No fim da tarde, a rua estreita parecia falar baixo. O vento varria os varais, virava as folhas, vigiava as…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Interpretar, em poemas, efeitos produzidos pelo uso de recursos expressivos sonoros (estrofação, rimas, aliterações etc), semânticos (figuras de linguagem, por exemplo), gráfico-espacial (distribuição da mancha gráfica no papel), imagens e sua relação com o texto verbal.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No fim da tarde, a rua estreita parecia falar baixo. O vento varria os varais, virava as folhas, vigiava as janelas. No vidro, a chuva fina riscava riscos rápidos, e o bairro, quase quieto, seguia o ritmo miúdo das gotas. Vento varria, vento voltava, na varanda vazia, a voz se enrolava; chuva sussurra, chuva se espalha, e a noite, devagar, na calçada trabalha. Entre um passo e outro, a mesma sonoridade repetida faz o poema parecer um sussurro contínuo, como se o próprio som acompanhasse o movimento leve da cena. Analise o poema e identifique o efeito produzido pela repetição de sons na construção do sentido do texto.
- A) Explica de modo objetivo as causas da chuva e do vento no bairro.
- B) Garante a presença de humor e de surpresa no final de cada verso.
- C) Sinaliza a ordem dos fatos e organiza a sequência narrativa do texto.
- D) Substitui a necessidade de imagens poéticas e torna o texto literal.
- E) Destaca a musicalidade e reforça a ideia de movimento suave na cena.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Observe o poema. As repetições de sons (aliterações como 'v' em 'vento varria, vento voltava', 'ch' e 'ss' em 'chuva sussurra', e assonâncias e rimas internas como 'a' e 'ão') criam uma sequência de sons que se repetem e se acompanham, produzindo musicalidade.
- Relacione esse efeito sonoro com a cena descrita. O texto fala de vento, chuva fina e um bairro quase quieto, com movimento leve e lento. Os sons repetidos e suaves imitam esse movimento delicado, como um sussurro contínuo.
- Portanto, a alternativa correta é a E: ela destaca a musicalidade do poema e reforça a ideia de movimento suave na cena, que é exatamente o efeito da repetição sonora analisada no texto.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Está errada, porque a repetição sonora não tem função de explicar causas do vento e da chuva; o texto é poético, não explicativo.
- B) Está errada, porque o poema não apresenta humor nem surpresa no fim dos versos; o tom é contemplativo e calmo.
- C) Está errada, porque a repetição sonora não organiza a ordem dos fatos; a sequência narrativa não depende desse recurso.
- D) Está errada, porque o poema continua cheio de imagens poéticas (vento que vigia janelas, chuva que se espalha, noite que trabalha na calçada), portanto não é literal.
💡 Dica: Observe como a repetição de sons contribui para o ritmo e o sentido do poema.
Alternativa por alternativa
Entendeu que a repetição de sons serve para explicar fenômenos naturais de forma objetiva, como um texto científico ou informativo.
Imaginou que os sons repetidos produzem humor ou efeito de surpresa, talvez por associar rimas a piadas ou brincadeiras de final de verso.
Associou a repetição sonora à organização temporal da narrativa, confundindo recurso sonoro com marcadores de sequência dos fatos.
Por que engana: Confundir repetição sonora com explicação literal ou narrativa do texto.
Acreditou que, por haver sons repetidos, o texto deixa de usar imagens e passa a ser literal, confundindo musicalidade com ausência de linguagem figurada.
A repetição de sons como em 'vento varria' e 'chuva sussurra' cria ritmo e imita o movimento leve descrito.
Raio-X da questão
repetição sonora e musicalidade
diagnostico
figuras de linguagem básicas · interpretação de texto poético
Estude figuras de linguagem e efeitos sonoros na poesia.
Confundir repetição sonora com explicação literal ou narrativa do texto.
pensamento_critico
literario
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