correta, desconsiderando múltiplos sentidos do poema.
pensamento_critico
literario
Questões parecidas com resolução
- No fim da tarde, o clube de leitura da biblioteca do bairro terminou de ouvir um poema curto, lido em voz alta: "No…
- Pergunta-se por que um clube de leitura reúne pessoas com experiências distintas. No encontro deste mês, foi discutido o…
- Debaixo de um viaduto, dois grafiteiros observam a paisagem urbana, marcada por muros rachados e retalhos de cor. Eles…
- Leia o poema, escrito para esta questão. MEMÓRIA DA RUA Na praça, a placa antiga manda alguns seguir adiante; a outros…
- Como dar voz a quem permanece invisível nos centros urbanos? O projeto Vozes na Parede reúne artistas periféricos para…
- Nas vielas da comunidade do Alto da Serra, paredes desgastadas são tomadas por cores vivas e formas inusitadas. Um grupo…
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
