Quem nunca imaginou ouvir um canto celeste dentro de um vagão de metrô lotado? Em uma manhã comum, Ana…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar, em textos narrativos ficcionais, as diferentes formas de composição próprias de cada gênero, os recursos coesivos que constroem a passagem do tempo e articulam suas partes, a escolha lexical típica de cada gênero para a caracterização dos cenários e dos personagens e os efeitos de sentido decorrentes dos tempos verbais, dos tipos de discurso, dos verbos de enunciação e das variedades linguísticas (no discurso direto, se houver) empregados, identificando o enredo e o foco narrativo e percebendo como se estrutura a narrativa nos diferentes gêneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco narrativo típico de cada gênero, da caracterização dos espaços físico e psicológico e dos tempos cronológico e psicológico, das diferentes vozes no texto (do narrador, de personagens em discurso direto e indireto), do uso de pontuação expressiva, palavras e expressões conotativas e processos figurativos e do uso de recursos linguístico-gramaticais próprios a cada gênero narrativo.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quem nunca imaginou ouvir um canto celeste dentro de um vagão de metrô lotado? Em uma manhã comum, Ana segurava seu livro de contos quando, de repente, um pássaro de fogo pousou no apoio de mão. As penas cintilavam como brasas vivas, e o balançar do trem parecia embalar um hino desconhecido. Os passageiros continuaram absortos em seus celulares, alheios à criatura fantástica que miudinha sacudia as asas rubras. Ana fechou o volume, sentiu o coração acelerar e sussurrou: “Não é apenas imaginação.” Voltou o olhar para as letras impressas, agora relidas sob o brilho incandescente de uma realidade que escapava das páginas. Analise o texto-base e identifique o recurso estilístico que intensifica o estranhamento ao inserir um elemento fantástico no cotidiano.
- A) A presença de diálogo para revelar a surpresa
- B) O emprego de estrutura fragmentada na narrativa
- C) A introdução de um elemento fantástico em ambiente real
- D) O uso de primeira pessoa para narrar sensorialmente
- E) A descrição detalhada de cores e sons
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leio o texto sem olhar o gabarito. A narrativa começa em um ambiente real e comum, um vagão de metrô lotado em uma manhã comum, com passageiros absortos em seus celulares. Em seguida, surge um elemento impossível, um pássaro de fogo com penas que cintilam como brasas. O contraste entre o cotidiano banal e a criatura fantástica produz o estranhamento que o enunciado pede.
- Identifico o recurso estilístico. O que intensifica o estranhamento é a introdução de um elemento fantástico em ambiente real, isto é, a mistura do maravilhoso com o trivial. Os passageiros alheios reforçam o efeito, porque ninguém reage à criatura, e isso faz o absurdo parecer ainda mais deslocado.
- Verifico as demais alternativas. A) O diálogo aparece apenas uma vez, na fala final de Ana, e não é o recurso que produz o estranhamento. B) A narrativa é contínua, sem fragmentação. D) O narrador está em terceira pessoa, pois se refere a Ana pelo nome e não usa eu. E) Há descrições de cores e sons, mas elas servem à atmosfera e não inserem o elemento fantástico no cotidiano, que é o ponto central da pergunta.
- Conclusão. A alternativa correta é a C, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Identifique o recurso que mistura o fantástico com o cotidiano no texto.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter se fixado na única fala direta do texto, o sussurro de Ana, e concluído que o diálogo é o recurso central. Ele confunde um detalhe pontual com o mecanismo que gera o estranhamento ao longo da narrativa.
Por que engana: Confundir o recurso fantástico com outros elementos narrativos como diálogo ou descrição sensorial.
O aluno pode ter associado a mudança de foco entre o trem, o pássaro e o livro à ideia de fragmentação estrutural. Os parágrafos seguem uma ordem linear, sem quebras de tempo ou de narrador, e a fragmentação não é o recurso predominante.
O texto insere o pássaro de fogo no cenário metroviário, criando contraste entre o cotidiano e o fantástico.
O aluno pode ter se confundido porque o texto descreve sensações como o coração acelerado e o balançar do trem, que parecem vir de dentro de Ana. Porém, o narrador fala de Ana em terceira pessoa, e a sensorialidade não define a primeira pessoa.
O aluno pode ter escolhido porque o texto é muito rico em descrições de cores e sons, como as penas cintilantes e o hino. Ele tomou um recurso que compõe a atmosfera pelo recurso que produz o choque entre real e fantástico.
Raio-X da questão
recurso estilístico fantástico cotidiano
diagnostico
figuras de linguagem · elementos do fantástico
Estude figuras de linguagem e elementos do fantástico na narrativa.
Confundir o recurso fantástico com outros elementos narrativos como diálogo ou descrição sensorial.
pensamento_critico
cotidiano
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