Leia o poema, escrito para esta questão. MEMÓRIA DA RUA Na praça, a placa antiga manda alguns seguir adiante…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia o poema, escrito para esta questão. MEMÓRIA DA RUA Na praça, a placa antiga manda alguns seguir adiante; a outros, fecha-se o portão, como se a fome fosse errante. Mudaram os nomes das ruas, vestiram-se prédios de vidro, mas o mesmo medo escolhe quem pode falar e ser ouvido. Hoje, nos debates da tela, volta a velha divisão: uns defendem seus muros altos, outros pedem participação. E a cidade, entre ontem e agora, reconhece, sem disfarce, que o passado não fica morto quando o presente o refaz. Considerando o enfoque do poema na denúncia social, explique, em sua resposta, o que o eu lírico denuncia e de que modo relaciona problemas sociais do passado aos embates do presente.
- A) A explicação das razões pelas quais diferentes grupos sociais escolheram manter suas próprias fronteiras no presente.
- B) O eu lírico denuncia a permanência de tensões sociais antigas, especialmente a exclusão e a desigualdade de participação, que reaparecem nos conflitos e debates do presente.
- C) A crítica às mudanças urbanas que substituíram antigos espaços públicos por construções modernas e impessoais.
- D) A valorização das diferenças entre os grupos que participam dos debates públicos da cidade atual.
- E) A defesa dos muros e dos portões como recursos necessários para preservar a segurança da cidade contemporânea.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o poema com atenção ao campo semântico da exclusão e da desigualdade: a placa que manda 'alguns seguir adiante' enquanto 'a outros fecha-se o portão', a 'fome' que é tratada como algo errante, o 'medo' que escolhe 'quem pode falar e ser ouvido'.
- Observe a denúncia central. O eu lírico afirma que, apesar da troca de nomes das ruas e da modernização dos prédios, o mesmo medo continua a decidir quem tem voz e quem é excluído. Isso revela a permanência de uma desigualdade antiga, não sua superação.
- Veja como o passado se relaciona ao presente. Na terceira estrofe, a 'velha divisão' reaparece nos debates da tela: de um lado, os que defendem muros altos; de outro, os que pedem participação. Na quarta estrofe, o poema conclui que o passado não fica morto quando o presente o refaz. Ou seja, as tensões antigas são reatualizadas nos conflitos atuais.
- Conclusão: a alternativa B é a correta, pois descreve exatamente a denúncia da permanência de tensões sociais antigas (exclusão e desigualdade de participação) que reaparecem no presente.
- Por que as outras estão erradas: A trata de razões para manter fronteiras, sem denunciar a exclusão. C fala de crítica à arquitetura moderna, tema que o poema não desenvolve. D exalta as diferenças, quando o poema critica a divisão e a exclusão. E defende os muros, que o poema apresenta como sinal de exclusão, não como solução.
💡 Dica: Analise o enfoque do texto para identificar a denúncia social expressa pelo eu lírico.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter tomado a menção a 'uns defendem seus muros altos' como o tema central, lendo o poema como explicação das razões de manter fronteiras e não como denúncia da exclusão.
O poema contrapõe marcas antigas de exclusão — a placa, o portão e a divisão entre os que podem e os que não podem ser ouvidos — às formas atuais dessa desigualdade, representadas pelos prédios, pelas redes e pelos debates públicos. Assim, a denúncia não se limita ao passado nem apresenta uma justificativa para a segregação: mostra que conflitos sociais antigos continuam atuantes e são atualizados no presente.
O aluno pode ter se fixado na referência a 'prédios de vidro' e às mudanças urbanas, supondo que a crítica principal seja à arquitetura moderna e à perda de espaços públicos.
Por que engana: O aluno pode confundir a crítica social com justificativas, escolhendo uma alternativa que parece lógica, mas não reflete a essência da denúncia social.
O aluno pode ter interpretado a diversidade de vozes nos debates como algo a ser celebrado, ignorando que o poema denuncia a desigualdade de participação entre grupos.
O aluno pode ter associado muros e portões a uma proteção legítima contra a violência urbana, sem perceber que o poema os apresenta como expressão do medo e da exclusão.
Raio-X da questão
denúncia social, eu lírico
avaliacao
análise de textos literários · interpretação de metáforas
Revisar interpretação de textos poéticos e identificação do eu lírico.
O aluno pode confundir a crítica social com justificativas, escolhendo uma alternativa que parece lógica, mas não reflete a essência da denúncia social.
cidadania_etica
pensamento_critico
abstrato
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