Ao organizar o acervo de uma biblioteca comunitaria, uma estudante encontrou duas fontes sobre o trabalho. A…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao organizar o acervo de uma biblioteca comunitaria, uma estudante encontrou duas fontes sobre o trabalho. A primeira e um contrato de aprendizagem de uma cidade europeia do seculo XIV: um jovem passaria anos morando na casa do mestre, obedecendo regras de conduta e recebendo formacao para, ao final, poder exercer o oficio e abrir sua propria oficina. A segunda e um relato de um inspetor de fabricas do inicio do seculo XIX: descreve criancas e adultos em uma fiacao, repetindo movimentos simples por muitas horas, com pouca ou nenhuma chance de aprender todo o processo produtivo, pois as tarefas eram divididas em etapas minimas. A estudante observou que, nas duas situacoes, o trabalho ocupava grande parte da vida, mas o tipo de experiencia oferecida aos mais jovens era muito diferente. Interprete as duas fontes e identifique a conclusao que melhor explica como a reorganizacao do trabalho, do artesanato a fabrica, alterou os efeitos do trabalho sobre as geracoes mais jovens.
- A) Produziu a perda do aprendizado integral do oficio, ampliando a dependencia de salarios nas novas geracoes.
- B) Produziu o fim da exploracao do trabalho infantil, substituido por escolarizacao obrigatoria nas fabricas.
- C) Produziu a ampliacao da autonomia juvenil, garantindo ao aprendiz a propriedade das ferramentas do mestre.
- D) Produziu a manutencao da transmissao familiar do oficio, reforcando oficinas domesticas como forma dominante.
- E) Produziu a transformacao do trabalhador em servo preso a terra, com obrigacoes pessoais ao senhor.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- As duas fontes descrevem situações diferentes de trabalho. No contrato do século XIV, o jovem aprendiz morava com o mestre, recebia formação completa e, ao final, podia abrir sua própria oficina. No relato do inspetor do início do século XIX, crianças e adultos repetiam movimentos simples em uma fiação, com tarefas divididas em etapas mínimas e pouca chance de aprender o processo todo.
- Nos dois casos o trabalho ocupava grande parte da vida, então a diferença central está no tipo de experiência oferecida às gerações mais jovens. No artesanato, o aprendizado era integral e levava à autonomia profissional; na fábrica, o trabalho fragmentado limitava o aprendizado a uma tarefa específica.
- A alternativa A resume essa transformação. A divisão do trabalho fragmentou o ofício e impediu o aprendizado completo, fazendo com que a sobrevivência dependesse cada vez mais do salário, pois o trabalhador deixava de dominar um saber inteiro e de ter a própria oficina.
- Por que as outras estão erradas:
- B) O relato mostra crianças trabalhando na fiação, o que contradiz o fim da exploração infantil, e a escolarização obrigatória não aparece nas fontes.
- C) O aprendiz do contrato não era dono das ferramentas do mestre; estava submetido a regras de conduta, e a fábrica ampliou essa submissão em vez de dar autonomia.
- D) As fontes não mostram a manutenção da transmissão familiar; o contrato é com um mestre externo e a fábrica substitui as oficinas domésticas como forma dominante.
- E) A servidão presa à terra não aparece em nenhuma das fontes, que tratam de uma oficina urbana e de uma fiação industrial.
💡 Dica: Compare as duas fontes e identifique as mudanças no trabalho juvenil.
Alternativa por alternativa
A divisao de tarefas na fabrica reduz o dominio do processo e enfraquece a transmissao do oficio, favorecendo a proletarizacao.
Acredita que a fábrica, por ter tarefas repetitivas e divididas, teria acabado com o trabalho infantil ou o substituído pela escola. Confunde a divisão do trabalho com proteção à infância.
Por que engana: Confundir a exploracao do trabalho infantil com sua eliminacao ou escolarizacao obrigatoria.
Entende que o aprendiz medieval tinha autonomia plena por ter um contrato e ser futuro dono de oficina, ignorando as regras de conduta e a subordinação ao mestre.
Acha que a fábrica apenas manteve o modelo anterior, por ver crianças trabalhando. Não percebe que a fiação é uma reorganização industrial que substitui a oficina familiar.
Associa o trabalho medieval à servidão, por confundir uma cidade europeia do século XIV com a sociedade feudal rural, e não percebe que o contrato é urbano e feito com um mestre de ofício.
Raio-X da questão
transformacao do trabalho juvenil
avaliacao
historia do trabalho e oficios
estude a evolucao do trabalho e suas consequencias sociais
Confundir a exploracao do trabalho infantil com sua eliminacao ou escolarizacao obrigatoria.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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