Manchete fictícia: Governo americano declara 50 milhões de acres no Oeste como “terras vagas” e convida…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Manchete fictícia: Governo americano declara 50 milhões de acres no Oeste como “terras vagas” e convida colonos a ocupá-las. O Homestead Act de 1862 disponibilizou até 160 acres por família em regiões classificadas como “não cultivadas”. Relatórios oficiais estimavam 50 milhões de acres livres, prontos para “progresso”. Entretanto, lideranças Cheyenne argumentavam que o mesmo território era percorrido anualmente por cerca de 80 acampamentos nômades, usados para caça sazonal, cerimônias e trocas. Para o governo, a fronteira era definida por limites administrativos, traçados em mapas e atestados por agentes federais. Para os Cheyenne, o espaço não funcionava com fronteiras fixas: vias de circulação e pontos de encontro se modificavam conforme a migração de animais e a gestão comunitária dos recursos. Esse conflito de percepções marcou o avanço dos colonos no final do século XIX. Analise as concepções de fronteira apresentadas no texto; qual inferência melhor diferencia a definição governamental daquela atribuída pelos Cheyenne?
- A) A fronteira era concebida pelo governo como zona de preservação ecológica e pelos Cheyenne como terra sem uso significativo.
- B) A fronteira era concebida pelo governo como área de ocupação agrícola e pelos Cheyenne como espaço de circulação sem uso comunitário.
- C) A fronteira era concebida pelo governo como linha de defesa militar e pelos Cheyenne como zona de trocas cerimoniais.
- D) A fronteira era concebida pelo governo como linha administrativa fixa e pelos Cheyenne como espaço fluido de uso coletivo.
- E) A fronteira era concebida pelo governo como rota de expansão agrícola e pelos Cheyenne como região destinada à caça sazonal.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique o foco da pergunta. Ela pede a inferência que melhor diferencia a definição governamental de fronteira da definição atribuída aos Cheyenne, ou seja, o contraste central do texto. Passo 2: Localize a concepção do governo no texto. O governo define a fronteira por limites administrativos traçados em mapas e atestados por agentes federais, o que a torna uma linha fixa e formal. Passo 3: Localize a concepção dos Cheyenne. Para eles o espaço não tinha fronteiras fixas: vias de circulação e pontos de encontro mudavam conforme a migração dos animais e a gestão comunitária dos recursos, ou seja, um espaço fluido de uso coletivo. Passo 4: Compare com a alternativa D, que afirma exatamente isso: linha administrativa fixa para o governo e espaço fluido de uso coletivo para os Cheyenne. Ela captura a oposição entre fixidez e fluidez, que é a diferença estrutural entre as duas visões. Passo 5: Verifique as demais alternativas. A traz uma preservação ecológica que o texto não menciona para o governo, que via a terra como disponível para progresso. B descreve os Cheyenne sem uso comunitário, o que contradiz o texto, que fala em acampamentos, caça, cerimônias e trocas. C atribui ao governo uma linha de defesa militar, algo que não aparece no texto. E fala em rota de expansão agrícola, que é um dado parcial sobre o governo, e em caça sazonal, que é apenas um dos usos citados, sem captar a diferença de fixidez. Passo 6: Conclusão: a resposta correta é a D, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Compare a fronteira administrativa fixa com as formas comunitárias de circulação e uso do território descritas no texto.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a visão governamental à preservação ecológica, o que o texto não sustenta, e interpreta a terra dos Cheyenne como sem uso significativo, quando o texto descreve uso intenso e comunitário.
O aluno inverte a leitura do texto ao afirmar que os Cheyenne viam o território sem uso comunitário, quando o texto descreve acampamentos, caça, cerimônias e trocas coletivas.
O aluno inventa uma função militar para a fronteira governamental, pois o texto fala em limites administrativos, mapas e agentes federais, e não em defesa, e associa os Cheyenne a trocas cerimoniais sem captar o núcleo do contraste.
O texto associa a definição governamental a limites administrativos fixos. Já os Cheyenne utilizavam um espaço cujas rotas e pontos de encontro variavam, com gestão comunitária dos recursos.
O aluno escolhe a caça sazonal como traço que define a visão Cheyenne, quando ela é apenas um dos usos citados, e ignora a diferença central entre linha fixa e espaço fluido, tomando a expansão agrícola como definição governamental quando o texto a enfatiza como consequência da visão administrativa.
Por que engana: Confundir a descrição das atividades Cheyenne, como caça sazonal e cerimônias, com a definição governamental de fronteira, sem perceber o contraste entre limites fixos e uso territorial fluido.
Raio-X da questão
Concepções de fronteira territorial
avaliacao
Conceito de fronteira territorial · Territorialidade indígena e uso coletivo
Revise as diferenças entre fronteiras administrativas fixas e territorialidades indígenas baseadas em circulação e uso coletivo.
Confundir a descrição das atividades Cheyenne, como caça sazonal e cerimônias, com a definição governamental de fronteira, sem perceber o contraste entre limites fixos e uso territorial fluido.
multiculturalismo
pensamento_critico
historico
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