Por que a mesma rua pode funcionar como casa e “fábrica” ao mesmo tempo? Em um município do Agreste, muitas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que a mesma rua pode funcionar como casa e “fábrica” ao mesmo tempo? Em um município do Agreste, muitas famílias transformaram a sala em pequena oficina de costura. O pagamento é feito por peça entregue a intermediários, sem registro e com variação forte de renda conforme a demanda. Para cumprir prazos, parte dos adolescentes ajuda no corte, na passagem e no acabamento depois das aulas — e, em semanas de encomenda alta, alguns deixam de ir à escola. Uma pesquisa local comparou trajetórias recentes: entre jovens de 18 a 20 anos que trabalharam com frequência nessas oficinas familiares, 30% concluíram o ensino médio; entre os que não participaram do trabalho durante o período letivo, 65% concluíram. Ao mesmo tempo, um centro de distribuição instalado na região passou a oferecer vagas formais, com exigência de ensino médio completo e deslocamento diário para um município vizinho. Com base no texto, conclua a avaliação que melhor relaciona o tipo de trabalho predominante e seus efeitos sobre as trajetórias de diferentes gerações nesse lugar.
- A) A predominância das vagas formais no centro de distribuição dispensa a conclusão escolar e amplia a renda juvenil de forma imediata.
- B) A predominância do pagamento por peça incentiva entrada precoce no trabalho e pode reduzir a escolarização, mantendo a precariedade entre gerações.
- C) A predominância do mercado regional de confecções assegura aposentadoria e direitos, independentemente de registro e contribuição previdenciária.
- D) A predominância do deslocamento diário para o município vizinho explica a baixa conclusão escolar, sem relação com o trabalho nas oficinas.
- E) A predominância do aprendizado prático na oficina garante mobilidade social, mesmo com abandono escolar em períodos de encomenda alta.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o tipo de trabalho predominante descrito no texto: oficinas familiares de costura, com pagamento por peça entregue a intermediários, sem registro e com renda instável conforme a demanda.
- Analise os efeitos sobre a escolarização. O texto informa que, entre jovens de 18 a 20 anos que trabalharam com frequência nessas oficinas, 30% concluíram o ensino médio, contra 65% dos que não trabalharam no período letivo. Também relata que, em semanas de encomenda alta, alguns adolescentes deixam de ir à escola.
- Relacione com as gerações. O pagamento por peça e a necessidade de cumprir prazos incentivam a entrada precoce no trabalho, o que tende a reduzir a escolarização. Como o ensino médio passou a ser exigência para as vagas formais, a menor escolarização dificulta o acesso a empregos melhores, mantendo a precariedade nas gerações seguintes.
- Por que as outras estão erradas. A: o texto diz que as vagas formais exigem ensino médio completo, então não dispensam a conclusão escolar. C: o texto indica trabalho sem registro, logo não há garantia de aposentadoria ou direitos. D: o deslocamento diário não é apresentado como causa da baixa conclusão; a pesquisa associa a evasão ao trabalho nas oficinas. E: o texto não sustenta que a oficina garanta mobilidade social; ao contrário, mostra abandono escolar e precariedade.
- Conclusão. A alternativa B é a única que relaciona corretamente o tipo de trabalho, o efeito sobre a escolarização e a reprodução da precariedade entre gerações, de acordo com os dados do texto. O gabarito oficial B está correto.
💡 Dica: Analise o impacto do tipo de trabalho nas trajetórias escolares dos jovens.
Alternativa por alternativa
O aluno imagina que um emprego formal, por ser melhor remunerado, dispensa o diploma e melhora a renda de imediato, ignorando a exigência de ensino médio completo citada no texto.
Por que engana: Confundir trabalho formal com informal e seus efeitos na escolaridade dos jovens.
O texto associa trabalho familiar por demanda, sem proteção, a menor conclusão escolar; isso tende a reproduzir inserção precária no mercado nas gerações seguintes.
O aluno supõe que qualquer trabalho ligado a um setor produtivo regional garante direitos trabalhistas e previdenciários, mesmo sem registro formal, como se o setor bastasse para assegurar proteção.
O aluno considera o deslocamento diário como causa principal da baixa escolarização, tirando a conexão que a pesquisa faz entre o trabalho nas oficinas e a evasão escolar.
O aluno acredita que a experiência prática e o trabalho manual garantem ascensão social, mesmo quando há abandono escolar, confundindo aprendizado informal com mobilidade social.
Raio-X da questão
trabalho juvenil e escolaridade
avaliacao
trabalho informal e formal · impacto do trabalho na educação
relações entre trabalho informal e educação
Confundir trabalho formal com informal e seus efeitos na escolaridade dos jovens.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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