Ao folhear um jornal australiano do fim do seculo XIX, uma nota comemorava a abertura de um novo trecho…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao folhear um jornal australiano do fim do seculo XIX, uma nota comemorava a abertura de um novo trecho ferroviario e afirmava que a obra atravessava um “interior vazio”, “sem sinais de uso”, agora “integrado” ao comercio. No mesmo dossie, um folheto distribuido por liderancas aborigenes na decada de 1970 contestava a expressao: dizia que aquele espaco era percorrido por rotas sazonais, marcado por lugares de memoria, nomes e regras de acesso entre grupos, ainda que sem cercas ou cidades. Anos depois, ao comentar uma decisao judicial que reconheceu direitos territoriais tradicionais, um articulista escreveu que o conflito nao era apenas por “terra”, mas por “formas incompatíveis de definir onde comeca e termina um lugar” e por quem pode declarar “fronteiras” em mapas e leis. Analise os trechos e avalie a interpretacao historica que melhor relativiza a ideia de “vazio” ao comparar diferentes significados de territorio e fronteira nesse contexto colonial.
- A) Entende “vazio” como baixa densidade humana e conclui que fronteiras se definem por ocupacao permanente e urbana.
- B) Reconhece “vazio” como categoria colonial de legitimacao e contrasta fronteira cartografica com usos e memorias de percurso.
- C) Considera as duas visoes equivalentes e sustenta que toda fronteira e natural, determinada por rios e desertos, nao por politica.
- D) Aplica criterios atuais de direitos humanos ao seculo XIX e deduz que a imprensa descreveu o “vazio” por desconhecimento involuntario.
- E) Interpreta o debate como disputa apenas economica e afirma que territorio e, em qualquer sociedade, propriedade individual cercada.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia os três trechos com atenção. O primeiro (jornal do fim do século XIX) trata o território como “vazio” e “sem sinais de uso”, ou seja, como se fosse um espaço sem ocupação válida até a chegada da ferrovia. O segundo (folheto aborígene da década de 1970) mostra que o mesmo espaço era percorrido por rotas sazonais, com lugares de memória, nomes e regras de acesso, mesmo sem cercas ou cidades. O terceiro (artigo sobre decisão judicial) mostra que o conflito é sobre formas diferentes de definir onde um lugar começa e termina e sobre quem tem poder para declarar fronteiras em mapas e leis.
- Identifique o que a questão pede. Ela quer a interpretação que relativiza o “vazio” comparando diferentes significados de território e fronteira em um contexto colonial. Ou seja, é preciso perceber que “vazio” não é uma descrição neutra, mas um rótulo que justifica a apropriação.
- Resolva por conta própria. A ideia central é que o “vazio” é uma categoria de quem colonizava, usada para legitimar a ocupação, enquanto os grupos locais tinham outra forma de organizar o espaço, baseada em percursos, memória e regras de acesso. A fronteira cartográfica e legal é uma imposição que nega esses usos. Logo, a alternativa que reconhece o “vazio” como categoria colonial de legitimação e contrasta a fronteira cartográfica com usos e memórias de percurso é a correta.
- Compare com o gabarito oficial, que é B. Há coincidência.
- Por que as outras estão erradas. A trata “vazio” como simples baixa densidade e reduz a fronteira à ocupação urbana, ignorando a visão indígena. C iguala as duas visões, quando o texto mostra justamente uma disputa de poder, e defende que fronteiras são naturais, o que contraria o argumento dos trechos. D faz um anacronismo, aplicando direitos humanos atuais ao século XIX, o que não relativiza o conceito de vazio no contexto colonial. E reduz o debate ao aspecto econômico e à propriedade individual cercada, desconsiderando os usos sazonais e a memória coletiva.
💡 Dica: Compare as diferentes visões sobre território e fronteira no contexto colonial.
Alternativa por alternativa
O aluno toma o “vazio” pelo sentido literal de baixa densidade populacional e acredita que a ocupação urbana permanente é o critério que define fronteiras.
Por que engana: Confundir a visão colonial de 'vazio' com ausência real de uso ou ocupação humana.
O texto indica choque entre definicao legal-mapeada e territorialidade aborigene baseada em regras, rotas e memoria, negando o “vazio”.
O aluno acredita que as duas visões são igualmente válidas e que fronteiras são naturais, ignorando que o texto trata de disputa sobre quem define o espaço.
O aluno aplica valores atuais de direitos humanos ao século XIX e supõe que o “vazio” foi um erro involuntário de desconhecimento, sem perceber a intenção de legitimar a ocupação.
O aluno reduz o debate a um conflito puramente econômico e supõe que território é sempre propriedade individual cercada, desconsiderando os usos coletivos e sazonais mencionados nos textos.
Raio-X da questão
território, fronteira, colonialismo
avaliacao
interpretação de texto histórico · conceitos de território e fronteira
Estude conceitos de território e fronteira na história colonial.
Confundir a visão colonial de 'vazio' com ausência real de uso ou ocupação humana.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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