— Você consegue ler esta página? — perguntou o estagiário da biblioteca digital, ao mostrar no celular a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar o fenômeno da variação linguística, em seus diferentes níveis (variações fonético-fonológica, lexical, sintática, semântica e estilístico-pragmática) e em suas diferentes dimensões (regional, histórica, social, situacional, ocupacional, etária etc.), de forma a ampliar a compreensão sobre a natureza viva e dinâmica da língua e sobre o fenômeno da constituição de variedades linguísticas de prestígio e estigmatizadas, e a fundamentar o respeito às variedades linguísticas e o combate a preconceitos linguísticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Você consegue ler esta página? — perguntou o estagiário da biblioteca digital, ao mostrar no celular a reprodução de uma folha de Os Lusíadas (Canto VII), como a da imagem. A colega, que preparava um roteiro de podcast sobre “clássicos em linguagem de hoje”, estranhou grafias como “Rey”, “Nimphas” e “fauor”, além de notar que a diagramação e a tipografia antigas dificultavam a leitura rápida. Ela já tinha em mãos uma edição recente com ortografia atualizada, mas queria inserir no episódio uma citação curta “sem deturpar o texto”. O estagiário sugeriu consultar o fac-símile para decidir como apresentar o verso ao público: manter exatamente a escrita antiga ou adaptar apenas a grafia. Eles concordaram que a escolha deveria considerar, ao mesmo tempo, fidelidade ao documento e compreensão do ouvinte. Analise o texto-base e a página reproduzida na imagem e conclua qual procedimento torna a citação adequada ao público do podcast, sem apagar o caráter histórico do original.
- A) Substituir palavras e expressões por gírias atuais, para aproximar a fala do ouvinte jovem.
- B) Dispensar a citação e narrar só um resumo do episódio, pois texto antigo não pode ser citado.
- C) Corrigir as grafias antigas como se fossem erros do autor, omitindo a existência do fac-símile.
- D) Atualizar a grafia e registrar que, no original, a escrita aparece de outra forma.
- E) Manter a grafia antiga sem qualquer explicação, para garantir fidelidade total ao texto.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O problema central do texto é conciliar dois objetivos: fidelidade ao documento original (o fac-símile de Os Lusíadas, Canto VII) e compreensão do ouvinte do podcast, que lida com a ortografia atual.
- Observe os exemplos citados no texto-base: “Rey”, “Nimphas” e “fauor” são grafias do século XVI, época em que a língua não tinha a padronização ortográfica de hoje. Essas formas fazem parte do documento histórico e não são erros do poeta.
- A alternativa correta é a D. Ela atualiza a grafia, o que facilita a leitura e a compreensão do ouvinte, e registra que o original apresenta outra escrita, o que preserva a fidelidade e o caráter histórico do texto. Isso equilibra os dois critérios definidos pelos colegas.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Trocar palavras por gírias altera o texto de Camões e desfigura a obra, sem respeitar o original.
- B) Não é necessário abandonar a citação; textos antigos podem ser citados desde que se indique sua origem e forma.
- C) Tratar grafias antigas como erros do autor é incorreto, pois são características da época, e omitir o fac-símile esconde a fonte.
- E) Manter a grafia antiga sem explicação preserva o documento, mas deixa o ouvinte sem compreensão e não atende ao objetivo do podcast.
- Conclusão: a citação adequada atualiza a grafia para o público e informa a diferença em relação ao original, sem apagar a história do texto.
💡 Dica: Considere a fidelidade histórica e a compreensão do público para escolher a melhor forma de citar o texto.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que aproximar o texto do público exige substituir o vocabulário por gírias atuais, o que descaracteriza a obra e não resolve a fidelidade ao original.
O aluno entende que textos antigos não podem ser citados e que a alternativa é evitar o trecho, quando o problema é apenas de apresentação, e não de citação.
O aluno interpreta as grafias como erros do autor e, para corrigi-las, oculta o fac-símile, desconsiderando que a escrita antiga é característica histórica da época e que a fonte deve ser indicada.
Por que engana: Confundir atualizar a grafia com alterar o sentido do texto ou ignorar a necessidade de explicação sobre a versão original.
A imagem evidencia grafias históricas; atualizar facilita a recepção, e o registro mantém a referência ao documento e ao contexto de circulação.
O aluno pensa que fidelidade total significa manter tudo como está, sem nenhuma nota explicativa, ignorando a necessidade de compreensão do ouvinte definida no enunciado.
Raio-X da questão
fidelidade textual e adaptacao ortografica
avaliacao
interpretacao de textos literarios · conhecimento de ortografia historica
estude adaptacao de textos historicos e fidelidade textual
Confundir atualizar a grafia com alterar o sentido do texto ou ignorar a necessidade de explicação sobre a versão original.
pensamento_critico
literario
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