Por que dedicar atenção à forma como redigimos regras internas? Inspirados nessa questão, estudantes do 6º ano…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, tendo em vista o contexto de produção, a forma de organização dos textos normativos e legais, a lógica de hierarquização de seus itens e subitens e suas partes: parte inicial (título – nome e data – e ementa), blocos de artigos (parte, livro, capítulo, seção, subseção), artigos (caput e parágrafos e incisos) e parte final (disposições pertinentes à sua implementação) e analisar efeitos de sentido causados pelo uso de vocabulário técnico, pelo uso do imperativo, de palavras e expressões que indicam circunstâncias, como advérbios e locuções adverbiais, de palavras que indicam generalidade, como alguns pronomes indefinidos, de forma a poder compreender o caráter imperativo, coercitivo e generalista das leis e de outras formas de regulamentação.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que dedicar atenção à forma como redigimos regras internas? Inspirados nessa questão, estudantes do 6º ano elaboraram o estatuto provisório do EcoClube da escola. Entre as cláusulas, constam: 1. Todos os associados devem comparecer às reuniões mensais do clube. 2. É facultado aos membros solicitar convocações extraordinárias. 3. A gente tem que participar das discussões nas reuniões do clube. 4. As decisões serão tomadas por maioria simples dos presentes. 5. O presidente convocará a assembleia geral ordinária anualmente. Analise o texto-base e identifique qual cláusula não segue o padrão de linguagem normativa adequado para um estatuto.
- A) A gente tem que participar das discussões nas reuniões do clube.
- B) É facultado aos membros solicitar convocações extraordinárias.
- C) O presidente convocará a assembleia geral ordinária anualmente.
- D) Todos os associados devem comparecer às reuniões mensais do clube.
- E) As decisões serão tomadas por maioria simples dos presentes.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- A questão pede a cláusula que não segue o padrão de linguagem normativa (formal, impessoal, com verbos de obrigação como 'devem', 'será', 'convocará' e 'é facultado') próprio de um estatuto.
- Analisando as cinco cláusulas, quatro mantêm o registro normativo: a cláusula 1 usa 'devem comparecer' (obrigação em terceira pessoa), a cláusula 2 usa 'é facultado' (permissão em forma impessoal), a cláusula 4 usa 'serão tomadas' (regra objetiva) e a cláusula 5 usa 'convocará' (dever do presidente em linguagem formal).
- A cláusula 3, 'A gente tem que participar das discussões nas reuniões do clube', usa a primeira pessoa do plural com a expressão coloquial 'a gente' e a locução informal 'tem que' no lugar de formas como 'devem' ou 'deverão'. Esse registro é típico da fala do dia a dia, e não de um texto normativo.
- Por que as outras estão erradas: a alternativa B é um exemplo de linguagem normativa formal, com 'é facultado'; a alternativa C traz o verbo no futuro com sujeito de cargo, típico de regras; a alternativa D usa 'devem' com sujeito generalizado, padrão de estatuto; e a alternativa E usa o futuro 'serão tomadas' em forma impessoal, também adequado.
- Conclusão: a cláusula 3 é a única que foge ao padrão, por isso a alternativa A está correta, em concordância com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o uso da linguagem formal e normativa em cada cláusula.
Alternativa por alternativa
Uso de "a gente" e "tem que" é informal e viola o padrão impessoal e preciso da linguagem normativa.
O aluno pode ter interpretado que 'é facultado' é um registro informal ou pouco claro, achando que a expressão não é típica de textos jurídicos.
Por que engana: Confundir linguagem coloquial com linguagem adequada para textos normativos, escolhendo cláusulas informais como corretas.
O aluno pode ter achado que o futuro 'convocará' é uma forma de linguagem de conversa, sem perceber que o futuro do indicativo é padrão em normas e estatutos.
O aluno pode ter considerado o verbo 'devem' uma forma enfática demais e, por isso, pouco adequada, sem reconhecer que é o modo usual de expressar obrigação em regras internas.
O aluno pode ter lido 'serão tomadas' como uma construção passiva estranha ao cotidiano, confundindo estranheza com inadequação ao gênero normativo.
Raio-X da questão
linguagem normativa formal
avaliacao
linguagem formal e informal
Estude características da linguagem formal e normativa em textos legais.
Confundir linguagem coloquial com linguagem adequada para textos normativos, escolhendo cláusulas informais como corretas.
pensamento_critico
cotidiano
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