Por que um mesmo lugar pode ser chamado de "terra livre" e, ao mesmo tempo, de "territorio ancestral"? Em um…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que um mesmo lugar pode ser chamado de "terra livre" e, ao mesmo tempo, de "territorio ancestral"? Em um folheto distribuido nos Estados Unidos no fim do seculo XIX, um agente de colonizacao convidava familias a ocupar as Grandes Planicies, descritas como uma vasta area "aberta ao trabalho" e "pouco aproveitada". No mesmo periodo, em uma carta atribuida a lideres lakota, o texto defendia que ali existiam rotas de caca, cemiterios e marcos sagrados, e que a chegada de cercas e marcos oficiais transformava caminhos em proibicoes. Os dois registros circulavam em debates sobre leis de distribuicao de terras e a ampliacao das ferrovias, que aceleravam a presenca de colonos na regiao. Interprete os dois registros e identifique a leitura historica que relativiza a ideia de "vazio" associada a essa ocupacao territorial.
- A) Afirma que o "vazio" do folheto indica ausencia real de habitantes, confirmada pela carta dos lideres lakota
- B) Reconhece que o "vazio" do folheto resulta de um criterio cultural que desconsidera formas indigenas de uso e pertencimento
- C) Conclui que a fronteira descrita era apenas natural, definida por rios e relevo, sem acao politica
- D) Interpreta que a ocupacao eliminou conflitos, pois transformou a regiao em espaco neutro e sem memoria
- E) Defende que a propaganda e a carta expressam o mesmo sentido de territorio, baseado na propriedade privada individual
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o que cada registro afirma. O folheto apresenta as Grandes Planicies como area "aberta ao trabalho" e "pouco aproveitada", ou seja, usa a ideia de vazio para justificar a ocupacao por colonos. A carta atribuida a lideres lakota descreve rotas de caca, cemiterios e marcos sagrados, mostrando que o mesmo espaco era usado, lembrado e organizado por um povo indigena.
- Perceba o conflito de criterios. Para o folheto, so tem valor o uso que gera producao agricola e propriedade individual. Para os lakota, o valor esta no uso ritual, na memoria e no pertencimento coletivo. Assim, o que parece vazio para um observador e cheio de sentido para outro grupo.
- Relacione com o contexto. Leis de distribuicao de terras e expansao das ferrovias aceleravam a chegada de colonos, e as cercas e marcos oficiais transformavam caminhos antigos em proibicoes. Isso mostra que a ideia de "terra livre" depende de uma decisao politica e cultural sobre quem conta como ocupante.
- Analise as alternativas. A alternativa B esta correta, pois reconhece que o vazio e um criterio cultural que desconsidera os usos e o pertencimento indigenas. A alternativa A esta errada, pois a carta mostra presenca e uso do territorio, nao ausencia. A alternativa C esta errada, pois a fronteira descrita foi definida por acao politica e legal, nao apenas pela natureza. A alternativa D esta errada, pois a ocupacao gerou conflitos com os povos que ja viviam na regiao. A alternativa E esta errada, pois a carta defende uma relacao coletiva e sagrada com a terra, oposta a propriedade privada individual defendida pelo folheto.
💡 Dica: Compare as perspectivas dos dois textos sobre o uso e significado do território.
Alternativa por alternativa
Quem marca A entende que vazio significa ausencia de habitantes e acredita que a carta confirma isso. Na verdade, a carta descreve uso intenso e presenca indigena no territorio.
Por que engana: Confundir a ausencia de habitantes com a ausencia de uso ou significado cultural do territorio.
O texto contrapoe propaganda de ocupacao a referencias lakota a uso, memoria e sacralidade, mostrando "vazio" como construcao cultural.
Quem marca C acredita que a fronteira surgiu apenas de rios e relevo, ignorando as leis de distribuicao de terras e as cercas oficiais citadas nos textos.
Quem marca D imagina que a ocupacao trouxe paz e neutralidade ao espaco, desconsiderando que a carta denuncia a perda de caminhos e lugares sagrados e que a expansao gerou conflitos.
Quem marca E supoe que todos os registros concebem a terra como propriedade individual, sem perceber que a carta defende um sentido coletivo e sagrado de territorio.
Raio-X da questão
territorio ancestral e colonizacao
diagnostico
interpretacao de textos historicos · conflitos territoriais indigenas
estudo sobre territorialidade e perspectivas historicas
Confundir a ausencia de habitantes com a ausencia de uso ou significado cultural do territorio.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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